Quarta, 01 de julho de 2026, 06:21h
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Filme de David Fincher faz estudo sobre as aparências na sociedade moderna
David Fincher é um cineasta que gosta de brincar com os limites da alma humana, com as fronteiras do comportamento aceitável pela sociedade. Ele já havia mostrado isso no excelente Clube da Luta, onde acompanhava a trajetória de homens que gostavam de se reunir para lutar e externar sua raiva em meio ao caos moderno. Seu mais recente filme, Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), carrega alguns desses traços do diretor, ainda que de forma mais sutil.
A história se passa em uma pequena cidade do Missouri, e acompanha Nick (Ben Affleck) a procura de sua esposa Amy (Rosamund Pike), que desaparece misteriosamente. A medida que a investigação ocorre, o expectador vai descobrindo detalhes do relacionamento dos dois, como a forma que se conheceram e o porque abandonaram Nova York. Revelar maiores detalhes seria tirar parte do encanto de assistir ao filme. Mas basta dizer que uma revelação, surpreendente, pode mudar completamente o rumo das buscas por Amy.
O roteiro de Garota Exemplar, baseado em um livro de Gillian Flynn, foi adaptado pelo próprio autor do material original, o que talvez explique o tamanho da compreensão alcançada pelo texto do perfil de seus personagens. Os diálogos são expertos, e parecem sempre ter mais a revelar, assim como os personagens, normalmente envoltos em uma armadura prestes a ser quebrada. A direção de arte também tem papel fundamental para a narrativa, mostrando a casa perfeita de um casal impecável se tornar uma bagunça com a perícia policial, enquanto a vida do protagonista também desmorona. Mais que isso, a obra é um estudo intenso do jogo de aparências na sociedade moderna, e sobre o quanto os pontos de vistas diferentes podem revelar os dois lados de uma mesma moeda.
A direção de Fincher é precisa, assim como a montagem e a trilha sonora, feitas com os mesmos colaboradores da obra prima de sua carreira, A Rede Social. A fotografia adota tons escuros e melancólicos, que são aprofundados com as revelações da história. Além disso, o diretor se cercou de um elenco homogeneamente inspirado. Affleck aproveita suas limitações (ele nunca foi um grande ator), para compor um Nick pacato, um homem sem grande atitude para tomar as rédeas de sua vida. Carrie Coon e Neil Patrick Harris também rendem ótimos momentos. Mas é Rosamund Pike, carregando com maestria a ambiguidade da protagonista, em uma atuação magnética e representativa do jogo de aparências que norteia o filme, quem mais se destaca.
Ambicioso e audacioso, Garota Exemplar deixa uma sensação de vazio, ao mesmo tempo que faz refletir sobre o quanto as pessoas são capazes de fingir para ser o que os outros esperam. É mais uma peça chave na filmografia de Finsher para entender o comportamento humano moderno.
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