S�bado, 04 de julho de 2026, 06:09h
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Cerca de 20 mil pessoas lotaram o Galpão Crioulo do Camping Municipal para acompanhar as apresentações do Festival
Poesia e tradição subiram ao palco na disputa pelos troféus do Festival que ainda contou com shows de renomados artistas gaúchos e de Sérgio Reis
Os 30 anos do Reponte da Canção foram comemorados, no último final de semana, com o melhor da música e da poesia tradicionalista em uma festa que recebeu, de sexta-feira (4) ao domingo (6), cerca de 20 mil pessoas no Galpão Crioulo do Camping Municipal.
A programação teve início com Missa Crioula e a tradicional mensagem de abertura. Composições que versaram sobre o amor, as lidas do campo, a relação do gaúcho com o cavalo e a cultura regional subiram ao palco para concorrer aos troféus nos dois primeiros dias. No domingo, as 16 concorrentes voltaram ao palco do Reponte para nova avaliação dos jurados. Um show de chorinho com o grupo Suvaco de Cobra animou o público, enquanto os jurados definiam as grandes campeãs do Festival. A primeira colocada na linha Manifestação Regional foi a música afro “Na cancha reta da liberdade”, vinda de Tramandaí e Osório. Já a vanera “Tocador”, premiada na linha Campeira, carrega o nome de Santana do Livramento. O humor de Paulinho Mixaria fechou a programação do evento, já no início da madrugada de segunda-feira (7).
O Reponte também integrou a 9ª edição do Encontro Estadual de Invernadas – São Lourenço em Dança, que reuniu 45 invernadas de 29 cidades gaúchas no palco da Praça de Alimentação. O evento contou ainda com a 10ª Feira de Economia Solidária, que ofereceu ao público artesanato e produtos típicos da culinária e do folclore das diferentes etnias que formam o povo lourenciano.
Além das concorrentes, a dupla Cezar Oliveira e Rogério Melo e o sertanejo Sérgio Reis se apresentaram no palco do Reponte. Os Serranos, Cristiano Quevedo e Cristiano Vieira fizeram shows bailes na praça de alimentação.
Premiadas do Reponte
1º Lugar linha Campeira: “Tocador”, letra de Evair Gomes e música de Juliano Gomes (Santana do Livramento/RS)
1º Lugar linha Manifestação Regional: “Na cancha reta da liberdade”, letra de Carlos Hann e música de Adriano e Cristian Sperandir (Tramandaí e Osório/RS)
2º Lugar Campeira: “Mouro Pampa”, letra de José Carlos Batista de Deus e música de Zé Renato Daudt e Leonardo Ferreira (Piratini e Porto Alegre/RS)
2º Lugar Manifestação Regional: “Tempo, olho invisível”, letra de Adão Quevedo e música de Tuny Brum (São Lourenço do Sul e Santa Maria/RS)
Composição mais popular: “Uma lua de cavalos” (São Lourenço do Sul/RS)
Melhor instrumentista: Guilherme Ceron no baixo, pela composição “Arapuca”
Melhor intérprete: Vinicius Brum, pela composição “Tempo, olho invisível”
Melhor poesia linha Campeira: “Vidraça”, de autoria de Tiago Rodrigues Oliveira
Melhor poesia Manifestação Regional: “Tempo, olho invisível”, de autoria de Adão Quevedo
Melhor arranjo instrumental: “Na cancha reta da liberdade”, de autoria de Cristian e Adriano Sperandir
Melhor melodia: “Sonhos movidos à água e vento”, de autoria de José Roberto Correia Vieira
Melhor tema ambiental: “A terra é de quem doma”
Melhor tema litorâneo: “Milonga da noite preta”
Troféu Raízes: Comissão artística do 30º Reponte, Arthur Martinez, Cíntia Santos, Maurício Raupp Martins, Noé Cezar da Silva, Simone Porepp e Silvestre Klering
Troféu Raízes: Idealizadora do Encontro Estadual de Invernadas “São Lourenço em Dança”, Vivian Moura
Troféu Origens: Programa Galpão Crioulo – oferecido pela RBS TV ao destaque do festival: Zulmar Benites, instrumentista e compositor
As escolhas do público
Uma das tradições do Reponte é a participação do público que elege a obra mais popular. A escolha deste ano foi para a composição lourenciana “Uma lua de cavalos”. A letra é de um dos nomes mais conhecidos do Reponte, o advogado Lauri Lopes, que com este prêmio já acumula sete troféus de composição mais popular do Festival.
O público elege também os grupos de jurados para a próxima edição. Integrante da comissão organizadora, Silvestre Klering explica que são formados três grupos de jurados para a linha Campeira e três para a Manifestação Regional na escolha do público. Os grupos escolhidos para a 31ª edição foram o letrista Pedro Munhoz, o músico Nilton Júnior da Silveira, e o intérprete Ivo Fraga na Manifestação Regional e o letrista Xiru Antunes, o músico Cristiano Vieira e o intérprete Telmo de Lima Freitas na linha Campeira.
Neste ano, o público ainda pôde sugerir modificações ou ainda fazer críticas ao evento em urnas instaladas na entrada do Galpão Crioulo.
