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08-08-2014

Revisitando um clássico: A arte de fazer suspense em “Um Corpo que Cai”


Foto: Reprodução James Stewart é protagonista do filme

Filme de 1958 foi eleito o melhor de todos os tempos em 2013


Poucos diretores conseguiram compreender tão bem a arte de fazer suspense no cinema como Alfred Hitchcock. Com estilo próprio e muitas vezes inovador, seus filmes nunca se tornam datados e, por isso, revisitar sua obra é sempre bem vindo. Com filmes marcantes com Psicose (1960) e Janela Indiscreta (1954),  é, no entanto, em Um Corpo que Cai (1958), que ele encontra seu auge artístico. 



A história do policial que possui fobia de altura pode ser dividida em duas partes. Na primeira, afastado da polícia, Scottie (James Stewart) aceita investigar a esposa de um velho amigo, que supostamente estaria sendo perturbada por um espírito. A segunda parte se foca na obsessão deste homem pelo alvo de sua investigação, após uma tragédia ocorrer. 


Com técnicas inovadoras, este filme foi o pioneiro na criação de um efeito de câmera, que da a ideia de vertigem, em inglês Vertigo, título original do filme, e que também nomeia a novidade. Além disso, a direção de fotografia é sábia ao se utilizar de cores diferentes a medida em que fatos importantes estão para ocorrer. São estes detalhes que transformam uma história, até certo ponto comum no cinema, em um grande feito, com cenas antológicas, como os dois momentos cruciais na torre de uma igreja, e suspense crescente. Além disso, o filme se beneficia pela atuação marcante de James Stewart, parceiro usual nas obras do diretor, em um trabalho de construção mergulhado em uma espiral da loucura. Seu olhar ao ver sua nova conhecida vestida de forma idêntica ao seu antigo amor é, incontestavelmente, um de seus grandes momentos. Por outro lado, Kim Novak é dona de uma presença hipnótica, tornando palpável a obsessão de Scottie. 


Em 2013, o filme desbancou, depois de 50 anos, o “Cidadão Kane”, de Orson Wells, no topo da lista de melhores filmes de todos os tempos, da respeitada British Film Institute. E a obra merece tal posto, pois o impacto da câmera de Hitchcok pelas ruas e arredores de São Francisco é, ainda hoje, aterrador. 


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