Quarta, 24 de junho de 2026, 23:44h
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Marcelo Leal e César Sias trabalham na produção dos doces e visitantes da Feira podem conhecer o método de produção
A fábrica de doces Dona Zilda, especializada em doces cristalizados, está localizada no centro da Cidade do Doce
Quem caminha pela Fenadoce se depara com doceiros trabalhando no centro da chamada Cidade do Doce. Os grandes tachos a vapor comportam frutas que, em seguida, se tornam doces muito apreciados na região. A fábrica Dona Zilda, especializada em doces cristalizados, está instalada no local para que os visitantes da Feira possam conhecer o método de produção e comprar assim que o produto estiver pronto.
A mulher que originou e deu nome à fábrica, conhecida como dona Zilda, começou a produzir doces em 1943, na colônia Santo Amor. Um de seus filhos, César Sias, é colaborador da empresa e relata a história da produção. “Aquelas colônias precisavam se unir para sobreviver nas condições adversas. Os colonos se agrupavam, cada um produzia uma coisa, faziam escambo e acabavam sobrevivendo e formando uma renda para a família”, explica. “Descendente de alemães e italianos, minha mãe trouxe na sua bagagem cultural essa sabedoria de pegar frutas produzidas em determinada época e preservar na forma de compotas, schimiers ou doces cristalizados”, conta Sias, lembrando que ainda não havia acesso à refrigeração na época.
O tempo não mudou a forma de fazer o produto: “embora se tenha uma empresa industrial, todo o doce é feito de forma muito artesanal, seguindo a tradição”, diz Sias. Segundo ele, saber a receita não é o suficiente: são detalhes que impedem a fruta de açucarar, o cozimento adequado na calda, a quantidade de açúcar natural e de água em cada fruta, o terreno de onde a fruta foi colhida, o jeito de manusear, o ponto certo. Todos estes fatores, e outros, precisam ser atentados. Para ele, “saber usar cada detalhe dá ao produto uma qualidade final diferenciada”.
Atualmente, fazer esses doces tem um significado diferente. Aquilo que representava uma das formas de estocar alimento se tornou parte da cultura vinda da colônia e adotada por moradores de toda a região. Doces cristalizados, passas, doces em massa, schimiers, são todos vendidos para fazer parte das mesas não só de Pelotas, mas também de Porto Alegre e região Sul. A fábrica conta com aproximadamente oito funcionários produzindo durante o ano inteiro, e está com dois quiosques na Fenadoce.
Conhecimento passado adiante
O doceiro Marcelo Moreira Leal começou a trabalhar na fábrica como faxineiro e, aos poucos, foi aprendendo as técnicas doceiras com dona Zilda. “Ela me explicava quando tinha um tempo vago, e quando os doceiros tiravam férias, eu ficava no lugar. Ela tinha toda a calma. Nas primeiras vezes que fiz deu errado, mas fui insistindo, aprendendo e aprimorando”, conta. Na Fenadoce, começou como carregador de caixas, depois limpava e arrumava as frutas até que, por volta de cinco anos atrás, assumiu o posto de doceiro da fábrica. Ele ressalta que fazer o doce ao vivo na Feira é uma forma de chamar o público para comprar o produto, pois muitos optam por levar o doce após observar a produção.
Redator: Tradição Regional
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