Domingo, 14 de junho de 2026, 10:00h
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Os doces pelotenses carregam histórias dos povos que colonizaram a região e adaptaram a cultura local, havendo uma mistura de conhecimentos. Reflexo cultural perceptível aos olhos de quem também caminha pelo Centro da cidade, com pontos turísticos e prédios arquitetônicos que mantêm traços das populações que a habitaram. Mas, além disso, as palavras escritas, faladas e cantadas proporcionam a troca de saberes deste e de tantos outros lugares.
Com isso, a Feira do Livro de Pelotas completa sua 45ª edição, com o tema “Cidade dos Livros: Patrimônio e Imaginação”, no qual o próprio objeto é caracterizado como legado e divulgar a criatividade utilizada para a literatura. O tradicional evento, que marca também a história do município, iniciou na última quarta-feira (1º) e se estende até o dia 19 de novembro, na praça Coronel Pedro Osório, ponto turístico marcado pela socialização.
Em um tempo onde tecnologias transformam o cotidiano das pessoas, principalmente no consumo de informações, a Feira busca fomentar também o interesse aos livros, oportunizando as sensações que as páginas podem propiciar, desde ao toque até as compreensões sobre a sociedade, do passado até o presente, com cores e capas que chamam atenção de quem passa pela praça, onde, de acordo com a produtora Theia Bender, é o objetivo maior de haver este contato de estímulos a todos, “independente de credo, idade e raça”, afirmou.
Segundo ela, a cultura ainda não possui a valorização necessária, voltada para a educação e a leitura, ligada à sobrevivência humana. “É com a educação que vamos ajudar todos a ter o que comer”, contextualizou.
Para este ano, a Feira criou a “Conversa com os Escritores”, proposta dada pelos livreiros e baseada na conversa com os próprios autores, com o objetivo de que o espaço proporcione uma maior interação entre o público e os profissionais, juntamente com a divulgação das obras. Junto à iniciativa, está a Câmara de Vereadores de Pelotas, que tem programações especiais, como a de quinta-feira (2), realizada sobre a “Judicialização da Política e Politização da Justiça”, e a próxima no dia 15, sobre o “(Des)controle da violência e cidadania”. O legislativo auxiliou na construção do espaço, que também possui palestrantes sobre diversas áreas do conhecimento e que tratam sobre temas relevantes para a sociedade.
Na Feira, são 15 livreiros participantes como expositores, sendo que a tenda dos autógrafos terá um local reservado para os lançamentos das obras literárias. Além disso, as apresentações culturais podem ser acompanhadas na Tenda Cultural João Simões Lopes Neto e na Bibliotheca Pública Pelotense.
Para todas as idades e gratuita, a programação é composta por atividades artísticas variadas, entre danças, músicas, exposição fotográfica, obras literárias, mesas redondas, lançamentos de obras e outros, conceituando que a literatura está presente nos diferentes tipos de artes, além do tradicional torneio de xadrez.
Conforme Theia, o desfile de cosplay é uma oportunidade de haver contato com os personagens das histórias, atividade ocorrida na última quinta-feira (2). Para o público infantil, ações diárias são promovidas diariamente, até às 17h.
Às 19h, são sempre realizadas as sessões de autógrafos com autores de Pelotas e de outras cidades, como Porto Alegre, Santa Maria, Rio Grande, Lajeado e Monte Bonito, e, no mesmo local, com o objetivo de estimular a criação, há o espaço para as crianças, na qual escolas farão as sessões juntos aos alunos, sempre às 16h.
A proposta sobre o patrimônio também marca a escolha de Klécio Santos como patrono da 45ª Feira do Livro. O jornalista - formado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel) - e escritor é autor dos livros “Sete de Abril, o Teatro do Imperador”, “Mercado Central - Pelotas 1846-2014” e, ainda, lançará, no dia 14 de novembro, o “Bibliotheca Pública Pelotense”, que retrata a história local e marca os seus 142 anos.
As 228 páginas do livro reúnem os principais acontecimentos que marcaram a instituição, desde a primeira reunião organizada em um prédio improvisado cedido por João Simões Neto, o Visconde de Graça - avô do escritor João Simões Lopes Neto -, até os dias atuais, retomando a tradição de ser um espaço multicultural.
Atualmente, o porto-alegrense e ex-morador de Pelotas comanda a Comunicação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), e já atuou em jornais como Diário Popular, Correio do Povo e Zero Hora, além de ter especialização em Patrimônio Cultural pela Faculdade de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Já a oradora deste ano é a diretora-presidente da Bibliotheca, Lisarb Crespo da Costa, primeira mulher a presidir a instituição. Ela foi procuradora geral de Pelotas e do Estado, professora de Direito da UFPel, secretária municipal de Cultura, diretora do Theatro Sete de Abril, entre outras funções de destaque.
A Feira do Livro busca oferecer experiências em história e cultura de Pelotas, incentivando o público sobre a importância da leitura em ações conjuntas com instituições culturais e a Prefeitura. O horário de funcionamento é de segunda-feira a domingo, das 13h às 21h, e sábado e feriados, das 13h às 22h. A programação pode ser conferida no site www.youblisher.com/p/1890931-45a-Feira-do-Livro-de-Pelotas-2017.
Redator: Tradição Regional
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