Quarta, 01 de julho de 2026, 17:13h
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A façanha farroupilha marcou e evidenciou o Rio Grande, o mais longo e um dos mais importantes movimentos de revoltas civis brasileiras – a Revolução Farroupilha, envolvendo em suas lutas os mais diversos segmentos sociais – recorda a Guerra dos Farrapos contra o império, de 1835 a 1845. O 20 de Setembro de 1835 foi o marco inicial.
A data e o fato ficaram registrados na história dos sul rio-grandenses como o início da Revolução Farroupilha, movimento este que teve duração de cerca de dez anos e mostrava como marca registrada os ideais liberais, federalistas e republicanos, sendo então proclamada a República Rio-Grandense , que estabeleceu-se na cidade de Piratini, a sua capital.
Os festejos do movimento farroupilha, até em 1994, limitavam-se ao ponto facultativo nas repartições públicas estaduais e ao feriado municipal em algumas cidades interioranas, mas a partir do ano de 1995 houve uma mudança significativa definida pela Constituição Estadual com a data magna do Estado, onde 20 de Setembro passou a ser feriado, amparado na lei federal 9.093/95.
Diante disso, a Semana Farroupilha passou a ser um momento especial de culto às tradições gaúchas, transcendendo o próprio Movimento Tradicionalista Gaúcho. Ela envolve praticamente toda a população do Estado, se não fisicamente nos locais organizados para festejos, participando das iniciativas do comércio, dos serviços públicos, das instituições financeiras ou das indústrias.
Na querência dos pampas, os CTGs celebram a Semana Farroupilha
Na era da tecnologia, da velocidade e do virtual, faz-se necessário resgatar e cultivar valores que representam a nossa cultura, assim como, a nossa tradição.
E os Centros de Tradições Gaúchas cumprem o seu papel fundamental, que é manter acesa a chama de nossa história, através dos feitos heróicos dos bravos tauras que camperearam pelo pago com o firme propósito de proteger e guardar a nossa terra. Por conseguinte, os CTGs abrem a cancela da amizade para aprochegar o gaudério dos causos da Revolução Farroupilha.
O CTG Coronel Thomaz Luiz Osório que tem como lema: Com o laço da amizade unimos a gauchada, abre a porteira da sua estância pra nos contar um pouco de sua trajetória pelas coxilhas Rio-Grandense e dizer que, enganam-se aqueles que pensam que o tradicionalismo é um movimento antiquado, pois o tradicionalismo se estriba no passado, mas é pra montar no presente e construir confiantes o futuro.
E é esta identidade campeira que dita a prosa neste galpão na figura do patrão e secretária da entidade, Ana Maria Mota, que fala do seu orgulho em pertencer a esta casa há aproximadamente 18 anos, vivenciando e respirando a cultura gaúcha em suas mais variadas formas. Além, é claro, do orgulho que tiveram no Encontro de Artes de Tradição Gaúcha (Enart), onde o seu CTG fez um belo espetáculo e ficou com a 14ª colocação, evidenciando o primeiro lugar na categoria Trova de Martelo.
Quanto a uma particularidade do CTG, é que este abraça, apadrinha o Centro de Atenção Psicossocial Fragata (Caps), oportunizando que seu espaço seja utilizado para semear e cultivar os princípios gauchescos, participando ativamente de todas as festividades da casa.
Rosimeri Campos, professora de música e que trabalha com saúde mental há cerca de dez anos, aposta na musicoterapia como um recurso muito importante para os portadores de problemas mentais. Através de uma reforma psiquiátrica, enquanto professora, vestiu a camiseta do CTG para realizar uma atividade diferenciada, que trouxesse prazer associado ao trabalho de grupo, de coletividade e de integração entre eles e a sociedade. “O CTG é uma ponte para inserí-los na sociedade, além de aumentar a auto estima, eles se sentem valorizados”, diz.
Para concluir a nossa conversa, o patrão do CTG, Honório Bicca afirma que “a Semana Farroupilha é um acontecimento muito prestigiado pela região como um todo, engrandecendo a todos nós, o exercício da tradição”.
Porém, a conversação se estendeu tarde a fora na incursão de outros CTGs, momento de conhecer um pouco da caminhada do centro tradicional Os Farrapos, na voz da patroa Cláudia Costa da Silva, que comenta com muita satisfação o cargo que ocupa. “A semana dos farrapos representa a luta do nosso povo, pois passamos esse período vivenciando realmente a nossa cultura. Esse ano o tema “Eu sou do Sul” é bem amplo, nos dando a possibilidade de retratar todas as coisas do nosso Estado, como exemplo, a invernada Juvenil que este ano fala sobre a Pelota que deu origem ao nome da cidade de Pelotas, enquanto a Mirim na sua coreografia de entrada e saída, que foi a vencedora do campeonato estadual, fala sobre a gaita, instrumento símbolo do RS”.
Fundado em 20 de agosto de 1976, estamos completando 28 anos trabalhando em prol da cultura gaúcha, “agregando a família e buscando manter um dos maiores legados do nosso povo, que são os valores, e a gente ainda consegue evidenciá-los” declara a patroa Cláudia.
Cevando o mate e continuando a prosear, nos achegamos do CTG Sentinela de Rio Grande, 6ª Região, que abrange os municípios de Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, São José do Norte e Chuí, onde as prendas tomam lugar na roda pra apresentar sua entidade. Bianca de Melo e Joice Barbosa Bittencourt falam com muita alegria e vaidade, a importância de cultivar as raízes do pampa, bem como, da certeza de que fizeram a escolha certa, ao entrar para o tradicionalismo. “A Semana Farroupilha para mim é uma das festas mais importantes, pois ela contribuiu para que eu conhecesse o tradicionalismo, a nossa história, e eu me apaixonei”, comenta Joice.
Para Bianca, “esta festa resgata todos os anos tudo aquilo que nossos ancestrais fizeram por nós, as façanhas do Rio Grande do Sul até os dias atuais, o que é muito gratificante”, declara.
Seguindo a incursão cultural gauchesca é a vez do Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) Estância de São Pedro, da cidade de Rio Grande, que tem no comando Sheron Macedo e Alexandre Torres, ambos da direção artística e fundadores da entidade.
O DTG teve sua origem nos mesmos moldes do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), iniciado através de um projeto da escola Cipriano, de Porto Alegre e, está completando atualmente 15 anos.
“Para nós, esta festividade é um momento para mostrar como é o dia a dia do gaúcho, que temos valores e que somos pessoas de moral e princípios, é preciso pesquisar a respeito de nossa identidade, para conhecer melhor quem é o povo gaúcho”, dizem seus fundadores, Sheron e Alexandre.
E como a chama Crioula é a tradição gauchesca, apenas repousa no lombo do cavalo os seus feitos históricos, para relembrar nos Centros de Tradições Gaúchas o lema da própria Semana Farroupilha: “Eu sou do Sul".
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