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19-09-2014

A arte de fazer pilchas em Pinheiro Machado


Foto: Maicon Leon Maria de Lourdes Ritta Vieira é uma das mais procuradas costureiras de pilchas gaúchas

Costureira é famosa no município e na região pelo trabalho que realiza há 21 anos


Há 21 anos na atividade, Maria de Lourdes Ritta Vieira é uma das mais procuradas costureiras de pilchas gaúchas de Pinheiro Machado e da Região. Incontáveis são as peças que já fez para as invernadas artísticas de entidades tradicionalistas e os modelos que já produziu. Vestidos, bombachas, coletes, saias de armação, tudo é feito com muito carinho e capricho.



Aos 67 anos de idade, Maria conta que perdeu a conta de quantos vestidos já fez. “Comecei costurando para a minha filha e me formei costureira. Fazia vestidos para ela ir ao CTG. Depois comecei fazendo para fora e hoje não consigo dizer quantos vestidos já costurei”, diz.


Ela afirma que sempre realizou trabalhos manuais, como o bordado, e que nunca havia pensado em costurar. “Hoje em dia ainda faço bordados, nos vestidos principalmente, mas já não vivo apenas dele”, conta.


No mês de setembro Maria relata que a demanda de trabalho praticamente dobra. “O ano todo as pessoas procuram, mas é nos meses que antecedem a Semana Farroupilha que esta busca aumenta. Entreguei, na semana passada, 14 coletes e bombachas para uma invernada de um CTG de Candiota. Vestidos de prenda, neste ano, devo ter feito mais de 100”, destaca.


E se o número de encomendas aumenta, as horas de sono diminuem. “Vou dormir às 2h e levanto às 6h, para poder dar conta de todas as encomendas”, pontua. Das produções que marcaram a carreira da costureira, está o vestido de 15 anos. “Eu achei que não ia conseguir fazer. Era com muitos babados, bordados, camadas e capa. Nem queria pegar a encomenda com medo de não dar conta. Mas fiz e ficou lindíssimo”, relembra.


Máquina de família


A máquina que dá origem às mais variadas indumentárias é herança de sua mãe. “Essa máquina de costura que uso deve ter mais de 50 anos. Ela pertenceu a minha mãe, que antes de falecer deixou de presente para mim. É o meu xodó. Até tenho uma máquina mais nova, elétrica, mas gosto mesmo é desta velinha com pedal”, brinca.


Quanto às especificações da pilcha, ela comenta que o mais difícil de fazer é o chamado favo da bombacha. “Prefiro não fazer, mas se o cliente pede a gente faz, e bem feito. É difícil e precisa ter muita atenção para não errar”, explica.


Maria conta que os modelos se repetem assim como as tendências da moda. “O tecido mais usado hoje é o Oxford, que é barato e fica com caimento bonito. Mas os tecidos são os mais variados. Os modelos dos vestidos também, hoje voltaram muito os babados”, comenta.


O feitio de um vestido simples sai, em média, R$ 50. “Uma bombacha leva dois metros de tecido, e para um vestido são usados de 4,5 a 5 metros. O preço também varia conforme o modelo e os detalhes de acabamento”, diz.


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