Quinta, 02 de julho de 2026, 07:51h
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Ainda hoje, descendentes das imigrantes preservam costumes e festas tradicionais dos antepassados
Chegada e trabalho dos colonos alemães foram determinantes para que as terras de duas estâncias fossem transformadas em São Lourenço do Sul
Não há como diferenciar a história da imigração alemã em São Lourenço do Sul da fundação do município. Quando os imigrantes dos estados alemães chegaram à Serra dos Tapes, em 1858, as terras hoje lourencianas eram formadas por duas grandes estâncias, uma do lado direito, e outra do lado esquerdo do rio São Lourenço.
Os primeiros imigrantes chegaram em 18 de janeiro de 1858, após dois meses de viagem em um navio veleiro, e três dias percorridos entre Rio Grande, onde desembarcaram, até a Serra dos Tapes. “Neste estado físico e psíquico, a leva de homens e mulheres se encaminhou para as terras na Serra dos Tapes, que logo se revelou coberta de matas virgens, muito diferente de suas terras de origens”, conta a cartinha 150 anos de Imigração Alemã-Pomerana em São Lourenço do Sul, produzida pelo grupo de trabalho formado para as comemorações do Sesquicentenário da Imigração, em 2008.
A imigração foi possibilitada pela parceria entre o estancieiro José Antônio de Oliveira Guimarães, dono de terras no local, e o prussiano Jacob Rheingantz, que vivia em Rio Grande. Oliveira doou terras para a instalação dos imigrantes e Rheingantz ficou encarregado de buscar os colonos na Alemanha, como já vinha ocorrendo no Brasil, desde 1824, quando os primeiros imigrantes alemães chegaram à São Leopoldo, em 25 de julho.
De imediato os imigrantes chegados à Serra dos Tapes iniciaram o trabalho de abertura de picadas, construções de residências e produção agrícola. Enquanto uns trabalhavam, outros chegavam. Poucos anos após a chegada dos 88 primeiros imigrantes, já eram mais de 5 mil alemães, a maioria do estado da Pomerânia, instalados nas terras lourencianas.
Acostumados ao trabalho braçal, os colonos produziram, além de seus alimentos, a batata inglesa. A produção foi tão intensa que São Lourenço chegou a ser o maior produtor de batatas da América Latina. Seu porto foi o maior de navios veleiros no Brasil. Na esteira deste desenvolvimento, a vila tornou-se o município de São Lourenço do Sul em 26 de abril de 1884.
A colônia de hoje
Se foi pelo trabalho da colônia que o município se desenvolveu, é também pela força do campo que se mantém forte ainda hoje. Conforme os dados do último censo do IBGE, cerca de 50% dos 44 mil habitantes de São Lourenço do Sul vivem na área rural. E o trabalho destas pessoas é responsável por 60% do Produto Interno Bruto (PIB), que é o somatório das riquezas econômicas locais.
A colônia, ainda hoje, se mantém na mesma área da época da imigração. Enquanto a cidade está às margens da Lagoa dos Patos, a maior parte da zona rural está do outro lado da BR-116. São sete distritos que produzem, principalmente, fumo, milho, arroz e soja, além da pecuária de corte e leite, entre tantas outras culturas de produção mais reduzida.
Além da economia, os descendentes de imigrantes mantém a cultura e os costumes de seus antepassados. São festas tradicionais, culinária, música, dança e língua, que ainda hoje fazem com que a colônia de São Lourenço do Sul mantenha seu desenvolvimento de mãos dadas com toda a riqueza e a história viva trazida pelos imigrantes em suas bagagens, 156 anos atrás.
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