Ter�a, 16 de junho de 2026, 04:55h




Galerias

Especiais

Jornal Tradição

II Caderno Especial Fenadoce 2019 2019/06

Receitas

Tabule

Assine


Home Cultura e turismo

Cultura e Turismo

28-07-2017

Com inspiração nas fanfics, jovem lança seu primeiro livro  


Foto: Anahí Silveira/JTR Maria Nieves define livro como "fantasia dramática"

Maria Fernanda Nieves é bem jovem, mas já deu início à sua realidade como escritora. Natural de Santana do Livramento, ela mora em Pelotas há quatro anos, mas foi criada na Praia do Cassino, onde também se encontra espaço para os barcos e navios - e toda atmosfera que o balneário marítimo pôde lhe proporcionar.


Maria, que tem 17 anos, possui outras histórias escritas e, inclusive, finalizadas, mas apenas “Maresia” se tornou um livro até então, lançado na versão digital, como e-Book, pela Editora Polaris.



Ela conta que escreve desde os nove anos. “Eu gostava muito de Harry Potter e [As Crônicas de] Nárnia, e minha irmã, dois anos mais velha, também, ficávamos brincando com esses temas. Isso foi me fazendo ter ideias e comecei a escrever coisas que depois abandonei”, recorda.


Apesar de há bastante tempo ser uma adepta das séries de TV, formato de entretenimento que encanta grande público, foi aos 16 que Maria começou a acompanhar a série The Hundred. “Por causa dessa série, por uma personagem, que todo mundo gostava que morreu, por ter sido injusto, minha irmã também ficou sentida querendo que ela tivesse uma história mais positiva, e isso tudo me introduziu no mundo das fanfics”, conta, referindo-se às narrativas ficcionais, escritas e divulgadas por fãs em blogs, sites e em outras plataformas digitais.


Neste processo de readaptação de histórias já existentes, recriando personagens em outras possibilidades, Maria começou suas escritas, conforme ela mesma define, como uma “brincadeira com os personagens”. Inspirada pela série, Maria escreveu novas narrativas, transferindo os personagens para outros universos. Em uma delas, transformou-os em piratas - o que mais tarde se tornaria seu primeiro livro. O material foi encontrado por Letícia Cardoso, diretora de conteúdo da Editora Polaris, através de um site que Maria mantém para publicar seus escritos com acesso livre. “Na verdade, ela chamou [para publicar um livro de] uma amiga, mas perdeu o contato dela, e me procurou para encontrá-la. Neste momento, ela viu que eu era escritora da história chamada Maresia e perguntou se eu queria transformar ela como original, aí aceitei trabalhar com eles”, explica.


Depois de modificar o nome dos personagens e readaptar o enredo para manter uma singularidade, juntamente com a equipe da Editora, o livro foi tomando forma. “Foi uma experiência em que me estressei um pouco, me cobrando pelos prazos, mas foi algo bem legal, a preparação do texto e tudo mais”, diz, destacando que o resultado final foi satisfatório. “O texto de Maresia cresceu muito através da Letícia, que fez sugestões pertinentes, tudo sempre com muito respeito. A Rebeca também é extremamente respeitosa, é uma equipe legal de se trabalhar”, define.


Quanto à reação do público diante da novidade literária, Maria se sente confiante com o apoio da família, mas o que lhe impressiona é a avaliação positiva de quem não a conhece. “Eu sou bastante tímida e nos primeiros dias eu fiquei, não assustada, mas surpresa. Da minha família, que é muito grande, eu já esperava. Mas na página da Editora tinha bastante gente comentando que eu não conhecia”. As manifestações vão desde comentários que parabenizam o lançamento e demonstram interesse em conhecer a obra, até mesmo recomendações após a leitura de “Maresia”.


Inspirada pelo gênero dramático, Maria tem como uma das principais inspirações o escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. “Ele me influencia a fazer metáforas”, enfatiza. Ao lado dele, ela cita também a britânica J. K. Rowling, escritora da série de livros Harry Potter, o estadunidense George R. R. Martin, criador de As Crônicas de Gelo e Fogo, e a ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector. “Tem que ter drama. Não sei por que, mas gosto muito de colocar diálogos mais pesados e densos, gosto de trabalhar com essa dinâmica do ser humano”, adianta.


Estudante do Desafio Pré-Vestibular - projeto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) -, Maria quer cursar psicologia, mantendo a escrita como um hobby. “A escrita, pra mim, sempre foi um passatempo. No site tenho as histórias finalizadas que só postei para as pessoas lerem, sem fins lucrativos. Maresia acabou virando algo com fim lucrativo, um livro, ok, acontece. Só que nunca vi a escrita como minha profissão, sempre soube que era outra coisa. Eu gosto muito, mas não vai virar uma profissão”, afirma, abrindo a possibilidade de que novos títulos ainda possam ser publicados.


