Quinta, 02 de julho de 2026, 07:51h
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Reprodução de uma cena rural cotidiana eterniza a história que permanece intacta na memória das gerações mais antigas
Situado próximo ao principal trevo de acesso a Canguçu, estrutura foi inaugurada no final da década de 70
Num período em que a mecanização das lavouras alcançou também as pequenas propriedades, observar a imagem de uma mulher semeando manualmente a terra enquanto um homem conduz o arado puxado por bois é como um recorte no tempo. A cena rural, típica do interior de Canguçu com o maior número de pequenas propriedades na América Latina, está eternizada no Monumento ao Imigrante – ou ‘Monumento ao Colono’, como é popularmente conhecido.
Construído em alvenaria, com detalhes em azulejo e lantejoulas de cerâmica, a homenagem aos primeiros imigrantes chama logo a atenção de quem chega à cidade. A estrutura foi erguida na avenida 21 de Abril, próximo ao trevo de acesso a Canguçu. O local está cercado pela praça Hilmar Nornberg Pinz, nome de um radialista popularmente conhecido como Periquito e que se consagrou na apresentação de programas como Alô Colônia e Periquito Amanhece Cantando, ambos dedicados à cultura pomerana.
A história da construção do Monumento ao Imigrante é relatada em um livro – ainda inédito – do pesquisador Nilso Pinz. O autor antecipou parte do material com exclusividade à reportagem do Jornal Tradição Regional. Segundo Pinz, o projeto de construção partiu da comissão organizadora da Festa do Colono, em 1977. Coordenados pelo comerciante e radialista Osmar Krause, que presidia o grupo, os membros buscaram recursos através de festas organizadas no interior, onde eram escolhidas as representantes para o concurso ‘Rainha do Colono’.
Projetado e executado por Hildo Paulo Müller, a obra foi inspirada num monumento semelhante, instalado em Santa Cruz do Sul. A iniciativa canguçuense, porém, trouxe algumas inovações significativas. Uma delas foi a inclusão da mulher trabalhadora rural semeando a terra, numa referência à tradição pomerana, onde o trabalho na lavoura é uma atividade partilhada pelo casal. Outra inovação foi a inclusão de uma igreja – representando a forte religiosidade deste povo – e dos morros característicos da Serra dos Tapes. A inauguração ocorreu em julho de 1979, em um evento que contou com grande participação popular. Naquele ano também foi realizada a primeira Festa do Colono na sede do município.
Embora os arados puxados por bois façam parte de um cenário cada vez mais distante, observar o monumento é como se transportar para um período onde milhares de homens e mulheres semeavam a terra com a força dos músculos e a sabedoria de um povo que aprendeu a compreender os ciclos da natureza, a espera pelas chuvas e a fartura das colheitas.
O monumento
Apresenta a figura de um lavrador com arado puxado por uma junta de bois, simbolizando a agricultura familiar de forma rudimentar e manual, como no início da colonização. Outra figura masculina – com um cesto – tem dupla representação: o cesto serve tanto para o transporte de sementes como para recolher os produtos da lavoura. Uma figura feminina, um pouco curvada, representa o plantio manual e a participação da mulher na economia de base familiar. Ao fundo, as planícies e morros exemplificam o relevo do município.
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