Ter�a, 23 de junho de 2026, 11:55h
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O dia em que a história deixa de ficar presa nos casarões e vai para as ruas. Assim é celebrado o Patrimônio Cultural em Pelotas (RS), desde 2013 quando a Prefeitura colocou em prática o projeto Dia do Patrimônio, inspirado na festa cívica que ocorre no Uruguai, cuja fronteira fica a cerca de 150 quilômetros de Pelotas. Esta ação é uma das vencedoras da 29ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na Categoria II - iniciativas de excelência em promoção e gestão compartilhada do Patrimônio. O secretário da Cultura de Pelotas, Giorgio Ronna, conta que os uruguaios enfeitam todos os prédios históricos, igrejas, museus e outros monumentos com bandeiras para receber a população.
Com base no exemplo uruguaio, a administração municipal decidiu, em 2013, criar uma celebração ao patrimônio pelotense. Com o apoio do consulado uruguaio, a população foi convidada a mergulhar definitivamente na educação patrimonial. Desde então, o Dia do Patrimônio é festejado no final de semana mais próximo à data nacional – 17 de agosto, dia do nascimento do primeiro presidente do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade.
Neste dia, os moradores e turistas revisitam monumentos históricos, participam de oficinas e resgatam hábitos tradicionais e, também, escolhem o tema que é trabalhado. Em 2013 o tema foi O que é patrimônio? Em 2014, Herança Cultural Africana e, em 2015, Pelotas natural: Patrimônio das Águas. Em 2016 o tema foi Ocupação Feminina. O projeto também envolve a confecção de postais, revistas e jornais que são distribuídos por toda a cidade. A celebração envolve, também, muita música nas ruas, apresentações teatrais e oficinais que proporcionam o resgate de saberes esquecidos.
Em todos os anos, os cidadãos têm a oportunidade de conhecer e reconhecer questões peculiares ao patrimônio cultural local. Uma semana antes do evento todos os prédios e monumentos históricos tombados são identificados com bandeiras que medem 3m X 1,50m nas cores verde, vermelha e azul, que os identificam conforme o nível do seu tombamento: verde para federal, vermelho para estadual e azul para municipal. Artistas, produtores e entidades sociais, culturais e educacionais participam como voluntários nas atividades que acontecem em espaços públicos como praças, parques, prédios e nas praias da Lagoa dos Patos, lugares que também são identificados com bandeiras menores em azul e amarelo.
Desde que foi implantado, o projeto foi agregando novidades. Em 2014 foi adicionado ao evento as Conversas do Patrimônio que, com pelo menos dois meses de antecedência, acontecem num final de tarde por semana para que um palestrante aborde um aspecto sobre o tema escolhido. Em 2015, o Dia do Patrimônio ganhou uma comissão integrada com a Secretaria Municipal de Educação e Desporto para desenvolver as atividades exclusivas da rede pública de ensino. A ideia é produzir um olhar crítico dessas crianças e adolescentes acerca do patrimônio pelotense. Participam do projeto as Universidades Católica de Pelotas, Federal de Pelotas, IF-Sul Pelotas, SEBRAE-RS, SESC - Pelotas, Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo e Clube Caixeiral, dentre outros.
O Samba de Roda do Recôncavo Baiano
Este ano, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade homenageia o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, Patrimônio Cultural do Brasil e da Humanidade. Inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão em 2004, como Patrimônio Cultural do Brasil, e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, em 2005, esta é uma forma de expressão musical, coreográfica e festiva de matriz africana, mesclada aos traços culturais trazidos pelos portugueses, principalmente, pelo uso da viola e do pandeiro, e da própria língua portuguesa nos elementos de suas formas poéticas. Seus primeiros registros, com esse nome e com as características que ainda hoje o identificam datam da década de 1860.
O Samba de Roda do Recôncavo Baiano está presente em todo o Estado da Bahia e é especialmente forte e mais conhecido na região do Recôncavo, a faixa de terra que se estende em torno da Baía de Todos os Santos. Pode ser realizado em associação com o calendário festivo – caso das festas da Boa Morte, em Cachoeira, em agosto; de São Cosme e Damião, em setembro; e de sambas ao final de rituais para caboclos em terreiros de candomblé. Contudo, o prazer de sambar pode se dar a qualquer momento.
A valorização do Patrimônio Cultural no Brasil O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade foi criado em 1987 em homenagem ao primeiro presidente do Iphan, com o objetivo de reconhecer iniciativas, desenvolvidas por pessoas e instituições públicas ou privadas que mantêm vivo o patrimônio e suas mais diversas formas de expressão.
O advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em 17 de agosto de 1898, em Belo Horizonte. Foi redator-chefe e diretor da Revista do Brasil e, na política, foi chefe de gabinete de Francisco Campos, atuando na equipe que integrou o Ministério da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas. O grupo era formado por intelectuais e artistas herdeiros dos ideais da Semana de 1922. Rodrigo Melo Franco de Andrade comandou o Iphan desde sua fundação, em 1937, até 1967.
Serviço:
Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade
Cerimônia de Premiação
Data: 20 de outubro de 2016, às 19h
Local: Teatro Castro Alves
Endereço: Praça Dr. Mario Macedo Costa, s/n
Campo Grande, Salvador (BA)
Redator: Assessoria de Imprensa
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