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Cultura e Turismo

01-05-2012

São Lourenço da cultura e da revolução


Foto: Acervo Casa de Cultura Ainda hoje parte da construção permanece do centro da cidade, onde entre outros estabelecimentos, funciona a Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio

O município de São Lourenço do Sul é rico em história e em todos os cantos da cidade, os visitantes encontram prédios antigos e houve falar de tempos em que os costumes eram diferentes e o cinema e as areias brancas das praias lourencianas eram os principais pontos de encontro da comunidade.


Conheça um pouco dessa história



Cinemas que movimentavam as ruas da cidade


O cinema surgiu no século XIX, em Paris, e a exibição em sequências de imagens estáticas logo fascinou a todos que tinham a oportunidade de assistir aos curtos filmes mudos. A “sétima arte” chegou a São Lourenço do Sul em 1912, com o cinema “Colyseu São Lourenço”, erguido com madeira, onde hoje é o centro da cidade. Os filmes eram em preto e branco e acompanhados por um piano.


O pioneiro cinema da então vila fechou no ano de 1929, quando surgiu o Cine-Theatro Central, construído com cimento armado e espaço para 550 pessoas. Inaugurado em junho de 1929, tinha iluminação fornecida por usina própria, com motor movido à óleo cru. A população considerava a construção do Theatro tão bonita que o comparavam a um castelinho. Sua estrutura e beleza não ficavam nada a dever em relação a outros cinemas do Rio Grande do Sul e até mesmo do Brasil.


Em 1967, o proprietário, general João Brauner, vendeu o Cine-Theatro Central para um empresário de Pelotas, ligado ao ramo dos cinemas, para vê-lo prosperar. Entretanto, logo os filmes deixariam de serem projetados à população e em 1968, durante a madrugada, foram levados todos os equipamentos e poltronas do local, encerrando décadas de agitação, filmes e cultura. O prédio foi vendido e demolido em 1972 e desde aquele ano funciona como uma loja comercial, sem resquícios dos pilares medievais e a entrada do “castelo”.


No entanto, outro cinema já havia vindo para a cidade em 1964: o Cine-Teatro Rex, com duas sessões à noite em dias úteis da semana e três sessões aos domingos. Porém, em 1983, tendo a televisão como forte concorrente, o Cine-Rex acabou fechando as portas.


Praias masculinas e femininas


Com as belezas naturais do município sendo exploradas, as praias sempre foram um grande atrativo de São Lourenço do Sul. Apesar de possuir uma grande lagoa que oferecia águas doces e límpidas aos banhistas, até a década de 1950 os banhos não eram fáceis e havia locais específicos para esta prática. Homens e mulheres precisavam se separar, em respeito às famílias e para que a decência fosse mantida.


Sendo assim, contasse que em 1930 existia um vestuário onde as mulheres se trocavam, e os homens se vestiam nos matos próximos à praia, sendo que somente depois um vestuário foi construído para os homens, bem longe do vestuário feminino. Além disso, quem ia à praia em trajes considerados inadequados recebia severas punições dos órgãos responsáveis pela fiscalização.


Entrada da cidade: Pórtico do Sol indica onde fica São Lourenço


Em 1970 São Lourenço do Sul não tinha uma sinalização adequada que indicasse onde ficava a entrada da cidade. Sem iluminação e sem o trevo de acesso à federal, muitas vezes os motoristas passavam pela cidade sem se darem por conta de que ali estavam. Assim, começou-se a idealizar um grande pórtico iluminado, que ressaltasse o acesso à via de entrada. A criação do “Pórtico do Sol” foi anunciada em maio de 1980, pelo RotaryClube, e, após a arrecadação de fundos para a construção, o pórtico foi inaugurado em 20 de dezembro de 1981, sendo a obra doada pelo clube à municipalidade, se tornando um dos símbolos de São Lourenço.


Hotel do Comércio: Prédio colonial resiste até hoje


O Hotel Ritter foi comprado por Gustavo Conrad Reissig no primeiro quartel do século XX, quando passou a se chamar Hotel do Comércio. Sua estrutura colonial data do século XIX, quando ocorreu a expansão da navegação lourenciana e o crescimento da vila, depois, cidade de São Lourenço. Ainda hoje parte da construção permanece do centro da cidade, onde entre outros estabelecimentos, funciona a Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio.


Fazenda do Sobrado: Morada das mulheres dos líderes da Revolução Farroupilha


Construída no fim do século XVIII, a Estância São Lourenço pertenceu a José da Costa Santos.  Diz-se que era a casa de Anna Joaquina Gonçalves da Silva, irmã de Bento Gonçalves. A estância possui 300 hectares de terras, com criação de gado, cavalo, pequenos animais e plantações. Quando a casa foi construída, sua imponência e suas características arquitetônicas não eram comuns no local e passou a ser chamada então de “Estância do Sobrado” ou “Fazenda do Sobrado”. Conta-se que durante a Revolução Farroupilha serviu de ponto de encontro para reuniões entre Bento Gonçalves e seus comandados.


Além dos encontros, a história mostra que as mulheres dos principais líderes farrapos permaneceram no sobrado durante os 10 anos da revolução. Na entrada da casa, no segundo piso, havia uma janela onde um lampião permanecia 24 horas aceso, sempre cuidado por um escravo a mando de Don'Anna, irmã de Bento Gonçalves, para que ele servisse de farol às embarcações que chegavam no arroio São Lourenço. Em outro ponto da casa, as mulheres dos líderes farroupilhas cuidavam, através de uma “seteira”, espécie de olho mágico, as embarcações que atracavam no Arroio São Lourenço para que, caso fossem tropas inimigas, elas pudessem se defender antecipadamente.


A Fazenda do Sobrado pertence hoje a Ivany Wienke Serpa e funciona como hospedagem e meio de promoção do turismo rural, estando integrada ao projeto de turismo rural Caminho Farroupilha. Os visitantes podem se hospedar no Sobrado ou fazer passeios à cavalo e até mesmo realizar o “turismo de um dia”, com churrasco e café campeiro. Integrante da história de lutas do Rio Grande do Sul, a Fazenda do Sobrado ainda enche de curiosidade aqueles que passam por São Lourenço.


 

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