Segunda, 29 de junho de 2026, 23:05h
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Consuelo de Paula apresenta seu trabalho “O Tempo e o Branco” e tira o fôlego dos cerritenses
Talvez poucos moradores de Pedro Osório e Cerrito tenham se dado conta do que aconteceu na noite de sábado (14), no Clube Cerritense. Foi um espetáculo maravilhoso feito pela ótima cantora Consuelo de Paula.
Muitos ainda nem perceberam quais forças agem por trás desse evento, assim como em muitos outros. Como pode tantos cantores famosos escolherem como destino as cidades de Pedro Osório e Cerrito?
Pois bem, isso tem nome e chama-se Santana, sobrenome Cultura, juntamente com seus ajudantes diversos, pessoas que compartilham este gosto pela música, pela arte, pela cultura e que enxergam no seu comandante uma referência na cidade, tanto que já recebeu o título de “embaixador da cultura”.
Santana e seus ajudantes organizam shows que são sucesso e desejo de muitas grandes cidades e capitais brasileiras, mas são trazidos exclusivamente para as cidades de Pedro Osório e Cerrito. Um exemplo disso, é que neste show estiveram presentes visitantes de Porto Alegre e Santana do Livramento, que foram a Cerrito especialmente para o show de Consuelo, considerando que a divulgação dos shows acontece apenas pela internet e por alguns cartazes colocados nas vitrines da cidade. Muita gente está perdendo de ver espetáculos maravilhosos, de extremo bom gosto, mas terão a chance de se redimir, pois a fila de músicos que deseja cantar nas cidades é imensa.
Retornando ao show de sábado, a abertura foi com Ubiratan Carlos Gomes, que além de músico trabalha com teatro de bonecos e é uma das referências no marionetismo. Sua presença não estava confirmada, mas ele compareceu e abriu o show em grande estilo, apenas aguçando o que estava por vir.
Sob os aplausos do grande público que se fez presente no Clube, eis que surge a cantora Consuelo de Paula, que de saída fez uma grande performance apenas com a voz e as mãos, para em seguida tocar bumbo leguero e, com sua voz, dominar de vez a plateia. Quando se sentou e pegou o violão para tocar, já havia derretido os mais durões e encantado a todos, apresentando o show "O tempo e o branco".
Seu show foi um sucesso, um espetáculo e felizes foram os afortunados a estarem naquela noite no Clube Cerritense, ouvindo o ótimo som da cantora.
No Facebook pessoal, ela agradeceu o carinho e deixou a seguinte mensagem: "Enquanto olho essas fotos, me lembro do primeiro telefonema do Santana para mim, dois anos atrás, dizendo que realizaria um show meu na cidade dele. Tudo o que ouvi dele durante esses anos já teria valido a pena, mas me encontrar com ele, conhecer as lindas pessoas que o ajudam a produzir esses concertos de música de arte, abraçá-los, tomar chimarrão na mesma cuia, ouvir milongas, cantar completamente entregue para o público maravilhoso de lá, dar risadas e viver o choro na hora da despedida com o Santana... isso tudo é imensurável. Abraço imenso".
Um pouco mais sobre Consuelo de Paula:
O Tempo e o Branco: uma dança rara no colo da poesia. Em novo cd, Consuelo de Paula visita o universo poético de Cecília Meireles.
Como quem cria um pássaro inquieto, Consuelo sabe que as canções têm destino de mundo, têm sina de rio, de vento, de coisas que não param, que saem de casa para abraçar outras fronteiras e gerar novas sinfonias.
Com seu novo trabalho, “O Tempo e o Branco”, Consuelo conclui mais uma fase de sua obra autoral. Este é seu sexto registro fonográfico, mas pode ser considerado outro momento de uma única obra, uma obra que conversa entre si e com o mundo. Aqui, a poesia se revela ainda mais generosa e ousada, inaugura outros ares, propõe um novo baile.
Provocada pelo universo poético de Cecília Meireles – que aqui entra como inspiração livre –, ela constrói canções que mais uma vez surpreendem o ouvinte pela leveza quase insondável de seu lirismo; coloca sua sensibilidade própria, livre, a serviço da arte, o que acaba por lhe exigir rigoroso apuro interno para descobrir as palavras certas no momento de articular sentimentos, ritmos, tons, o claro e o escuro, a ave e o vento, a pedra e o rio, o espaço e o tempo. Cecília e Consuelo, duas experiências distintas e em cada uma delas se detecta a mesma obsessão: a de escavar o verso e, com ele, incitar o vício sadio e necessário da emoção.
O cd “O Tempo e o Branco” traz treze letras, duas melodias de Consuelo e onze melodias de Rubens Nogueira (1959-2012), e encerra a rica parceria entre esses dois artistas, parceria essa que marca a música contemporânea brasileira.
O equilíbrio perfeito desse cd chega com a escolha dos instrumentos: acordeom e viola.
Versos cheios de asas encontram pouso nas teclas pretas e brancas do acordeom; melodias que parecem rios encontram terra no som da viola; a voz precisa, plena e inexplicável de Consuelo passeia pelos arranjos com as belas harmonias assinadas por Toninho Ferragutti e Neymar Dias. O resultado é uma obra impecável. Os ritmos parecem soar de um baile iniciado no centro do Brasil rumo às fronteiras, passando por terras, serras, cordilheiras, rios, atravessando mares, fazendo árvores e tecendo um bordado que é único e iniciado em Samba, Seresta e Baião, seguido por Tambor e Flor, Dança das Rosas, Casa e Negra.
Em “O Tempo e o Branco” seu estilo e sua forma de expressão são mais uma vez reveladores da sua exigência e despojamento humanos: “deixarei poesia pra Antônio e Maria/ testamento de artista escrito com sonhos/ deixarei passagens pra becos e lagos [...] e vou morrer de cantar/ morrer de cantar!”. Esse é o legado de alguém que se dedica com orgulho e paixão à sua sina de artista, mesmo quando esta se apresenta com a aspereza de “uma fruta agreste/ [como uma] palavra amarga”, pois Consuelo não faz da arte mera profissão, ao contrário, traz estampada no rosto, nas marcas do corpo, na excepcional consciência de si. E é como uma prisioneira da arte que ela traduz vivências, lembranças, acontecimentos, sensações, e transforma a banalidade da vida em extraordinária experiência: “um barco eu fiz/ um barco em flor/ no meio da imensidão/ [...] há tanto mar desconhecido em meu coração/ essa canção é só pra gente sempre se encontrar”. “O Tempo e o Branco”: um CD para se ouvir um milhão de vezes e ainda descobrir novos mistérios a cada audição. “O Tempo e o Branco”: o poema-canção como um antídoto em um mundo que caminha entre desertos.
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