Ter�a, 16 de junho de 2026, 15:03h
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Na última segunda-feira (19) foi divulgado um ofício a respeito do cancelamento do pregão presencial referente à estrutura de som da Semana Farroupilha 2017 de Piratini. O assunto repercutiu nas redes sociais e o prefeito Vitor Ivan Gonçalves Rodrigues esclareceu, em entrevista, que a decisão foi tomada por falta de recursos, já que o município enfrenta um período delicado financeiramente, em diversas áreas, e é a Prefeitura que custeia a maior festa dos gaúchos. “Nós temos um ano totalmente diferente. Se vê que a realidade do Estado e do país têm se colocado de maneira diferente pras questões administrativas”, disse Rodrigues, que destacou a cultura como extremamente necessária, porém lembrou que em vários locais do Brasil eventos culturais estão sendo cancelados, por conta da contenção de gastos e priorização de áreas com serviços essenciais à comunidade, que precisam de investimentos e que estão nas suas ações primordiais.
“É importantíssimo o turismo para Piratini, porém envolve investimentos próprios, e no momento, onde temos vários compromissos a serem cumpridos, não há como não priorizá-los. É uma questão administrativa. Tenho vontade de fazer, tenho experiência de como fazer, mas não posso agir por impulso”, afirmou o prefeito.
Com base no cancelamento definitivo, e já divulgado na imprensa, surgiram novas oportunidades junto às autoridades locais e piquetes tradicionalistas que se dispuseram a fornecer apoio à Prefeitura Municipal para a realização da Semana Farroupilha 2017.
Fundamentados por essas colocações, a Prefeitura e a Secretaria de Turismo e Cultura realizaram, na noite de terça-feira (20), uma reunião com entidades tradicionalistas, representantes locais e apoiadores, momento em que discutiram diversos pontos sobre a realização da festa gaúcha.
Entre as entidades presentes, o vereador Marcial Lucas “Macega” Guastucci, do Piquete Resto de 35, se dispôs a participar, juntamente com as demais entidades e com o executivo, da organização da Semana Farroupilha, com sugestões alternativas. No final, afirmou que, caso a Prefeitura ainda entenda que não deve realizar o evento este ano, ele pede o apoio da gestão para que ele, juntamente com o Resto de 35, o PTG Querência Xucra, o Piquete Rodeio do Paraíso e demais entidades, que possa organizar e realizar o evento. O vice-prefeito Gilson Gomes informou que será feito, primeiramente, um levantamento geral da reunião, que, em sua percepção, foi proveitosa. “Tivemos essa oportunidade de diálogo com as entidades, de mostrar a situação do nosso município hoje, que realmente é inviável realizarmos sozinhos essa festa, mas obtivemos muitas possibilidades de fazer conjuntamente”, disse. A partir disso, e com o apoio demonstrado pela comunidade, a questão da realização da Semana Farroupilha terá uma resposta concreta nesta sexta-feira (23).
A busca da Chama Crioula e o desfile que remete à data da Revolução Farroupilha serão realizados a cargo Centro de Tradições Gaúchas (CTG) 20 de Setembro, que manterá o Galpão de Rondas aberto ao público, de 9 a 20 de setembro, com a centelha da Chama.
Opinião: Universitária analisa situação e opina sobre cancelamento
Com a repercussão do cancelamento da Semana Farroupilha, a estudante do curso de licenciatura em História pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), Bruna Nunes Moura, que mora em Piratini, analisou nas redes sociais a atual situação das áreas de departamentos públicos do país, com a conclusão de que a crise tende a aumentar, o que afeta diretamente os municípios. “Há cortes gigantes de verbas em áreas primordiais, onde não poderia haver, como saúde, educação e segurança”, opina.
Para ela, Piratini tem sinais dessa crise desde o início do ano, como as medidas de cortes de gastos já foram tomadas pela atual gestão, e conclui que, por contar com grandes estruturas e custos elevados, a Semana Farroupilha deixa dívidas para os cofres, entendo que a medida de cancelamento é a mais coerente.
Entre os tópicos abordados pelo prefeito na entrevista, está a terceirização como futuro do evento, o que ocorre atualmente com a Fenadoce, algo que Bruna concorda. “Deve ser uma festa sem envolvimento financeiro do setor público do município, basta que analisemos com coerência para chegar à conclusão de que [o prefeito] Vitor [Rodrigues] sempre disse priorizar o pagamento em dia dos funcionários públicos, bem como das empresas terceirizadas que prestam serviço a este município. Essa é uma medida difícil, visto que muitos irão julgar por acabar com a festa mais famosa da Capital Farrapa”, finalizou a estudante.
Redator: Tradição Regional
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