Homenagens aos 30 anos de Festival
O Reponte chegou a sua 30ª edição como um dos únicos grandes festivais que não sofreu interrupções em sua história. Desta forma, uma homenagem destacou, na segunda noite da programação, os prefeitos que ao longo destas três décadas mantiveram o Festival forte. Representantes da atual administração municipal entregaram o troféu Raízes para os ex-prefeitos José Nunes e Dari Pagel e representantes dos ex-prefeitos Beto Grill, Sérgio Lessa e Rudi Hübner.
“Não é fácil fazer cultura, por isso faço um agradecimento especial à comunidade lourenciana e aos patrocinadores. Fazer o Reponte é muito difícil e eu sei por tudo aquilo que vocês e seus familiares passaram para que a cada ano fosse realizado o Festival. Todos nós somos gratos a vocês”, disse o prefeito Daniel Raupp, aos seus antecessores. O deputado federal Henrique Fontana também recebeu a homenagem.
Na abertura oficial do Reponte, o prefeito falou da importância de chegar aos 30 anos. “Eu acompanho o Reponte desde sua primeira edição, no Ginásio de Esportes. E me sinto muito feliz de ser prefeito neste momento dos 30 anos do nosso Festival. Nós lourencianos temos orgulho de dizer que o Reponte é nosso, é do Rio Grande do Sul, do Brasil e da América Latina”, destacou.
O prefeito ainda falou da importância do Festival na manutenção da cultura regional: “este momento de comemoração é também um momento de pensar nos próximos 30 anos, pois o que fica para as gerações é a sensibilidade e a filosofia das composições. O Reponte neste momento de modismos e comercial musical diz um não ao aniquilamento da cultura regional”.
Pérola em Canto leva duas ao Reponte
Realizado paralelo ao Reponte, o 22º Pérola em Canto, que reúne apenas as obras lourencianas, levou dez concorrentes ao palco, abrindo as apresentações de sexta-feira (4) e de sábado (5), seguidas pelas 14 que disputaram o Reponte.
Na noite de sábado, após homenagem a ex-prefeitos, foram conhecidas as duas vencedoras do Pérola em Canto, que garantiram novas apresentações no domingo (6) e vagas na disputa do Reponte. “Romance do Amanhecer”, uma milonga de Danilo Kuhn, foi a vencedora da linha Campeira e levou o troféu de melhor arranjo instrumental. “Uma lua de cavalos”, com letra de Lauri Lopes e música de Cristiano Vieira e Adriano Gross, venceu na linha Manifestação Regional e ficou com o prêmio de melhor poesia. As dez composições lourencianas ainda foram homenageadas com o troféu Peão das Águas.
Sérgio Reis conquista o público
Em sua passagem por São Lourenço do Sul Sérgio Reis mostrou o porquê é conhecido pela simplicidade. Na manhã de sábado (5), ele caminhou pelo Centro da cidade. No calçadão, visitou lojas, conversou com as pessoas e posou para muitas fotos. “Eu não sou tatu para ficar escondido. Não ando com seguranças, meu segurança é Deus”, disse Reis, que ainda elogiou a cidade: “Que cidade linda é São Lourenço. A gente ouve falar muito desta lagoa e pensa que é uma coisinha pequenininha. Ai chega aqui e vê esta coisa linda que não tem fim”.
No palco do Reponte, o sertanejo arrancou aplausos do público, divertiu e emocionou o Galpão Crioulo lotado. Ele abriu o show com grandes sucessos, distribuiu muitos sorrisos e fez poses para a plateia mirim que o fotografou durante o show. Sérgio Reis conquistou o público não só pela música, mas pela postura carismática no palco. “Perguntei ao prefeito e ao secretário por que demoraram tanto para me trazer, pois o Renato Teixeira já tinha me falado sobre o Reponte. E eu estou muito feliz de estar na comemoração dos 30 anos”, disse o cantor.
Entre um e outro sucesso, Reis conversava e brincava com o público. Ao falar de sua relação com o Rio Grande do Sul, lembrou amigos da música gaúcha, falou da saudade de seu grande amigo Teixeirinha e narrou como ajudou recentemente o neto do saudoso artista gaúcho a sair das drogas. “Essas coisas me ligam a vocês gaúchos”, disse, o sertanejo, que ainda falou: “eu e meus músicos estamos felizes de estar aqui, pois vocês gaúchos sabem honrar suas tradições, vocês honram suas bombachas, honram suas botas e levam com vocês a cultura para todo lugar do mundo”.
Panela velha, Coração de Papel, Pinga ni Mim e muitos sucessos estiveram no repertório. O palco recebeu uma porteira, para compor a apresentação de um dos maiores sucessos da música regional brasileira. Reis chamou o pequeno Guilherme, que com seis anos acompanhava o show com sua viola. Ele subiu ao palco, tocou, cantou e encantou Sérgio Reis que o convidou para abrir a porteira para sua entrada. E ele, surpreendeu o sertanejo, que aos 73 anos, escutou o pequeno cantar toda a letra de “Menino da Porteira”. Reis encheu o pequeno de elogios, e com sua generosidade ao dividir o microfone deu mais um motivo, entre tantos ao longo do show, para sair do palco com ainda mais admiração do público lourenciano.
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