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Cultura e Turismo

26-02-2016

Especial: Festival Terra & Cor da Canção Nativa chega à sua vigésima edição com retrospectiva especial


Foto: Rodrigo Netto Fininho é vocalista do Alma de Campo, grupo que interpretará músicas que já passaram pelo palco do Terra & Cor

A música nativista, termo utilizado no estudo da música sul-rio-grandense, alia-se à música tradicional pelos diversos gêneros musicais que caracterizam a música gaúcha, esta surgida na cultura popular do Cone Sul - Argentina, Uruguai, parte do Paraguai e extremo sul do Brasil. O nativismo tem como temas principais o amor pelas tradições presentes no ente folclórico gaúcho como o campo, os valores e a culinária regional.


Em 1971, surgiu em Uruguaiana a Califórnia da Canção Nativa, festival considerado a “mãe” dos eventos nativistas. Os festivais se multiplicaram pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, como uma forma de incentivar a produção de novas músicas, valorizar artistas já renomados ao lado de iniciantes - reunidos pelo mesmo propósito -, e reverenciar as tradições perante o nativismo.



O Festival Terra & Cor da Canção Nativa de Pedro Osório cumpre seu papel em meio à agenda de festivais do Estado, tornando-se tradicional e estimado por músicos e pela população em geral. Neste ano, o Festival chega à sua 20ª edição, o que atribui um clima especial ao evento.


Fazendo parte da comissão organizadora está Pablo Halfen Fernandes, que é diretor municipal de cultura há quase três anos e faz questão de enfatizar a posição importante do Terra & Cor ao lado de outros festivais já reconhecidos no RS, como o Reponte da Canção, de São Lourenço do Sul. “O Festival é de muita valia cultural e turística para o município. Muitas pessoas conhecem Pedro Osório em função dele, então foi uma busca incessante da administração municipal, antes mesmo que eu assumisse esse posto, em concretizar mais uma vez a realização do evento”, diz.


Sendo um Festival de músicas inéditas, Fernandes acredita que esse fator estimula os artistas a trabalhar em canções que valorizem a cultura gaúcha e latina. “Temos a participação de pessoas de lugares muito distantes. Músicos com raízes gaúchas, mas com detalhes diferentes, das cidades de Porto Xavier, Santana do Livramento e até do estado de Santa Catarina”.


No dia 17 deste mês foi realizada a triagem das obras para a edição deste ano do Festival. Foram 169 músicas inscritas enviadas das mais diversas cidades do Estado, tais como Bagé, Santa Maria e Santana do Livramento. No total, serão 12 músicas, duas irão concorrer na fase local e dez na estadual. Elas foram selecionadas pela comissão julgadora composta por José Carlos Batista de Deus e Cristiano Quevedo, que fará o show de abertura da noite. De acordo com a ordem de apresentação, a sexta e a décima primeira composição serão locais.


O XX Festival Terra & Cor da Canção Nativa acontece na noite de sábado (27), a partir das 20h, no palco 1 do Parque do Sindicato Rural. Após as apresentações das concorrentes, a comissão julgadora, formada por José Carlos Batista de Deus, Cristiano Quevedo e Zé Nunes, se reúne para classificar as vencedoras.


Neste ano, a ajuda de custo fornecida aos músicos será no valor de R$ 1 mil. Já a premiação em dinheiro contemplará as músicas que ficarem em 1º lugar, 2º lugar e “Música Mais Popular”.


Com a chegada em uma edição tão simbólica, alguns músicos da cidade colocarão em prática uma retrospectiva que, para aqueles que mantêm as lembranças de edições anteriores, será memorável: eles apresentarão algumas das músicas que marcaram as 20 edições do Terra & Cor. Há ainda um trabalho de resgate de cartazes, vinis, troféus e demais materiais relacionados aos anos de Festival para serem expostos através de um telão de imagens durante o sábado.


Luiz Henrique Souza, mais conhecido como Fininho, tem 23 anos, é natural de Pedro Osório,estudante de arquitetura e urbanismo na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), agente comunitário de saúde no município e vocalista do grupo pedroosoriense Alma de Campo, que irá interpretar as canções da retrospectiva.


Para Fininho, o Festival é uma verdadeira referência, sobretudo para aqueles que admiram a música local. “A gente aprende a gostar da nossa cultura por conta do Terra & Cor. Então, interpretar essas músicas significa refrescar a memória dos mais velhos e incentivar e apresentar esse Festival aos mais novos”, afirma.


O quarteto Alma de Campo, além de Fininho na voz, conta com os músicos Murilo Quevedo, Rafael Quevedo e Wagner Barbosa nos violões. Com um repertório 100% Terra & Cor, o grupo pretende manter sua linha musical, fazendo o resgate também a partir de novas versões das músicas e levando até à população da região o que é, de fato, o Festival. “A partir dessas referências queremos mostrar que o Terra & Cor é um berço de cultura por aqui. Ele proporciona a relação entre os músicos e serve de vitrine para todos eles, por isso precisamos passar adiante essa herança”, enfatiza Fininho, adiantando que as canções, além de interpretadas, terão suas histórias contadas ao público, como por exemplo em qual edição passou pelo Terra & Cor e quais foram seus compositores


Músicas classificadas para o XX Festival Terra e Cor da Canção Nativa


Fase estadual:
Toco a Vida - Juan Daniel Isernhagem e Lucas Mendes
Baile do Saracura - Jaime Brum Carlos e Frutuoso e Diego Araújo
Japecanga - Filipe Corso e Rafael Ferreira
Tropel de Guerra - Giovani González “Dôdo” e Gaspar Silva
Tranco Largo - Deivid Damaceno, Luiz Fernando Bender, Alexandre Taveira e Maicon Paiva
Coplas de Bronze - Giovani González “Dôdo” e Régis dos Reis
Visagens do Coração - Gilberto Trindade e Halber Lopes
Quando o Campo Se Faz Canção - Jayme Brum Carlos, Rômulo Chaves e Adão Quevedo
Oração em Poema - Leonardo Fagundes e Nilton Jr. da Silveira
Chimarrete - Diego Müller, José Atanásio Pinho e Cristiano Cesarino


Fase local:
De um Neto Pra o Avô - Deivid Damaceno e Marcel Anguinoni
Quando se Planta um Querer Pra Toda Vida - Mateus Ávila Maykel Paiva


Redator: Tradição Regional



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