Quinta, 25 de junho de 2026, 18:02h
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Fernanda Ribeiro Giorgi reúne nos projetos Segunda Chance e Saudáveis Gordices a satisfação em cozinhar e o amor pelos animais
Para uns, a Páscoa pode ser sinônimo de cumplicidade, fraternidade e troca de agrados - na simbologia dos tradicionais chocolates e ovos decorados. Para outros, trata-se de um momento de reunir esforços e trabalhar em dobro. Mas por quê? Porque enquanto alguns passam pela data em meio aos momentos de descanso e/ou reflexão, outros enxergam em festividades como essa uma oportunidade de girar capital. E quando esse capital possui um destino diferente dos demais parece que retornamos ao sentimento fraterno inicial.
Fernanda Ribeiro Giorgi, de 37 anos, é educadora física, mas divide sua rotina de trabalho como personal trainer com outras duas atividades que se complementam: a produção de doces e salgados veganos, e as ações como protetora dos animais.
A pelotense, que começou a se relacionar com o mundo do protecionismo animal quando ainda morava em Rio Grande, assumiu seu ativismo no mesmo momento em que se tornou vegana - uma pessoa que além de não consumir produtos de origem animal, como carnes e laticínios, também se preocupa em evitar qualquer outro tipo de prática que envolva o sofrimento animal, por ética, conscientização ambiental, dentre outros motivos.
Quando migrou para Pelotas, Fernanda se tornou membro do grupo de ativismo a nível nacional Onca - Defesa animal. Além disso, sua proximidade com a gastronomia que já era natural ganhou um tempero diferente: as descobertas da culinária vegana. Foi assim que em 2013 Fernanda criou seu projeto chamado Saudáveis Gordices e no Natal do mesmo ano começou a produzir e comercializar doces e salgados por encomenda.
Em 2014, a produção que era realizada apenas para eventos e aos finais de semana sofreu um hiato, devido a problemas pessoais e familiares. No entanto, há três meses ela retornou com força total para o mundo da culinária.
Uma verdadeira Segunda Chance aos bichanos
Além de abastecer um mercado ainda muito defasado, Fernanda mantém o Saudáveis Gordices sob dois focos de trabalho. O primeiro trata de passar adiante a mensagem do veganismo - em benefício dos animais, de pessoas desse mesmo movimento e atingindo inclusive aqueles que possuem intolerâncias alimentares -, e o segundo trilha um caminho semelhante: divulgar e custear a existência do Projeto Segunda Chance.
Criado há 15 anos por Fernanda, o projeto surgiu quando a educadora física começou a se deparar com animais que precisavam ser resgatados das ruas. Diante da situação precária de abandono de cães e gatos na cidade, ela enxergou no Segunda Chance - que explica seu nome por si só - a oportunidade de resgatar esses animais, no geral sempre mais “idosos” e com problemas mais graves de saúde, e juntar forças com outras protetoras.
Ao ser resgatado, um animal precisa passar por cuidados veterinários, ser castrado - se for o caso – e possuir um lar temporário até ser adotado definitivamente. E Fernanda acompanha todo esse processo. “Eu faço início, meio e fim. Entro em contato frequentemente com pessoas que já adotaram esses animais, preencho termo de adoção e sempre dou assistência”, explica.
Além do Saudáveis Gordices, ela também confecciona camisetas - com o apoio criativo de um designer responsável pela identidade visual - para custear os resgates. “É um trabalho sem fim. Mas todo mundo pode ajudar e fazer alguma coisa. Doando dinheiro, ou ajudando presencialmente nos resgates, ou até mesmo compartilhando as informações no Facebook”, analisa.
Hoje em dia, são 47 animais sob tutela do Segunda Chance. Destes, 22 estão com Fernanda e os outros em hospedagens, petshops e clínicas, conforme for o caso. Todas as despesas são custeadas por Fernanda, seu projeto paralelo e por meio de apoios e doações.
Em outubro de 2015, ela organizou o primeiro evento do projeto: Jogos do Segunda Chance, que levavam à comunidade além da feira de adoção, outros serviços como oficina de culinária vegana, rodas de conversas sobre câncer de mama, zoonoses*, dentre outros. “Eu fiz um evento multidisciplinar porque não adianta apenas a feira. Acho que informação é a base de tudo. Tu tem que levar informação para quem adota e para quem já possui um bichinho. Pode mostrar que é possível ajudar qualquer animal de rua, pode servir de lar temporário ou se resgatou um animal da rua pode entrar em contato que nós conseguimos um veterinário por um valor menor. Muita gente nem sabe disso e nessa história todos saem ganhando”, diz.
Após a realização de mais dois eventos, Fernanda possui dois projetos ainda em fase de articulação: um trabalho em escolas para a conscientização infantil sobre cuidados com animais e a realização de atividades que unam proteção aos animais e a prática de esportes.
No dia 3 de abril, na Estação Férrea de Pelotas, o Segunda Chance estará presente no evento 1º Pet Stop, com realização da VetCard Sul, que promoverá feiras de adoção e divulgará o trabalho de protetores da cidade. “Ainda assim, sempre falta um local e uma atenção maior para os projetos que nós, que trabalhamos com a proteção animal, queremos mostrar”.
O projeto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pró-Bicho, a SOS Animais, a Pet Urbano e a Casa dos Bichos são alguns dos parceiros do Segunda Chance.
Páscoa
Época de alavancar as produções artesanais do Saudáveis Gordices, Fernanda encerrou o recebimento dos pedidos para a data no dia 11 de março. Esse é o segundo ano consecutivo no qual ela prepara doces para a festividade e as entregas pré-Páscoa já iniciaram.
Reflexo da praticidade dos tempos modernos, mais uma vez, a sensação da Páscoa são os ovos de colher. Confeccionados para serem vendidos em embalagens transparentes acompanhados de uma colher - trabalhando também o apelo visual - os ovos são produzidos “pela metade”, com um dos lados do ovo recebendo recheios de diferentes sabores.
Neste ano, Fernanda recebeu encomendas de 83 miniovos, 200 bombons, 45 ovos grandes e dois “Bolos de Vó”, incluindo uma criação na linha diet. “O mais curioso é que a grande maioria das pessoas que encomendam meus produtos não são veganas e elas sempre dizem ‘nossa como pode algo não conter ingredientes de origem animal e ser tão bom’, chega a ser engraçado”, brinca.
Ovo em formato de coração com duplo recheio de mousse com beijinho, ovo recheado com bolo - o Bolovo de Páscoa, Bolo de Vó recheado ou apenas com cobertura, brigadeiro de café, cereja, prestígio, cajuzinho com amendoim ou goiabada, beijinho de coco ou cereja, e Mousse de chocolate. Essas são algumas das delícias preparadas não apenas para a Páscoa, mas também por encomenda durante todo o ano, ao lado dos salgados para festas.
O Bolo de Vó, por exemplo, agora pode ser encontrado no Art Café Brasil, na Galeria Firenze, em Pelotas.
É a gastronomia propagando ações que beneficiam, de inúmeras formas, os eternos companheiros da raça humana.
*Zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre os animais vertebrados e o homem.
Redator: Tradição Regional
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