Ter�a, 23 de junho de 2026, 11:55h
Home Cultura e turismo
A 1ª prenda Xiru, Patrícia Rodrigues, e o jornalista Bruno Farias participaram da revitalização do Museu
Em setembro, a cidade de Pelotas voltou a contar com um museu dedicado à história e aos costumes dos gaúchos. O Museu Crioulo, localizado no interior da União Gaúcha João Simões Lopes Neto, apresenta um acervo que abrange desde os tempos de escravatura até a época atual.
O jornalista, com especialização em História, Bruno Martins Farias foi convidado a participar da revitalização do Museu, e explica que este esteve fechado ao público por muitos anos. Junto a ele, também realizaram essa tarefa a 1ª prenda Xiru da União Gaúcha, Patrícia Rodrigues, a estudante de Conservação e Restauro, Aurora Farias, e o posteiro artístico Luciano Charnaud.
O acervo apresenta objetos como celas masculinas e femininas, ferro de passar antigo, espiriteira, tesoura de esquilar, diversos utensílios domésticos, facas, boleadeira, dragonas usadas pela Guarda Nacional, esculturas feitas com chifre, um osso para jogar o “jogo do osso”, entre vários outros. Um dos destaques é um pente que era usado para enfeitar o cabelo de Anita Garibaldi.
Farias contribuiu doando diversos objetos que pertenceram a seus familiares, com o intuito de mostrar o que antes ficava apenas guardado em sua casa. Nem todos os itens são antigos, mas estão lá por serem muito representativos na cultura local. “Achei interessante dar minha visão como jornalista, traduzindo para o grande público o que é mais interessante”, diz ele, que organizou os objetos de acordo com sua relevância. O jornalista é muito envolvido com a cultura gaúcha e já escreveu três livros sobre o tema. São eles “Imagens do meu Rio Grande do Sul antigo e seus vizinhos” - volumes I e II - e “Geoglifos Gaúchos”, além de “Olhares sobre Capão do Leão”, no qual é coautor.
Os objetos expostos mostram não só a parte bonita da história, mas a triste também. Um exemplo é a cangalha, que era usada para impedir os escravos de fugirem. Farias conta que as crianças costumam ser as mais interessadas no Museu, e que objetos assim são importantes “para elas verem essa parte triste da história, até porque acho que uma das funções da história é mostrar essas coisas para que nunca se repitam”.
O Museu está disponível para receber visitas durante os eventos da União Gaúcha ou através de agendamento pelo telefone (53) 3223-0269. Além do público em geral, também são bem-vindas turmas escolares. Doações de objetos são aceitas para compor o acervo.
O pioneirismo da União Gaúcha
A história da União Gaúcha João Simões Lopes Neto vem de longa data: fundada em 1899, antecedeu o movimento tradicionalista que originou os primeiros Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). Porém, esteve fechada ao público na época do Estado Novo, quando foram proibidos os movimentos culturais regionais, conforme explica Farias.
Foi reativada em 1947, junto ao movimento tradicionalista, ano em que também foi criado o Museu Crioulo.
Segundo a prenda Patrícia, hoje a União Gaúcha é considerada um CTG, apesar de manter o nome original, que homenageia seu quarto presidente. Simões Lopes Neto tinha grande preocupação em preservar a cultura gaúcha, conta Patrícia, e o fez também através da escrita, utilizando linguajar do interior em suas obras.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados