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Cultura e Turismo

13-06-2014

Venha provar o que Pelotas tem de melhor


Foto: Manuelle Motta Cheia de orgulho, dona Magda exibe seus amuletos da sorte em homenagem a Seleção Brasileira de Futebol

22ª Fenadoce oferece mais de cem opções de doces, entre finos e coloniais, aos visitantes


Ninho, quindim, bem casado, camafeu. Os 35 estandes, localizados na Cidade do Doce, oferecem mais de cem variedades do protagonista da festa. Têm para todos os gostos. Doces finos, coloniais, com chocolate, ovos ou frutas. Opções não faltam, até mesmo para quem por indicação médica precisa limitar a ingestão de açúcar. A maioria ainda é produzida da mesma forma com que os colonizadores portugueses, alemães e italianos faziam. Sem dúvida nenhuma, uma das maiores heranças deixadas na região.



Além dos tradicionais, os lançamentos chamam a atenção do público. A primeira doçaria a inovar e criar um doce foi a Bérola. Em 1998, em homenagem a cantora lírica Montserrat Caballé, que fez um show aberto em Pelotas, na praia do Laranjal, foi lançado o doce montserrat. Nozes, ovos e açúcar compõe a sobremesa apresentada ao público na 6ª edição da Fenadoce. Depois desse, muitos outros vieram. Só da Bérola, até a Fenadoce deste ano, eram mais de 15 criações. Mas para marcar o momento da empresa, que agora conta com franquias espalhadas por diversos pontos do país, como Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a doçaria lançou na Fenadoce deste ano dez novos sabores. De acordo com a proprietária, Xana Gallo, o número de criações é proporcional ao crescimento da empresa.


Seja na decoração ou no nome, de alguma forma todos fazem referência a Pelotas. “Nos importamos com as origens históricas e queremos levar um pouco de Pelotas para as outras cidades”, destacou Xana. A trilogia que homenageia o escultor pelotense Antonio Caringi é o destaque dos lançamentos da empresa. Para a proprietária, admiradora das obras do escultor, os doces O Laçador, Mãe Pelotense e Sentinela Gaúcho são uma forma de homenagear o artista que fez sucesso internacional. Tanto a trilogia, como os outros lançamentos tem algo em comum: o chocolate. Diferente dos ovos e amêndoas, que dão uma fragilidade maior aos doces, o chocolate faz com que o personagem principal da Fenadoce tenha um sabor mais marcante e uma durabilidade maior. Características procuradas pelos clientes de Xana e pela própria doçaria, que envia seus produtos para as franquias.


A criatividade foi além das misturas. Os lançamentos levam ingredientes diversos, como leite condensado, rum, chocolate, passas, biscoito, amendoim, doce de laranja e maracujá. Mas a aparência, pensada e ornamentada com o cuidado já característico da empresa, e os nomes, todos em referência a cultura pelotense, dão o toque especial. Xadrez na Praça, Ladrilho Hidráulico, Terra Doce, Lixeira de Estudante e Cappucino são alguns dos lançamentos da única doçaria a estar presente em todas as edições da feira.


Mas se nas criações da Bérola são utilizados ingredientes já conhecidos pela maioria, o lançamento da doçaria Delícias Portuguesas leva um componente um tanto quanto novo para um doce: o feijão branco. Originário de Torres Vedras, uma cidade portuguesa próxima a Lisboa, o pastel de feijão gera curiosidade, e até mesmo estranhamento, ao ser feito da mistura de feijão branco, açúcar, gemas e amêndoas. Mas quem aceita o desafio de provar o resultado dessa mistura não se arrepende. O que já é sucesso em Portugal, e está em processo de certificação, vem mostrando na Fenadoce que veio para ficar. O formato lembra o doce panela de coco. A textura é macia e leve. O cheiro, em alguns momentos, denuncia a mistura inovadora. E tudo isso envolto em muito açúcar de confeiteiro.


A proprietária da empresa, Eulália Duarte, conta que há cerca de três anos tentava criar o doce usando ingredientes brasileiros. “A farinha daqui é mais pesada. Precisamos adaptar a receita para chegar próximo ao pastel de feijão servido em Portugal”. Ainda de acordo com ela, a escolha pelo doce se deu por que o pastel de feijão tem buscado a certificação em Portugal, fato já conquistado em Pelotas.


