S�bado, 27 de junho de 2026, 22:43h
Home Cultura e turismo
Caroline exibe os prendados que já representou: 1ª Prenda Juvenil do CTG Os Teatinos (2006-2007); 2ª Prenda Juvenil da 6ª Região Tradicionalista (2007-2008); 1ª Prenda Juvenil do CCN Sentinela do Rio Grande (2008-2009); 1ª Prenda Juvenil da 6ª Região Trad
“Eu realmente devo ao Movimento Tradicionalista Gaúcho boa parte do que sou, penso e acredito”. É assim que Caroline Castanha de Avila de Lemos define sua vida em meio às tradições gaúchas. A frase representa a bagagem um tanto incomum para uma jovem de apenas 20 anos. Caroline, que nasceu em Rio Grande e mora em Pelotas, divide seu tempo entre faculdade, estágio e os compromissos de uma conquista atemporal: ela é a 1ª Prenda do Rio Grande do Sul - Gestão 2014/2015.
Em entrevista ao Jornal Tradição Regional, a estudante de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) falou sobre sua trajetória diante do tradicionalismo, que por sinal teve início bem antes de seu nascimento. “Meus pais se conheceram na invernada artística do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Farroupilha, de Rio Grande. Lá eles começaram a namorar, noivaram e casaram, mas com a chegada dos filhos se afastaram”, conta.
Com 11 anos, Caroline e seu irmão foram convidados a participar das invernadas artísticas do CTG Os Teatinos. Apesar da inexperiência, a jovem conquistou o título de 1ª Prenda Juvenil do CTG (2006-2007), marcando o início de sua participação ativa no Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) como prenda titulada, tendo conquistado faixas em todos os anos até então, totalizando doze títulos entre CTG, Região, Estado e Mais Prendada Prenda. Em agosto de 2016, Caroline completará 10 anos de tradicionalismo.
Dentre suas titulações, a riograndina destaca especialmente duas conquistas: 2ª Prenda Juvenil da 6ª Região Tradicionalista (2011-2012) e a de 1ª Prenda do Rio Grande do Sul. “A primeira, pois com ela tive a oportunidade de me dedicar e conhecer o MTG, seus ideais, sua organização e os tradicionalistas em geral. A segunda, por ser a conquista que busquei por oito anos, por ter sido o ano mais maravilhoso da minha vida. Ser prenda do Estado foi um sonho além do que eu esperava”, confessa.
Para a Ciranda na fase Estadual, Caroline realizou estudos, projetos, participou de eventos e, além disso, precisou se dedicar à vida acadêmica. “Durante as férias, minha jornada de estudos para o concurso era de nove horas diárias, revezando os livros e estudando sempre em conjunto com minha mãe, que poderia tranquilamente realizar a prova escrita”, brinca.
Ao longo da gestão como 1ª Prenda do RS, a jovem trabalhava pela manhã, estudava à noite e viajava aos fins de semana. Caroline passou por mais de 50 cidades, inclusive fora do Estado, sempre acompanhada dos pais, que se revezavam para acompanhá-la. Ela faz um balanço dessa vivência: “Conheci muitas pessoas e exercitei minha fala e as relações pessoais, o que auxilia muito na minha escolha profissional”. A maturidade também floresceu ao longo do tempo. “O prendado me fez crescer e amadurecer muito. A menina que assumiu o título em maio de 2014, deu lugar a uma mulher bem mais madura, responsável, paciente e decidida que entregou um prendado com sentimento de dever cumprido em maio de 2015”, avalia.
De tudo que passou, Caroline destaca as palestras e os eventos, onde pôde estar ao lado de tradicionalistas de todas as cidades e, segundo ela, aprendeu e conheceu muito mais o Estado, fez amigos e descobriu a importância de manter viva a tradição. Durante o prendado, ela também fez questão de quebrar alguns tabus. “Me dediquei a conhecer todas as 30 Regiões Tradicionalistas e em cada uma delas fiz questão de mostrar que prendas não são objetos a serem glorificados que as pessoas não podem conversar ou tocar. Pelo contrário, quis mostrar que a prenda é uma mulher simples, educada e que escolhe ser prenda pelo tradicionalismo, e não pelo dito “luxo” de ser prenda estadual. Escolhemos viver a tradição e trabalhar por ela”, enfatiza.
Empoderamento feminino nas tradições gaúchas
Para falar sobre a presença feminina no meio tradicionalista, Caroline faz um resgate histórico. Ela explica que a mulher faz parte do movimento desde os seus primeiros anos, quando foi criada uma invernada de prendas para que as jovens cultivassem as tradições no 35º Centro de Tradições Gaúchas, o primeiro CTG do mundo, fundado em 1948, em Porto Alegre. Em 2012, pela primeira vez, uma mulher assumiu o 35 CTG, a senhora Márcia Borges.
“Hoje, a mulher deixou de ser apenas a prenda titulada ou a esposa do patrão para assumir os mesmos cargos e responsabilidades dos homens, sendo tratadas, em sua grande maioria, com igualdade”, afirma. Caroline foi, durante o último ano, o principal exemplo para muitas prendas e por ainda ser vista da mesma forma, ela declara: “As mulheres são como as flores que perfumam o MTG e, mais do que isso, são pessoas de fibra, coragem e força, que tem garra suficiente para levar a frente o movimento, sem perder a delicadeza e a beleza de mulher gaúcha”.
A jovem diz que em seu prendado sempre falou da relevância da mulher, tanto para o MTG, quanto para a sociedade em geral, além de mostrar o valor real de ser prenda e de sua representatividade. “Para mim, são inúmeros os exemplos femininos que devem ser seguidos, sejam de garra, pulso firme, delicadeza, persistência e organização. Existem várias mulheres tradicionalistas anônimas inspiradoras, espalhadas pelo RS e fora dele. Elas se encontram desde a cozinha até o posto de patroa e coordenadora, e espero que um dia esteja uma mulher à frente de todo tradicionalismo, no posto de presidente do MTG”.
Ao final de sua retrospectiva tradicionalista, Caroline Lemos reforça a importância de cada conversa, cada evento e cada momento que lhe proporcionou diferentes aprendizados, já que segundo ela “o conjunto de nove anos de tradicionalismo formou uma Caroline que jamais existiria sem a intervenção da tradição gaúcha”. Seu orgulho em ser gaúcha foi devidamente redobrado após a inserção no mundo tradicionalista. Ela ressalta ainda o sentimento de dar continuidade à tradição e a satisfação pessoal diante disso. “Hoje, sou realizada, por ser prenda, por ser gaúcha, por ser mulher, por ser eu mesma. Definitivamente, o MTG me deu a oportunidade de ter orgulho das coisas que escolho, das coisas que faço e de ser quem sou”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados