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Cultura e Turismo

19-09-2014

Intercâmbio entre canguçuenses e cariocas mostra a cultura do Rio Grande do Sul ao Brasil


Foto: Arquivo pessoal/Géder Barbosa Invernada Juvenil do CTG Sinuelo em visita ao Rio de Janeiro

CTG Sinuelo recebeu no dia 15 deste mês um grupo de danças da Estância Jonosake, da cidade de Itaguaí (RJ); intercâmbio cultural entre as entidades dura 27 anos


Na segunda-feira (15), a invernada artística Os Veteranos, do CTG Sinuelo, recebeu um grupo de 25 pessoas da cidade de Itaguaí, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde é mantido um centro de danças tradicionais gaúchas na Estância Jonosake. Eles farão apresentações no município, seguidas de um jantar de confraternização. No dia 9 de outubro, Os Veteranos canguçuenses retribuirão a visita embarcando para o Rio de Janeiro, onde farão apresentações na Sociedade Sul Rio-Grandense, na Capital, e na Estância Jonosake.



Intercâmbio cultural dura 27 anos


O intercâmbio cultural entre o CTG Sinuelo e a Estância Jonosake teve início em 1987. Naquele ano, o então prefeito de Canguçu, Odilon Meskó, recebeu um prêmio como administrador na Universidade Moacyr Bastos, em Campo Grande (RJ). Meskó convidou o Grupo Artístico Sinuelo para acompanhá-lo na viagem, para representar a cultura do Rio Grande do Sul. Pela primeira vez em solo carioca, a Invernada Juvenil de Danças Gaúchas hospedou-se no Sítio Jonosake, uma colônia japonesa na cidade da Itaguaí. “Nascia naquele momento uma amizade daquelas que ultrapassam todas as barreiras do tempo”, conta Géder Barbosa, instrutor da invernada artística Os Veteranos, do CTG Sinuelo, e membro da Academia Canguçuense de História (Acandhis).


Acompanhados pelo empresário Jaques Oliveira, os pequenos gaúchos daquele grupo de danças conquistaram a simpatia da família Inouê, composta por Joaquim, Norma, Sami e Keiko, proprietários do sítio de lazer e esportes. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Joaquim, e a sua mulher, Norma, eram os responsáveis pelas atividades realizadas por lá. “A partir daquele encontro, a família Inouê se tornou a maior divulgadora da cultura do Rio Grande do Sul fora de nossos pagos”, afirma Géder Barbosa.


Hoje, o casal que tanto ensinou os conceitos de amizade, humildade, dignidade e carinho aos canguçuenses, vive em outro plano. “Ele era um japonês com nome de português e alma de gaúcho”, descreve o membro da Acandhis.


A histórica apresentação na TV Globo


O segundo passo para a aproximação veio no ano seguinte. Em 1988, eles chegaram em Canguçu com o Grupo de Danças Juan Martinho Carrasco, dançando músicas tradicionais gaúchas. No mesmo ano, o Grupo Artístico Sinuelo retornou ao Rio de Janeiro, apresentando-se em Itaguaí e Campo Grande. O ponto alto foi a exibição nacional na Capital, no Programa da Xuxa, na TV Globo. O programa gravado em 3 de agosto de 1988 foi ao ar em duas oportunidades e é motivo de orgulho dos canguçuenses até hoje.


Em setembro de 2008, os japoneses herdeiros de todos aqueles ensinamentos retornaram a Canguçu, desta vez sob o comando de Cristiane Keiko Inouê Taguti e do marido Akira Taguti, trazendo uma nova geração de cariocas com alma e coração de gaúcho. O Grupo de Arte Nativa Joaquim Inouê, ensaiado pelo então estudante no Rio de Janeiro, Fabiano Bacchieri, hoje cantor conhecido no Rio Grande do Sul, encantou a Região com o trabalho de divulgação da cultura gaúcha na Estância Turística Jonosake, que recebe uma média de 120 mil visitantes ao ano.


Quem passa por lá, assiste apresentações de danças tradicionais como Anu, as Tiranas, o Chote Carreirinho, a Rancheira, o Tatu, além das argentinas Chacarera e Los Amores. Os sapateadores ainda se saem muito bem no Malambo e na Chula e mostram uma coragem de tauras, na Dança dos Facões. Há alguns anos, foi fundado um Piquete de Cavalarianos entre as duas entidades, que se encontram anualmente em Canguçu para uma cavalgada. O Piquete é organizado pelos empresários Jaques Oliveira, Adão Silva e Etelvino da Silva.


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