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18-03-2011

ESPECIAL: As mulheres que cada vez mais conquistam seu espaço em Canguçu


No dia 8 de março foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. O Jornal Tradição Regional preparou reportagem especial à quem cada vez mais ganha espaço em todos os setores da sociedade. Foram entrevistadas mulheres que enfrentam o preconceito para se impor diariamente em seus respectivos campos de trabalho em Canguçu. Confira Soldado Denise �?? Brigada Militar Em março de 1987 ocorreu o primeiro curso de formação para mulheres na Brigada Militar (BM). Quase 25 anos depois, muita gente deixou de ver a farda como um uniforme tipicamente masculino. No patrulhamento das ruas, no setor administrativo, no comando e na execução de operações, as mulheres encaram com vigor os tantos riscos e responsabilidades da carreira militar. A realidade não é diferente para a Soldado Denise, que em junho deste ano completará 17 anos na Brigada Militar. Há quase dois anos em Canguçu, Denise trabalha no setor de comunicação social. Antes disso, logo após a formatura, a policial exerceu a função de patrulhamento em viatura e policiamento ostensivo no município de Pelotas. Foi, aliás, em Pelotas, que a soldado fez parte do Setor de Inteligência do 4° BPM, por cerca de 11 anos. �??Ser policial é um desafio. De igual para igual nós, mulheres, participamos de ocorrências arriscadas�?�, relata. Formada em Direito pela UCPel e há poucos meses de completar 17 anos como policial, a canguçuense projeta ascensão na carreira militar. �??Estou aguardando o edital de concurso para capitão, meu objetivo é continuar na Brigada�?�, revela. Sandra Rosane da Cruz �?? Instrutora de auto-escola Quem nunca ouviu o preconceituoso jargão �??mulher ao volante, perigo constante�?�? Mesmo as estatísticas comprovando que são os homens os maiores responsáveis por acidentes de trânsito, a frase machista ainda encontra simpatizantes. E o que dizer de uma mulher que ensina aos homens a forma correta de dirigir? Pois é exatamente esse o cotidiano de uma canguçuense que, há três anos, é responsável pelas aulas práticas de dezenas de alunos que buscam obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Sandra Cruz é instrutora do CFC Canguçu. No dia-a-dia, uma rotina intensa de trabalho, numa atividade que exige principalmente atenção e paciência. A instrutora inicia o trabalho todos os dias as 8h30. Além do desafio comum à atividade, há, ainda hoje, o desafio de ser mulher: �??Apesar de ser bem mais comum a presença de mulheres nessa profissão, ainda existe algum tipo de preconceito, às vezes por parte dos próprios alunos�?�, revela. Mas os tempos, felizmente, estão mudando. Tanto é, que metade dos alunos de Sandra são homens �??Alguns ainda ficam meio indecisos quanto a fazer aula com uma mulher, mas, sem dúvida, a maioria não vê nenhum problema�?�, relata. Darleni Schröder �?? Taxista Com ponto de táxi ao lado da Loja Pompéia, Darlene começou a trabalhar como taxista há oito meses. O desafio pode ser recente, numa profissão onde há poucos anos o predomínio de homens era quase absoluto. Mas não se engane, essa não é a primeira profissão consagrada aos homens pelo machismo que Darleni encara. Por pelo menos quatro �?? antes de ser taxista �?? ela trabalhou como frentista num posto de combustíveis, no centro de Canguçu. �??Cada corrida é uma historia�?�, descreve a taxista. A opção pelo desafio pode estar na descendência germânica de Darleni. �??Pra nós, descendentes de alemães, não existe essa conversa de �??trabalho de homem�?? ou �??trabalho de mulher�??. Trabalho é trabalho. Na colônia, na lavoura, as mulheres fazem o mesmo trabalho dos homens, então porque não posso fazer o mesmo aqui na cidade?�?