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Cultura e Turismo

17-04-2014

Kaingangues ensinam técnica ancestral de artesanato em Canguçu


Foto: Xiru Gonçalves Várias crianças, como a pequena Nurî, acompanham o grupo que partiu da aldeia Três Soitas, em Manta Maria

Acampados no município, grupo repassa o conhecimento de gerações anteriores em troca de alimentação e agasalho


Quatro casais kaingangues, acompanhados de várias crianças, estão em Canguçu desde a última semana. As viagens para vender o artesanato produzido na aldeia Três Soitas, em Santa Maria, fazem parte da rotina dos indígenas, que aprendem desde cedo a confeccionar balaios e cestos. A novidade ainda é grande para a pequena Marivane Sales, que com apenas um ano já acompanha o grupo. Outro integrante, Darci Sales, já conhece bem o município. Ele retorna pela décima primeira vez a Canguçu para vender balaios de páscoa. “Não temos salário, esta é nossa única fonte de renda”, explica.



As famílias enfrentam dificuldade para levar em frente a tradição herdada dos antepassados. Apesar do intenso frio, todos os integrantes, incluindo o bebê de um ano, passam as noites na parte externa da Estação Rodoviária, enrolados em cobertores que se mostram insuficientes. “Se ao menos tivéssemos um carrinho para a menina, ficaria melhor...”, exclama Darci.


Em outros anos, os indígenas receberam doações de alimentos e agasalhos. As famílias vão “vivendo como podem”, segundo define Darci. Ele não costuma pedir alimentos nem agasalhos, apenas oferece os artesanatos, mas reconhece que a ajuda é sempre bem-vinda. Os balaios são comercializados por valores que variam entre R$ 10 e R$ 25. Várias crianças, filhos dos casais, acompanham o grupo. Na aldeia, os pequenos recebem primeiro o nome indígena, como forma de reafirmar a cultura dos antepassados. A escolha, segundo explica Darci, é feita pelas avós das crianças. Depois, todos ganham também um nome em português. Registrada como Bruna, uma das filhas do indígena, é chamada Nurî pelos membros da aldeia.


Em Santa Maria, os kaingangues frequentam uma escola localizada na aldeia. O primeiro idioma que aprendem é o indígena. Depois vem a língua portuguesa. O grupo tinha previsão de permanecer na cidade até quarta-feira (16), vendendo os objetos artesanais em frente à Prefeitura. Depois retornariam à Santa Maria, retomando o trabalho na aldeia Três Soitas, onde compartilham o espaço com outras dez famílias.


Grupos indígenas em Canguçu


Embora não oficialmente identificados, os kaingangues afirmam que já encontraram outros grupos indígenas vivendo no município. Darci acredita que os integrantes pertençam à tribo Guarany e que atualmente produzam um artesanato bastante característico. “Nós trabalhamos trançando materiais. Eles (os guaranys) têm um artesanato baseado em madeira entalhada”, revela.


Os cestos confeccionados pelos kaingangues são feitos de Taquaraçu, uma fibra vegetal semelhante ao bambu, porém mais resistente e flexível. Os indígenas da aldeia Três Soitas se disponibilizaram, na terça-feira (15), para oferecer oficinas aos interessados em aprender a confeccionar cestos, balaios e demais artigos. O grupo não costuma cobrar para ensinar a técnica, mas aceita doações de alimentos e agasalhos em troca do conhecimento compartilhado. 


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