Quinta, 18 de junho de 2026, 09:38h
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De 15 a 21 de maio aconteceu em todo o país a 15ª Semana Nacional de Museus, temporada cultural promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), em comemoração ao Dia Internacional de Museus, que é celebrado em 18 de maio. Nessa edição, mais de mil museus de todo o país ofereceram ao público três mil atividades especiais, como visitas mediadas, palestras, oficinas, exibição de filmes, entre outros.
Em Piratini, o evento teve ao longo de todos os dias uma exposição chamada “A imagem da palavra”, de Alexandre Prestes Souza, brindando a arte e a poesia. Em sua primeira noite (dia 18), foi realizado um desfile, organizado por Darlan Madruga, com lançamento da coleção “Rústicos do Pampa”, da marca Piratiniense Fio Farroupilha, com casacos e coletes de feito único em lã, em seu cenário ideal, pátio do Museu Histórico Farroupilha, prédio usado pelos farrapos, com uma decoração esplêndida. Também tiveram shows, artesanatos e degustações de vinhos do vinhedo Don Basilio, prata da casa, levando a comunidade para dentro do Museu, costume que nos últimos tempos tem se perdido.
Na segunda noite ocorreu o circuito de palestras e arte, no clube Sociedade Recreio Piratiniense (SRP), que recebeu autoridades locais, alunos de escolas do município e a população em geral. As palestras foram ministradas pelos quilombolas, com seus pontos de Umbanda e danças afros, com as professoras Eva Maria Pinheiro, Tatiana Lopes e Maria Emilia emocionando com relatos de luta e resistência negra, e a busca por seu lugar na sociedade. Esteve presente o povo Tuxá, representado por Leonardo Christian Tuxá, falando sobre a saúde indígena e ervas medicinais, e também a voz da mulher indígena, com a advogada e mestranda em Antropologia Pietra Dolamita, que emocionou ao relatar sobre a luta desses povos para ingresso no merecido ensino superior.
Juarez Machado de Farias, advogado, radialista e poeta, que compareceu ao evento deixou seu relato. “A programação, promovida pelo Museu Histórico Farroupilha, sob a direção de Kátia Espíndola, foi excelente porque dinamizou, popularmente, o nome dessa importante instituição que tem destaque não somente por ser um prédio vistoso e de um glorioso passado, mas justamente por ser um Museu, lugar onde se preservam patrimônios materiais e imateriais”, disse.
Ele destacou que o Museu Histórico Farroupilha de Piratini, criado em 11 de fevereiro de 1953, ganhou relevância com os eventos realizados, especialmente pela noite de desfiles do Fio Farroupilha, música ao vivo, degustação de vinhos e pelas palestras realizadas sobre as questões quilombolas e indígenas. Farias ainda completou: “A noite no Museu foi mágica porque um espaço tão especial abriu-se para a população, não em um clima solene e frio, mas aquecido por luzes, música ao vivo, vinhos e, especialmente, por presenças de pessoas a interagirem, saudavelmente. Por isso, parabenizo a diretora pela criatividade nestes tempos de crise, em que parece ter virado bordão que ‘não há recursos’ porque a resposta positiva é que para ser criativo há sempre recursos. Basta se dedicar a costurar programas baseados nas disponibilidades de pessoas que estão a compartilhar este tempo e este espaço, trazendo seus sonhos, seus fazeres, seus projetos. Museu é lugar de memória. Mas para se manter vivo um Museu, ele, enquanto instituição, tem que fazer história”.
A diretoria Kátia Espindola e os funcionários do Museu Francieli Domingues, Alexandro Dias, Tiago Silva, Kamyla Portô e Ligiane Lopes, agradeceram a todos que, de alguma forma, contribuíram para que o evento se tornasse real e em grandes proporções. “Sem o apoio de cada um e, principalmente, do governo do Estado e da Associação de Amigos do Museu, nada disso seria possível”, disseram.
Redator: Tradição Regional
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