Quinta, 02 de julho de 2026, 08:05h
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Descendente de Pomeranos, Nilso Pinz pesquisa a cultura de seus antepassados há mais de duas décadas
Imigrantes chegaram à região de Canguçu na segunda metade do século XIX. Nascia uma história de suor e sonhos, que precisaria de braços e mãos fortes para ser construída
Quem são os pomeranos? Há poucas décadas a definição dos habitantes que representam boa parte da população de municípios como Canguçu e São Lourenço do Sul beirava a unanimidade. Eram assim chamados os descendentes de alemães que vieram para o Brasil na segunda metade do século XIX e falavam um dialeto reservado às camadas sociais mais baixas e aos camponeses: o pomerano. “Dialeto?”, questiona o pesquisador e funcionário público Nilso Pinz, de 53 anos, atual presidente da Associação Cultural Pomerana Canguçuense (ACPOCAN). “Não falamos dialeto, falamos um idioma próprio. Temos uma bandeira própria e uma cultura própria”, afirma o pesquisador, que trabalha na conclusão de um livro sobre este tema e há mais de duas décadas se dedica ao resgate da identidade pomerana.
Há cerca de dois meses ocorreu a fundação da ACPOCAN, como uma das iniciativas que buscam preservar a cultura e desconstruir mitos que sobrevivem há mais de um século e meio de imigração. O grupo é formado por pesquisadores, professores, membros de comunidades religiosas e, claro, descendentes de pomeranos. Pinz observa que ainda é comum o setor lojista anunciar vagas de emprego para pessoas que “falem alemão”. Tal definição, segundo ele, é completamente equivocada, já que poucos canguçuenses falam alemão, ao contrário de um percentual muito maior de habitantes que fala o pomerano. Mas, afinal, esses moradores são alemães ou pomeranos? “Somos pomeranos, sem dúvida! Descendemos dos Eslavos e dos Wendes, e não dos alemães. Trata-se de um povo que vivia próximo ao Mar Báltico, numa região onde hoje fica a Polônia”, indica Nilso, que também é descendente destes imigrantes. Ele salienta que os germânicos foram, inclusive, inimigos dos pomeranos e tentaram em vários momentos, na Idade Média, conquistar a região do Mar Báltico. Pomerânia, a região onde viviam os antepassados, tem sua nomenclatura ligada à língua Wende. A palavra teria origem na expressão Po Morje, que significa “a terra perto do mar”.
Os pomeranos na região
Os antecedentes históricos deste povo de olhos claros – e que segundo a ACPOCAN administra atualmente 60% do comércio no município – datam de 1856, quando Jacob Rheingantz adquiriu uma área de terras e fez um acordo com o Império para a colonização do território. “A região era a Serra dos Tapes, que naquela época era praticamente ocupada pela mata”, aponta o pesquisador. Pinz explica que neste período os pomeranos já haviam sido germanizados. “Na escala social europeia eles eram servos, que, com o agravamento da situação econômica, podiam ser comparados grotescamente aos atuais trabalhadores sem terra”, avalia.
Segundo ele, o primeiro grupo de imigrantes era composto por 18 pessoas, que se instalaram na Coxilha do Barão, área que abrangia os atuais municípios de Canguçu, Pelotas e São Lourenço do Sul. “Destes, poucos permaneceram. A maioria tinha alguma formação e não se adaptou à vida dura de derrubar a mata para iniciar a agricultura”. Mais tarde, o segundo grupo de imigrantes chegou à Reserva, no interior de São Lourenço do Sul, avançando pela região. Nascia, então, a colonização pomerana na Serra dos Tapes. A conquista exigiu trabalho e suor de um povo que trocou o passado próximo ao mar por um futuro que precisava ser construído em meio à mata fechada e às sementes que tão logo beijariam a terra, num ciclo de fertilidade que ultrapassa um século e meio.
Hino
O hino da Pomerânia surgiu no ano de 1852, de autoria de Gustav Adolf Reinhard Pompe, com a melodia de uma música chamada “Freiheit, die ich meine”.
Wenn in Stiller Strunde Träume mich umweh’n,
Quando em hora silenciosa sonhos me envolvem,
Bringen frohe Kunde Geister ungeseh’n
Trazendo boa nova espíritos despercebidos,
Rede Von dem Lande meiner Heimat mir
Falam-me da terra da minha pátria,
Hellen Meeresstrande, düsterm Waldrevier
Límpidas praias, escuras florestas.
Weisse Segel fliegen auf der blauen See,
Brancas velas voam sobre o mar azul,
Weisse Möven wiegen in der blauen Höh;
Brancas gaivotas se embalam na azul altura;
Blaue Wälder krönem weisser Dünen Sand
Azuis florestas coroam areias brancas nas dunas,
Pommerland, mein Sehnen is dir zugewandt!
Pomerânia, meu desejo está voltado a ti!
Aus der Ferne wendet sich zu dir mein Sinn,
Do longínquo se volta para ti o meu pensar,
Aus der Ferne sendet trauten gruss er hin;
Do longiquo ele lhe envia uma querida saudação;
Traget, laure Winde, meinem Gruss und Sang,
Carreguem, ventos mornos, minha saudação e canto,
Wehet leis und linde treuer Liebe Klang!
Sopre manso e suavemente o fiel som do amor!
Bist já doch das eine auf der ganzen Welt,
És sim a única em todo mundo,
Bist já mein, ich deine, treu dir zugestellt.
És minha, eu sou tua, fielmente entregue a ti.
Kannst já doch Von Allen, die ich jê geseh’n
Podes sim de todas que já vi,
Mir allein gefallen, Pommerland so schön!
Tu somente agradar, Pomerânia, tão linda!
Jetzt Bin ich im Wandern, Bin bald hier, bald Dort;
Agora estou peregrinando, ora estou aqui, ora ali;
Doch aus Allen andern treibt’s mich immer fort.
Mais de todas outras sou levado a sempre seguir adiante.
Bis in dir ich wiender finde meine Ruh,
Até que em tie u encontre novamente a paz,
Send’ich meine Lieder, der o Heimat, zu !
Envio minhas canções, a ti, ó pátria!
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