Sexta, 19 de junho de 2026, 07:29h
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A história do início do povoamento de Pedro Osório se confunde com a da construção da ferrovia Rio Grande/Bagé. Até os anos de 1970, a cidade e o parque ferroviário viram um crescimento sem precedentes, com intensa movimentação de trens, nas duas estações da cidade.
As lembranças ainda estão muito claras na mente do pedroosoriense José Eugênio Perez, de 70 anos, também conhecido como Juca do Basílio, apaixonado por trens e pela sua história. Ele recorda que nasceu e viveu na beira dos trilhos do trem, na Estação Basílio, por onde passavam diariamente mais de 300 pessoas. “Me criei vendo o trem passar”, conta ao relembrar que a sua mãe vendia frutas e salgados aos viajantes.
Para ele, a Estação era como se fosse um “portal”, um elo com o mundo que existia muito além dos campos de Pedro Osório. Por ela circulava tudo o que era novidade no mundo. As notícias chegavam de trem: cartas, jornais, revistas, tudo sobre o que acontecia no mundo lá fora se ficava sabendo quando o trem chegava. Também chegava o desenvolvimento. “Pedro Osório cresceu e se desenvolveu em função da família ferroviária que aqui se estabeleceu”, ressalta.
Juca um dos guardiões dessa Memória Ferroviária, que já virou exposição mas agora guarda apenas para mostrar ao neto, aos amigos e a quem mais interessar.
Segundo ele, a Estrada de Ferro Rio Grande/Bagé teve sua construção autorizada em 10 de setembro de 1873, por Decreto Imperial, mas a sua construção foi iniciada apenas em 1881. As duas estações, Cerrito e Maria Gomes ou Piratini, foram inauguradas em 2 de dezembro de 1884, data do aniversário do Imperador Dom Pedro II.
Ao iniciar a operação, a Estrada de Ferro Rio Grande-Bagé contava com 16 locomotivas a vapor, um carro de Estado, quatro carros de 1ª classe de sistema americano, dez carros mistos de primeira e segunda classe e quatro de correio, 120 vagões para mercadorias, 50 para animais, 24 de plataformas, e 30 troiles para o serviço da linha.
Embora já houvesse, no final do século 19 um acelerado processo de povoamento nas duas margens do rio Piratini, junto ao Passo de Maria Gomes, a estrada de ferro acelerou este processo. Até então a comunicação com centros e vilas mais desenvolvidas como Bagé, Pelotas e Rio Grande se dava através de carretas de bois, lanchões, barcas ou diligências. Com a inauguração das ferrovias, estes meios continuaram ativos, no entanto faziam conexão com os trens nas diversas estações.
A estação hoje denominada Estação Pedro Osório foi construída em 1887, três anos depois da inauguração da Linha Rio Grande/Bagé. Mas muito próxima a ela, fora construída, ainda em 1884, uma estação de menor porte, na margem esquerda do rio Piratini e por isso, denominada inicialmente de Estação Piratini. A grande movimentação de trens e o consequente aparecimento de residências e estabelecimentos comerciais, dos dois lados do rio, tornou necessária a construção de uma estação maior, no povoado Maria Gomes, que é hoje a Estação Pedro Osório, atual Centro Administrativo.
O prédio da Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VRGS) foi construído em 1930 e provavelmente nesta mesma época, a Farmácia e a Hospedaria dos técnicos da rede ferroviária.
Em 1983, após a queda e reconstrução da ponte ferroviária sobre o rio Piratini, devido a uma forte enchente, a rota do trem foi modificada, passando pelo bairro Orqueta e não mais pela Estação Pedro Osório. O trem de passageiros foi desativado em 1984 quando permaneceu o transporte ferroviário apenas de grãos e combustíveis nesta linha, na estação secundária do município, denominada Cruz.
De VFRGS para RFFSA
Em 30 de setembro de 1957, foi criada a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) para recuperar técnica, material e administrativamente as estradas de ferro brasileiras. O Rio Grande do Sul possuía 3.232,885 quilômetros de estradas de ferros, 800 construídos na vigência do Império e 2.432,885 no regime republicano. A Viação Férrea do Estado do Rio Grande do Sul foi incorporada a RFFSA em 1959.
Nesta época, a estrada operava com 370 locomotivas, 30 a diesel e as demais a vapor, 322 carros para passageiros entre dormitórios 1ª e 2ª classe e ainda carros de administração e operando com 4.830 vagões de cargas de diversos tipos.
Redator: Tradição Regional
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