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Cultura e Turismo

16-10-2015

Apesar de imperfeito, A Travessia acerta ao provocar mesmas sensações de seu protagonista


Foto: Reprodução Joseph Gordon-Levitt em cena de A Travessia

Filme narra a história real da ousada travessia de um equilibrista entre as Torrês Gêmeas 


Em agosto de 1974, a população da cidade de Nova York ficou atônita ao ver um homem atravessando, em uma corda bamba, os dois prédios do Word Trade Center. O autor da façanha era o equilibrista francês Philippe Petit, que entrou ilegalmente nos prédios e realizou a travessia durante cerca de 45 minutos sem nenhum cabo de segurança. A história agora pode ser conferida por Pelotas e região através do filme A Travessia (2015), em cartaz no Cineflix do Shopping Pelotas.



Muitos questionaram qual a necessidade de realizar um novo filme sobre o fato após o excelente documentário O Equilibrista (2009), repleto de depoimentos de Petit e dos amigos que o ajudaram a atravessar as Torres Gêmeas. No entanto, a escolha por narrar novamente o feito do artista, agora em filme ficcional e na pele de Joseph Gordon-Levitt, se mostra acertada. Embora imperfeito e muitas vezes pobre narrativamente, o filme de Robert Zemeckis (conhecido por Forrest Gump e De Volta Para o Futuro) é um espetáculo visual de primeira grandeza, orquestrado cuidadosamente por um maestro que tem a preocupação de inserir o expectador dentro das peripécias de Petit. Além disso, Levitt acerta no sotaque francês do personagem e também consegue demonstrar com verdade e honestidade o quanto o equilibrista amava o que fazia e enxergava na travessia, mais que um ato ilegal, uma prova de amor a sua própria arte. Seu relacionamento com a namorada, que testemunha o descontrole de Petit, que toma a mesma medida de sua obsessão para atravessar o Word Trade Center, é outro ponto de destaque, dando alguma dimensão para personagens e situações que, na maioria das vezes, são rasas, frisadas por uma narração de Petit, na Estátua da Liberdade, absolutamente redundante e repetitiva. 


Esse, talvez, seja justamente o calcanhar de Aquiles da produção que, felizmente, compensa através da direção precisa de Zemeckis, da direção de arte que recoloca os dois prédios, derrubados em ataque terrorista em 2001, na cidade norte americana, e dos efeitos visuais em conjunto com a tecnologia 3D, capaz de causar vertigem durante a cena da travessia, definitivamente o ponto alto do filme. Essa cena, também, é o melhor exemplo da necessidade de haver este filme. Se o documentário de 2009 fez o expectador entender as motivações de Petit, A Travessia o coloca no centro da ação, o fazendo ter as sensações que o grupo teve ao se arriscar de tal forma. Porque A Travessia é justamente isso, um filme de sensações, que aceita suas imperfeições e, exatamente por isso, funciona tão bem. 


Redator: Tradição Regional



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