Segunda, 15 de junho de 2026, 13:28h
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Fazer com que os estudantes olhem o território ao redor, compreendendo a história do local e sentindo-se pertencentes a este todo, foi a principal motivação da E.M.E.F. Rodolpho Krüger ao idealizar o projeto “Recontando a nossa história: memórias de povos e comunidades tradicionais do Canta Galo”. Realizado de forma interdisciplinar, buscando unir diversas áreas do conhecimento, o trabalho teve início em 2015 com as séries finais do Ensino Fundamental, e foi repetido este ano, desta vez com todos os alunos da instituição.
Localizada no Canta Galo, sétimo distrito de São Lourenço do Sul, a escola atende 227 estudantes, principalmente de origens pomerana e quilombola. A preservação da história dos dois povos tradicionais também foi um dos motivos que incentivaram a criação do projeto. Outro fato que teve influência no processo de desenvolvimento da ação foi o grande número de professores oriundos da área urbana da cidade no quadro docente da escola. De acordo com a coordenadora pedagógica, Simone Bilhalva, isso fazia com que alguns educadores não tivessem contato com a história do local, fato que prejudicava a compreensão sobre a realidade dos alunos. Segundo ela, ao buscar a valorização da cultura, a realização do projeto propiciou um maior conhecimento sobre a comunidade e a formação de uma identidade local.
Para dar conta do trabalho, a coordenadora conta que os professores propuseram tarefas de acordo com as disciplinas ministradas em sala de aula. De acordo com ela, a participação dos estudantes foi intensa. “Eles gostam muito. Alguns ficam envergonhados nas apresentações, mas eles têm muito orgulho em mostrar como é a realidade deles”, destaca. A coleta de informações foi realizada inteiramente pelos alunos. Foram desenvolvidas atividades como pesquisas e entrevistas; confecção de maquetes e brinquedos tradicionais; exposição de fotografias, culinária típica e objetos antigos; e resgate de brincadeiras, costumes e saberes.
Com o projeto, dados históricos sobre o local foram descobertos, como a existência de um hospital que se situava a cinco quilômetros da área que hoje comporta a escola. Da mesma forma, objetos históricos foram resgatados, junto de curiosidades que povoavam o imaginário coletivo. Conforme conta Simone, uma das histórias que mais chamou a atenção dos estudantes foi a de um relógio antigo dado como presente de casamento, que parou de funcionar no mesmo dia em que a pessoa que presenteou faleceu.
Além da retomada histórica, outro benefício trazido foi o estímulo ao contato com familiares para a coleta de memórias. Simone aponta, principalmente, o fortalecimento da relação entre os netos e seus avós. “Assim, os mais velhos se sentem valorizados”, destaca. Segundo ela, os pais também são bastante participativos, auxiliando os estudantes na busca por informações e prestigiando as exposições dos trabalhos realizados.
Na última semana, a ação foi apresentada no IX Encontro Regional Sul de História Oral, realizado em Porto Alegre, a convite do grupo Educamemória, desenvolvido pela FURG (Universidade Federal do Rio Grande). Já no ano passado, foi exposta no I Seminário Povos Tradicionais de São Lourenço do Sul e no I Festival de Arte Cultura e Conhecimento Pomerano de São Lourenço do Sul. Segundo a instituição, o objetivo é realizar novas edições do projeto. Os próximos passos do grupo são o mapeamento de onde os alunos residem, com o auxílio de fotos de satélite, a continuação do recolhimento de memórias e o lançamento de um livro com o material coletado.
Redator: Tradição Regional
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