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Cultura e Turismo

15-05-2015

Carnaval de Rua de Morro Redondo  marcou época


Foto: Divulgação Carnaval teve início na década de 70 no município

A história do Carnaval de Morro Redondo começou com seu idealizador, Elpidio Gonçalves da Silva. Ele morava na colônia Passo do Valdez e, em 1961, mudou-se para a Vila Fiss, na antiga rua São Pedro (hoje rua das Extremosas). Silva gostava muito e acompanhava os grandes carnavais pelo rádio, conhecendo bem a festa de Pelotas (considerado um dos melhores carnavais do interior do Estado na época). 


O carnaval de Morro Redondo surgiu no inicio da década de 70, quando Silva convidou alguns amigos e vizinhos para fazerem um pequeno carnaval de rua. Conforme relato de seu filho, Paulo Jorge, o pai, cerca de três meses antes do início de cada Carnaval, parava tudo (ele trabalhava como autônomo), e se dedicava a reforma dos bichos. Depois, cravava postes com grandes painéis com desenhos de mascarados e palhaços, onde eram instaladas as fiações com lâmpadas ao longo do percurso do Carnaval.



Um dos melhores momentos era a participação dos mascarados. As pessoas se fantasiavam e brincavam pulando e mexendo com o público. Os que iam para assistir ficavam curiosos para descobrir a identidade dos mascarados (todos se conheciam).


“Um senhor chamado José Miguens, que era muito amigo de meu pai, proprietário da casa Miguens, em Pelotas, doava retalhos de tecidos e outros aviamentos que eram utilizados na confecção das roupas e alegorias do Carnaval”, conta Paulo Jorge.  “A Sub Prefeitura de Morro Redondo tinha somente um Jipe na época, cujo motorista era meu cunhado, Rubens Schiavon. Este carro era o carro oficial, e servia também como ambulância e viatura policial. Durante o Carnaval, buscava-se com esse veículo os músicos que moravam longe e alguns poucos brigadianos que faziam a segurança.”


Boi Salino é o personagem mais lembrado


A primeira coisa que Elpidio Silva fez no começo do Carnaval de Morro Redondo foi providenciar material para a construção do personagem mais lembrado, o Boi Salino (um boi feito de taquara e tecido), que era conduzido por um homem que perseguia foliões durante o desfile. Com o passar dos anos, ele ganhou a companhia do petiço e da girafa.


Para dar mais destaque, eles possuíam a composição de vários integrantes que formavam a bateria que era acompanhada de gaita e de sopro. Havia, ainda, o caminhão enfeitado para o desfile, que carregava a rainha do Carnaval, chamada Suleni. A ideia do Carnaval se espalhava pela cidade rapidamente e ganhava a cada ano mais participação de pessoas da comunidade. 


Curiosidades 


Uma costureira conhecida como Nininha fez a capa da primeira rainha.


Helmuth Stein era o dono do caminhão que era enfeitado para o desfile da rainha.


História


O primeiro desfile começou no início da rua São Pedro e retornou subindo e descendo a rua. Nos anos seguintes, o Carnaval cresceu e foi ganhando novos integrantes. O percurso do desfile já era maior, indo do fim da Vila Fiss até os Fiss e, mais tarde, até os Müller.


Outro ponto marcante é que após o desfile os envolvidos voltavam até o salão de Reinaldo Piske, onde era feito o baile de Carnaval com a escolha da corte, rainha, primeira e segunda princesas e madrinha de bateria.


Em 1975, o bloco burlesco colonial de Morro Redondo, representado pelo presidente Elpídio Silva, já passava de 100 componentes, conforme documentação que foi enviada ao chefe da Censura Federal, órgão vinculado a Polícia Federal, no dia 24 de novembro de 1975. 


Este trabalho de pesquisa e de informações foi uma atividade realizada pelos alunos dos 5º anos do Colégio Estadual Nosso Senhor do Bonfim durante os anos de 2014 e 2015, sob coordenação da professora Rutilde Krüger Feldens. O documento registra o resgate da história da festa popular mais importante do município e que deixa saudades.


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