�, questiona. A taxista, natural de São Lourenço do Sul, veio ainda criança para o interior de Canguçu. Sobre um possível preconceito, é possível notar avanços. �??Ainda tem casos de pessoas que chegam no ponto de táxi e comentam que preferem o carro de trás porque o motorista é homem, mas isso é minoria�?�, relata. Se para alguns (ou para muitos) ainda é novidade o trabalho feminino em táxis, é preciso lembrar que em Canguçu já há pelo menos outra três mulheres exercendo a profissão. Elas começaram antes de Darleni e, certamente, abriram caminho para uma realidade local que se consolida. Renata Fonseca �?? Treinadora de futebol O chamado �??país do futebol�?� ainda resguarda certos antagonismos arcaicos. Dos milionários salários pagos aos jogadores profissionais das grandes equipes até as dificuldades enfrentadas pelos clubes do interior, há uma disparidade imensa, que vai desde o número de torcedores até o orçamento dos times. Se atletas homens enfrentam esse tipo de desigualdade, a condição de ser mulher e atuar num esporte ainda machista impõe um desafio muito maior. Esse é o desafio assumido por Renata Fonseca, que há cinco anos é treinadora de futebol. Formada em Educação Física, Renata iniciou a carreira de treinadora junto a equipes escolares. Mas foi no Esporte Clube Cruzeiro que a treinadora a teve oportunidade de treinar cinco jogadoras que ascenderam no futebol feminino. As atacantes Letícia Pureza e Marcele Duarte foram encaminhadas a equipe feminina do Esporte Clube Pelotas. Além delas, a goleira Angélica Schellin, a meio-campista Maiara Vargas e a lateral Joice Bermanm também estão atuando na equipe pelotense, depois de serem jogadoras do Esporte Clube Cruzeiro. �??No meu trabalho no clube (Cruzeiro) não encontro resistência, ao contrário, tenho todo o apoio�?�. O trabalho e a dedicação da treinadora seriam mais bem recompensados se existisse menos diferença entre os investimentos dos patrocinadores de equipes masculinas e femininas. Por fim, Renata avalia que os organizadores de competições esportivas precisam pensar de outra forma o futebol feminino. �??Em Pelotas há um campeonato semelhante ao de Canguçu, porém lá existe uma categoria feminina que disputa a competição. Por que não existi isso aqui? Dizem que não tem gente, mas não é verdade. �? só abrir as inscrições que não faltarão jogadoras, tenho certeza disso�?�, avalia. Mariza Eslabão �?? Vice-prefeita O ano de 2011 reservou um desafio ainda maior para a vice-prefeita de Canguçu. Mariza Eslabão assumiu recentemente a função de Secretária da Saúde. Professora, advogada, ex-vereadora e candidata a deputada estadual na última eleição, Mariza considera que seu ingresso na política ocorreu muito mais devido a uma obrigatoriedade da legislação do que por reconhecimento a sua capacidade. �??Na verdade eu sou fruto da legislação. Se não existisse a obrigatoriedade de uma cota de mulheres candidatas, dificilmente eu teria um espaço assegurado�?�, avalia. Firmeza e determinação �?? características na carreira política e profissional da vice-prefeita �?? são pontos destacados na nova gestão implantada na Secretaria da Saúde. �??Antes eu ficava mais na comodidade de pedir para que alguém fizesse. Agora, tenho a responsabilidade de fazer, e fazer bem feito. Quanto ao preconceito por ser mulher no meio político, onde ainda predominam os homens, as próprias urnas demonstram que a mudança é evidente. Em várias oportunidades, como candidata a vereadora ou vice-prefeita, a vitória veio com expressiva votação, deixando para trás inúmeros candidatos homens. �??O preconceito existe, eu já passei por alguma resistência. Mas sem dúvida os eleitores já superaram isso. Falta os políticos, ou alguns políticos, seguirem o mesmo caminho dessa superação�?�, define. Diego Vilela


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