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18-09-2015

A tomada de Porto Alegre e a eclosão da Revolução Farroupilha


Foto: Reprodução/Internet Imagem mostra Porto Alegre tomada pelos farrapos

No dia 20 de setembro de 2015, completarão exatos 180 anos da tomada de Porto Alegre pelos revolucionários que deram início a um movimento que duraria dez anos, sendo marcado pela morte de milhares de farrapos e legalistas. 


A Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, como também ficou conhecida, foi motivada por diversos fatores, incluindo o alto preço de impostos sobre produtos produzidos na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul.



Insatisfeitos pelas cobranças indevidas e pelos presidentes da província não serem gaúchos e desse modo não importarem-se com o futuro do Rio Grande do Sul, um grupo de estancieiros optou pelo ato que daria início a Revolução.


Cerca de 200 homens comandados por Bento Gonçalves da Silva, Onófre Pires e José Gomes de Vasconcelos Jardim rumaram de Pedras Brancas (atual município de Guaíba) em direção a Porto Alegre, tomando a cidade. Contam livros que Bento Gonçalves e Gomes Jardim entraram triunfantes em Porto Alegre, após o presidente da província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga, fugir de navio para Rio Grande.


O que muitos não sabem é que o real motivo da tomada da capital não era a formação de um novo país, mas sim que o Império respeitasse e desse valor ao Rio Grande do Sul.


Essa posição fica evidenciada numa carta enviada por Bento Gonçalves ao regente do Império, Diogo Feijó, no qual ele esclarece que depôs o presidente Fernandes Braga e conclama condições mais dignadas para o Rio Grande do Sul.


"Senhor. Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador Braga e entreguei o governo ao seu substituto legal, Marciano Ribeiro. E, em nome do Rio Grande, eu lhe digo que, nesta província extrema, afastada dos corrilhos e conveniências da Corte, dos rapapés e salamaleques, não toleramos imposições humilhantes, nem insultos de qualquer espécie. O pampeiro destas paragens tempera o sangue rio-grandense de modo diferente de certa gente que por aí. 


Nós, rio-grandenses, preferimos a morte, no campo áspero da batalha, às humilhações nas saias blandiciosas do Paço do Rio de Janeiro. O Rio Grande é a sentinela do Brasil, que olha vigilante para o Rio da Prata. Merece, pois, mais consideração e respeito. Não pode nem deve ser oprimido por déspotas de fancaria. 


Exigimos que o governo imperial nos dê um governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, pelo nosso progresso, pela nossa dignidade, ou nos separaremos do centro e, com a espada na mão, saberemos morrer com honra ou viver com liberdade. 


É preciso que V.S. saiba, Sr. Regente, que é obra difícil, senão impossível, escravizar o Rio Grande, impondo-lhe governadores despóticos e tirânicos. Em nome do Rio Grande, como brasileiro, eu lhe digo, Sr. Regente, reflita bem, antes de responder, porque da sua resposta depende talvez o sossego do Brasil. Dela resultará a satisfação dos justos desejos de um punhado de brasileiros que defendeu, contra a veracidade espanhola, uma nesga fecunda da pátria, e dela também poderá resultar uma província ou a formação de um Estado novo dentro do Brasil". Bento Gonçalves


Contudo, a resposta do Império foram atos de represália aos farrapos, que decidiram seguir guerreando pela liberdade, igualdade e fraternidade, ideais trazidos da Revolução Francesa (1789 a 1799).


Em 10 de setembro de 1836, a célebre vitória na Batalha do Seival ensejou a proclamação da Independência da República Rio-grandense, feita pelo então coronel Antônio de Souza Neto, a 11 de setembro de 1836, com o sublime discurso:


"Bravos Companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria!


Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais de nossa Província, faz derramar, sem piedade o sangue de nossos Compatriotas, para deste modo fazê-la presa de suas vistas ambiciosas, Miseráveis! Todas as vezes que seus vis satélites se têm apresentado diante das forças Livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais.


São sem número as injustiças feitas pelo governo, seu despotismo é o mais atroz e sofremos calados tanta infâmia? Não, nossos Companheiros, os Rio-grandenses, estão dispostos, como nós, a não sofrer por mais tempo a prepotência de um governo tirânico, arbitrário e cruel, como o atual em todos os ângulos da Província não soa outro eco que o de Independência, República, Liberdade ou Morte este eco, Majestoso, que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens Livres, me faz declarar que Proclamemos a nossa Independência Provincial, para o que nos dão bastante direito nossos trabalhos pela liberdade, e o triunfo que ontem obtivemos, sobre esses miseráveis escravos do poder absoluto.


Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a Independência desta Província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um Estado Livre e Independente, com o título de República Rio-grandense e cujo manifesto às nações civilizadas, se fará competentemente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: VIVA A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE! VIVA A INDEPENDÊNCIA! VIVA O EXÉRCITO REPUBLICANO RIO-GRANDENSE”


Campo dos Menezes, 11 de Setembro de 1836 – Antônio de Souza Netto, Coronel Comandante da 1ªBrigada de Cavalaria


A partir desse momento, a Revolução ganhou status de guerra, sendo disputada entre dois países: Brasil e Rio Grande do Sul. No entanto, a emancipação do Rio Grande do Sul durou menos que um decênio.


Foi no atual município de Dom Pedrito que em 25 de fevereiro de 1845 foi assinado o tratado de paz, também conhecido como Tratado de Ponche Verde. Ele garantiu anistia para os republicanos e impunha várias condições que foram acatadas pelo Império Brasileiro.


Por fim, vale transcrever a célebre frase do advogado, político e diplomata brasileiro Oswaldo Aranha:  “Quem quiser escrever a história do Brasil tem que molhar a pena no sangue do Rio Grande”.


Redator: Tradição Regional



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