Não é só o nome da doçaria que lembra o país europeu. As receitas ainda são as mesmas trazidas de Portugal pela mãe de Eulália, que vê uma grande evolução nos doces ao longo dos anos. Para ela, a certificação dos Doces de Pelotas, possibilitando ao cliente rastrear a procedência da sua sobremesa, foi uma conquista muito importante para a categoria. O estande da Delícias Portuguesas, fundada há mais de 30 anos e presente há 17 na Fenadoce, oferece ainda como opção um doce em referência a cada região de Portugal.


Amuletos da sorte


Se os doces, por si só, já chamam a atenção pela beleza, cheiro e, principalmente, sabor, imagina os que carregam em ano de Copa do Mundo as cores da Seleção Brasileira. Não é preciso caminhar muito pela Cidade do Doce para encontrar diferentes opções nas cores verde e amarelo. Tradicionalmente, em anos de Copa do Mundo, Olimpíadas ou outros eventos do estilo, as doceiras criam doces alusivos aos eventos. Mas a edição deste ano tem um sabor especial. O sabor de Copa do Mundo no Brasil. “Se nas outras Copas eu fiz, imagina nessa que é no Brasil, na nossa casa”, disse animada a doceira Magda Siqueira da Silva, de 60 anos. Destes, 30 foram dedicados a profissão que adoça a vida das pessoas.


Com o objetivo de homenagear a Seleção Brasileira de Futebol, a Câmara de Dirigentes Logistas de Pelotas (CDL) propôs às doceiras a criação de amuletos da sorte, nome dado aos doces criados com a temática do Mundial. Como sempre fez, dona Magda, que é proprietária da doçaria Magda Doces, não hesitou. Além de inventar a Trouxinha da Copa, com as opções de recheio mousse de limão e doce de ovos, decorou a tradicional Fatia de Braga com a bandeira do Brasil. “Desde o primeiro dia as pessoas olham, tiram fotos, querem provar. Principalmente os visitantes de outras cidades querem levar para mostrar para a família”.


A doceira, que confessa ser gremista, lembra os feitos de Felipão à frente do Tricolor gaúcho e fala com entusiasmo da forma que encontrou de torcer pelo país durante o Mundial. “Queremos homenagear não só os visitantes da Feira, mas o nosso país e o Felipão, que é gaúcho e técnico da Seleção”.


A profissão, que aprendeu ainda criança vendo o tio trabalhar, rende a dona Magda muito orgulho. Viajando por todo o Estado para comercializar os doces em feiras, não cansa de repetir o quanto ela e os doces pelotenses são bem aceitos em todos os lugares. “É especial a forma como as pessoas recebem a nossa cultura através dos doces. Por isso a Fenadoce é tão importante não só para as doceiras, mas para todos os pelotenses, porque propagada nossas tradições”.


Se a doçaria Magda Doces fez dois amuletos para a Copa, a Bérola fez seis. De acordo com Xana, a ideia inicial era fazer cinco taças, mas como o objetivo é dar sorte para o Brasil, resolveram fazer a sexta, que representa a taça do hexacampeonato. Os doces são em formato de cone e cada um leva um recheio diferente. O visitante pode aproveitar o doce e torcer pelo Brasil.


A criatividade é tanta que foram criados amuletos com a bandeira do Brasil, com as cores verde e amarela, representando as taças da vitória, e o estádio do Maracanã. O último, e não menos gostoso, é criação da Delícias Portuguesas. De acordo com Eulália, além de dar sorte ao Brasil, o doce é uma homenagem do Sul ao Nordeste, pois utiliza castanha do pará e chocolate.


Capital Nacional do Doce


Até a década de 20, Pelotas era conhecida como a terra do charque. Ao longo do tempo, e diante da especialidade gastronômica que se desenvolveu na região, o município passou a ser conhecido como a Capital Nacional do Doce. Diante da falta de açúcar na região, foi estabelecido um intercâmbio Sul-Nordeste. Os navios levavam charque e traziam grandes quantidades de açúcar, que ao se misturarem a ovos, transformavam-se em doces finos, conforme a tradição portuguesa.


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