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Cultura e Turismo

06-05-2011

Ponte Mauá é o primeiro bem binacional tombado pelo Iphan


Símbolo de uma união afetiva entre as cidades de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, e Rio Branco, no Uruguai, a Ponte Internacional Mauá está inscrita nos livros do Tombo Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, das Artes Aplicadas, que destaca a construção do início do século XX como o primeiro bem binacional tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão, inédita no Brasil, foi tomada durante reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada na última terça-feira (03), em Brasília. Os conselheiros aprovaram também o tombamento do conjunto histórico e paisagístico de Jaguarão como patrimônio cultural do país, uma área urbana que guarda um acervo considerável de bens culturais, com edificações coloniais, ecléticas, art-déco e modernistas. Extremamente bem preservado e íntegro, o conjunto histórico de Jaguarão apresenta variação da tipologia, formas de implantação e acabamentos. O traçado viário da cidade, demasiadamente retilíneo se comparado ao das cidades coloniais brasileiras, decorre, possivelmente, da forte influência espanhola em seu desenvolvimento. Desde 2009, Jaguarão recebe investimentos do PAC Cidades Históricas, programa interministerial e federativo elaborado para articular ações de preservação do patrimônio cultural em 173 municípios brasileiros. Cerca de R$ 1,3 milhão já foram destinados para obras na cidade gaúcha, com destaque para a restauração do Teatro Esperança. Jaguarão, uma história de disputas territoriais e economia pecuarista A formação do Conjunto Histórico e Paisagístico de Jaguarão, agora tombado como Patrimônio Histórico Nacional, está intrinsecamente ligada aos processos de expansão das ocupações portuguesa e espanhola no território americano e às respectivas estratégias para garantir a posse de seus territórios. Ao longo de sua história, a cidade foi palco de disputas e batalhas entre as duas coroas e, mais tarde, após a independência e quando as fronteiras já estavam relativamente bem definidas, entre a elite pecuarista regional e o Governo Central. Portanto, a cidade cresceu envolta em uma atmosfera militar, e apesar de as fortificações originais não existirem mais, outros elementos marcam essa presença, como as ruínas da antiga Enfermaria Militar e um novo quartel do exército, construído já no século XX. Ainda hoje situada na fronteira, a povoação se formou e desenvolveu voltada para o Uruguai, apesar de separada pelo Rio Jaguarão, que nesse trecho delimita a divisão entre os dois países. A despeito das disputas políticas, a população sempre transitou entre os dois lados de maneira irrestrita, e o comércio de fronteira �?? em grande parte informal e estabelecido nos laços de parentesco entre os habitantes e nas propriedades rurais que os pecuaristas mantinham nos dois lados da fronteira �??, garantia a manutenção dos laços culturais que as longínquas coroas tentavam separar politicamente. A Ponte Internacional Mauá, financiada pelo Uruguai em decorrência de uma dívida de guerra com o Brasil e executada no início do século XX por uma firma carioca, veio unir fisicamente o que já era indissociável culturalmente. E como em outros pontos da fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, Jaguarão e Rio Branco estabeleceram definitivamente sua interdependência, que se estendia a toda a região sul do Brasil e ao Uruguai com a implantação da linha férrea que conectou a malha gaúcha ao porto de Montevidéu. Por ela eram transportados os produtos oriundos da pecuária que é, até hoje, a principal atividade econômica da região.


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