Quinta, 25 de junho de 2026, 18:02h
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Ovos, normalmente de galinha, são decorados e preenchidos com amendoim doce para presentear na Páscoa
Costume trazido pelos imigrantes alemães se mantém até hoje carregado de memórias e simbolismos de fé
Todo município que possui uma forte colonização costuma guardar traços da história e de costumes que resistem ao tempo, normalmente carregados de memórias e simbolismos. Em São Lourenço do Sul, colonizado por alemães/pomeranos, é claro que isso não seria diferente e dentre as muitas tradições perpetuadas através dos tempos, está o ovo decorado, muito comum na Páscoa.
Trata-se de uma arte simples, mas muito presente na cultura local. A base do ovo, normalmente de galinha - mas também de pato e ganso -, é quebrada para que fique apenas uma pequena abertura. A casquinha então é decorada com diferentes técnicas e costuma ser preenchida com amendoim doce. Depois, a pequena abertura é fechada com papel.
Presentear as pessoas com ovos de páscoa é costume em muitos países. O ovo é um símbolo de fertilidade, vida nova, ou seja, representa a ressureição de Jesus Cristo. No Brasil, a tradição dos ovos de Páscoa foi trazida por imigrantes alemães e assim chegou também em São Lourenço do Sul. A tradição em países como Alemanha, Polônia e Ucrânia era colorir ovos de galinha cozidos. Eles eram servidos no café da manhã do sábado ou domingo de Páscoa ou então utilizados como presentes, um trabalho que costumava ser cheio de carinho e memórias.
Viva com o passar dos tempos, a arte cheia de tradição é mantida por muitos. Dulce Holz tem por costume fazer os ovos para presentear na Páscoa. “Trago isso de berço. Minha mãe fazia e, por tradição e em memória dela, eu continuo fazendo. É uma herança dos nossos antepassados”, conta ela, lembrando-se de sua infância: “A mãe fazia escondida. Ela inventava histórias e escondia os ovos no jardim para procurarmos nas flores. Era uma alegria que eu nem consigo explicar. São as melhores lembranças e estas fantasias precisam fazer parte da infância”, recorda.
Por costume, Dulce mantém a decoração dos ovos com a tinta do papel crepom que, por ser molhado, transfere a cor para a casca. Mas hoje, existem várias decorações diferenciadas e ovos transformados em verdadeiras obras de arte.
Ela também mantém a tradição por ser cheia de simbolismos religiosos. Dulce lembra que na Europa, onde nasceu essa tradição e todas as outras ligadas à data, a Páscoa acontece no final do inverno, quando os coelhos saem das tocas. Por serem animais de muita fertilidade e alta reprodução, são símbolos de vida, daí o coelho da Páscoa, em uma representação de vida nova, com a ressureição de Cristo. “O ovo tem o mesmo sentido, ao romper-se a casca nasce uma nova vida”, destaca Dulce, lembrado que apesar de uma criação humana, estes símbolos são extremamente ligados à religiosidade dos povos que colonizaram a região de São Lourenço do Sul e que se espalharam pelo mundo. “O doce colocado dentro destes ovos, essa questão toda do doce na Páscoa, também tem esse sentido, o sabor doce da vida nova”, reflete.
Redator: Tradição Regional
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