Ivone Nieves Torres, mãe de Maria, conta que o momento é excelente, uma espécie de “colheita” de tempos anteriores. “Tenho 56 anos, ela tem 17, e começamos a colher cada livrinho. Tudo vai se fechando. É um processo de vida que, de certa forma, consciente ou não, eu vim semeando”, conta, complementando: “Ela ia acatar ou não, o mérito é dela, que resolveu usar todos aqueles livros que já leu”.


A mãe lembra da filha que aos 10 anos pediu para ler o romance “Grandes Esperanças”, do escritor Charles Dickens, dividido em três volumes e publicado na versão em português no ano de 1945. Também recorda da paixão pelos “brinquedos”, como um galeão, já indicando a paixão da jovem pelo universo dos piratas. “Ela tinha uma história para cada boneco e não se perdia. Eu pensava ‘essa guria vai escrever’ porque a atenção dela, a memória e os enredos de cada um se perpassando, mas não se misturando... Aqui tem”, conta.


Maresia


O e-Book, de 558 páginas, é definido por Maria como uma “fantasia dramática”. “Se o gênero não existe, estou inventando agora”, brinca. A história fala de Alexandria, nascida em uma cidade do sul da localidade de “Estival”, o que, conforme explica a autora, seria a América Latina. Sem conhecer o pai, que era um pirata, ela possuía apenas uma carta deixada por ele e a companhia de sua mãe, que falece quando Alexandria tem 22 anos.


Sozinha, cuidando do bar onde sempre viveu, se vê sem nada quando este pega fogo. Acolhida pela parteira da cidade, Alexandria vai até a praia e vê, pela primeira vez em 10 anos, um barco se aproximando. Já sem perspectiva e se sentindo só, ela vê com bons olhos o recrutamento de pessoal feito pelo capitão do barco. Entretanto, mulheres não são admitidas na tripulação e diante disso a jovem se disfarça de homem para concluir seu objetivo. Ao mesmo tempo em que os tripulantes vão descobrindo o segredo, seguem em silêncio e escondem a presença de Alexandria do capitão - que não autoriza segredos e delega punição de morte a quem o fizer.


A metáfora aqui é sobre crescimento pessoal. “Quando as tuas certezas são postas à prova, tu fica bem triste e depois encontra as respostas de novo. É uma analogia à isso, pois quando ela vai para o barco, enfrentar o mundo, todas as certezas dela são questionadas. Depois, ela descobre de novo as respostas e fica bem novamente com essa nova Alexandria”, analisa Maria.


A jovem autora se preocupa ainda em destacar duas curiosidades sobre a história: o código de conduta pirata, que aparece em determinado momento da história e que, de fato, existe, sendo apenas reproduzidas as regras no livro; e a tripulação formada integralmente por mulheres que também surge ao longo do texto, o que, segundo ela, é uma questão de representatividade. “Nunca aparecem mulheres nessas histórias e na minha pesquisa vi que existiram apenas duas piratas na história. Quis fazer diferente”.


A Editora


Com origem em Manaus, o trio de amigos Rebeca Martins, 21 anos, diretora executiva e designer, Letícia Cardoso, 24, e Guilherme Mateus, 24, analista de sistemas, estão à frente da Polaris. Conforme a própria Editora define, é uma “estrela-guia dos navegantes”, uma nova referência para escritores e aficionados por leitura.


Além da obra de Maria, a Editora disponibiliza para venda o livro “Prosa & Panela”, de Tainá Vieira, e ambos podem ser adquiridos pelo site http://www.loja.editorapolaris.com.br.


Além disso, outros livros serão lançados no mês de setembro. Um projeto eventual da Editora é lançar os livros também em formato impresso.


Redator: Tradição Regional



Outras notícias desta editoria

Comentários (0)





Fechar  X

Com inspiração nas fanfics, jovem lança seu primeiro livro  





O Jornal Tradição Regional não se responsabiliza pelo conteúdo do comentário e se reserva ao direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.


Serão vetadas as mensagens que:


  • Não tratarem do tema abordado na notícia;
  • Sejam repetidas as enviadas pelo mesmo leitor, ainda que com outras palavras;
  • Tenham intenção publicitária, de propaganda partidária, eleitoral ou comercial;
  • Tenham conteúdo ou termos obscenos ou ofensivos;
  • Incentivem racismo, discriminação, violência, medo ou outros crimes;
  • Promovam participação de correntes, spams ou lixo eletrônico.


As opiniões expostas não representam o posicionamento do Jornal Tradição Regional, que não se responsabiliza por eventuais danos causados pelos comentários. A responsabilidade civil e penal pelos comentários é dos respectivos autores. O usuário tem ciência e concorda expressamente com a prerrogativa de restringir quaisquer conteúdos que violem ou que possam ser interpretados como violadores às disposições do presente instrumento.

Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Fechar  X

Com inspiração nas fanfics, jovem lança seu primeiro livro  


Enviado com sucesso!

ok


Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados