Quarta, 01 de julho de 2026, 20:57h
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Filme Lucy responde a pergunta de maneira eficiente, mas pretensiosa
Segundo estudos, calcula-se que os seres humanos utilizam apenas 10% da sua capacidade cerebral. Mas, o que aconteceria se conseguissem utilizar uma porcentagem maior, chegando a capacidade total? Essa é a premissa da ficção científica Lucy, estrelada por Scarlet Johansson, que chegou às salas de cinema pelotenses na última semana.
Na trama, Johansson vive uma jovem que é obrigada a transportar drogas dentro do próprio estômago para outro país. Após levar uma surra de um dos responsáveis pelo crime, o pacote com o pó tóxico vaza dentro de seu corpo, a fazendo aumentar, gradativamente, o uso do seu cérebro, desenvolvendo capacidade e poderes como a leitura e controle de mentes, além da ausência de dor e medo. A partir disso, ela entra em uma busca pelas demais “mulas” que transportam a droga, além de vingar-se de seus algozes, em um período de 24 horas, antes que seu corpo se desfaça.
Apesar do bom ritmo, capaz de prender o expectador durante toda a duração da obra, e dos efeitos visuais razoáveis, Lucy peca por ser pretensioso. Buscando tratar questões filosóficas e do conhecimento humano, não são poucos os filmes nos quais busca inspiração: a linha da vida e a evolução das espécies, por exemplo, ecoam a Árvore da Vida, de Terrence Mallick. O problema, porém, é que, neste caso, o material não é suficiente para tanta pretensão. A abordagem aos temas são desenvolvidas de forma didática, duvidando da capacidade de entendimento de quem assiste, e algumas situações, mesmo dentro da proposta de ficção científica, se tornam inverossímeis. Com esse material, os atores têm muito pouco a fazer. Enquanto o egípcio Amr Waked e o veterano Morgan Freeman se mostram eficientes, Scarlet Johansson alterna bons momentos com outros onde a atuação parece sair do tom correto.
Felizmente, isso não se torna comprometedor ao resultado final. Lucy é um bom filme, serve como divertimento, como passatempo. No entanto, é impossível não pensar: se o diretor, Luc Besson, tivesse usado mais que 10% de seu cérebro, Lucy poderia ser, de fato, um grande filme.
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