Sexta, 03 de julho de 2026, 18:35h
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A mesa do café colonial é repleta de cucas, pães, schmier, nata, queijo, salame, mel, conservas, chocolate quente, café, chás, tortas, entre outras iguarias
Melhor do que sentir o cheiro das frutas no ar, é ver no rosto de seu Nelson o orgulho pela história da família e dos doces que carregam o sobrenome de seus antepassados. Aos 84 anos, lembra perfeitamente de como a produção dos doces Crochemore iniciou. Do fracasso das parreiras do pai, a quem ajudava na produção de vinho, surgiu a necessidade por uma nova linha de produção. Foi nesse momento que os conhecimentos adquiridos pela esposa Vilma, através de sua família, entraram em prática. Seu Nelson, em sociedade com o irmão, começou a produzir pêssegos em calda.
Na época, décadas de 50 e 60, existia apenas duas variedades de pêssego, mas em grande quantidade. A cadeia produtiva estava aquecida e a demanda pelo produto exigia mais investimentos. Foi quando em 1970 seu Nelson precisou recorrer a financiamentos bancários para financiar a próxima safra, que seria grande. Uma quebra de acordo pela parte do banco fez com que perdessem tudo. No mesmo período, multinacionais se instalavam nas redondezas para explorar o potencial da região. Assim como seu Nelson e dona Vilma, a maioria dos proprietários das indústrias familiares de pêssego e figo em calda daquela época faliu.
A dívida contraída com o banco rendeu mais de dez anos de trabalho para eles. Seu Nelson ainda lembra da ajuda que recebeu do fornecedor de latas, da mesma forma que não esquece os árduos anos produzindo pessegada para manter a família e quitar, finalmente, seu débito. Mas o destino dos Crochemore’s era ser o orgulho da região e, em 1986, dois dos sete filhos do casal, Paulo e Ricardo, depois de formados decidiram voltar a Colônia Santo Antônio, no 7º distrito de Pelotas, para retomar definitivamente o trabalho dos pais. Naquele ano, a Indústria de Doces Caseiros Crochemore foi fundada.
Ao longo dos 28 anos de existência, a gama de produtos foi crescendo. Atualmente, só de doces são mais de 39, além dos produtos de padaria, como pães, cucas, tortas e bolachinhas, e as compotas, que são os artigos mais procurados. As receitas feitas hoje são as mesmas a família de colonizadores franceses fazia quando chegou na região. Além da qualidade do produto, reconhecida em todo Sul do país, a Indústria Crochemore se diferencia pela forma de comercialização. Mesmo estando dentro de mercados em que só os melhores produtos entram, não deixou de frequentar as feiras livres da região.
De acordo com Paulo, tudo começou nas feiras. A produção era menor, menos quantidade de produtos, mas o contato direto com o consumidor era o mesmo. “A nossa ideia é continuar com as feiras, principalmente porque o reinicio se deu nelas. Na feira temos um retorno imediato do consumidor. Ficamos sabendo se o produto vai agradar, se a cor está boa, se o sabor vai satisfazer o nosso cliente”. Grande parte dos clientes que Paulo se refere não imagina que são atendidos pelos próprios proprietários e, segundo ele, esse pode ser um dos segredos do sucesso. “Desse contato pode vir ideias muito boas. Precisamos estar sempre atentos para quem sabe aproveitar ou readequar o produto para a necessidade que o cliente apresenta”.
A volta do pêssego em lata Crochemore
A indústria estava estabelecida. Os produtos já eram conhecidos e reconhecidos. A família percebeu que para produzir os doces cremosos faziam praticamente o mesmo processo que fariam caso produzissem pêssegos em calda. A decisão foi tomada, cerca de 20 anos depois os Crochemores voltaram a produziram a especialidade dos antepassados. No primeiro ano produziram 10 mil latas. Hoje, nove anos depois, produzem um milhão de latas. Atualmente, o pêssego em calda é o produto que mais vende na empresa. “Quando voltamos a fazer compotas queríamos alcançar pelo menos o Rio Grande do Sul, afinal, são mais de 10 milhões de pessoas. Hoje, enviamos nosso produto para os três estados do Sul do país”, ressalta Paulo.
Café Colonial Crochemore
Os doces Crochemore estão presentes na Fenadoce desde a 2ª edição. De acordo com Paulo, eles viram o evento como uma oportunidade de divulgar e comercializar os produtos. O resultado foi tão positivo, que eles não deixaram mais de comparecer. A ideia inicial era comercializar os doces, foco do trabalho da indústria. Algum tempo depois, cerca de dez anos atrás, a organização da Feira decidiu padronizar os espaços destinados aos doces. Como a gama de produtos Crochemore era grande, eles precisariam de um espaço maior do que o oferecido pelo evento. As únicas opções seriam os estandes destinados às cafeterias.
A empresa decidiu trabalhar em um deles, mas com o objetivo de usar todo o espaço para expor os doces. De acordo com a Feira, o contrato de locação previa naquele lugar o serviço de café e, sem alternativas, eles dividiram o espaço entre loja de doces e café colonial. De um ato despretensioso, dispondo de oito mesas, Paulo se surpreendeu. Os visitantes formavam filas para saborear o café colonial. “Nossa ideia era vender doces. O café era uma alternativa para conseguirmos um espaço melhor. Mas era justamente nos fundos da loja, onde estava o café colonial, que as filas se formavam”. O proprietário lembra que por tarde cerca de 400 cafés eram servidos. A fila era tanta que eles, de dentro do estande, mal enxergavam o final. “Em certos momentos não sabíamos o que fazer, como atender tanta gente. A produção não parava e os produtos nunca eram suficientes tamanha a demanda”.
Desde aquela edição, todos os anos o café colonial é servido. Outros estabelecimentos tentaram oferecer o mesmo serviço, mas nenhum foi tão bem sucedido quanto eles. Café colonial na Fenadoce ficou associado aos doces Crochemore. Da busca por uma alternativa, nasceu mais um sucesso da família, que oferece ao visitante uma mesa repleta de opções, no centro da Cidade do Doce.
Estrutura
A ilndústria funciona em dois prédios com cerca de 25 funcionários. Para a Fenadoce, foi necessário o reforço de mais cinco na produção e 16 para atender no estande.
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