S�bado, 13 de junho de 2026, 00:09h
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Músicos querem manter a linha Manifestação Regional no festival que ocorrerá nos dias 13, 14 e 15 de abril
Quase 100 compositores, instrumentistas e intérpretes assinaram um manifesto que foi enviado à Comissão Organizadora do Reponte e à Coordenadoria Municipal de Cultura, pedindo a manutenção da diversidade cultural do festival. O manifesto é aberto alegando que causou surpresa ao meio artístico a notícia de que o festival, programado para abril, terá apenas uma linha concorrente, a Campeira, sem espaço para a Manifestação Regional.
O Reponte ainda está em definições, mas na última semana, o coordenador de Cultura, Fabiano Raphael, adiantou ao JTR que o festival está sendo reformulado e uma das mudanças é justamente a competição apenas na linha Campeira, conforme ele, para dar mais espaço à cultura tradicionalista, voltando às origens do Reponte.
No manifesto, os músicos destacam que não se deve impor limites à arte, o que certamente a diminui no tocante de sua estética e importância cultural. “É fato que o Reponte se notabilizou, assim como a Califórnia, por reservar espaço para diferentes manifestações da música regional, o que não se vislumbra em muitos festivais do Estado, por questões que ultrapassam o entendimento dos que percebem a música única e exclusivamente pela sua qualidade. A opção por manter somente uma linha, cujo conceito é subjetivo, com definições que após a realização de inúmeros festivais ainda são polêmicos, é fator excludente e passa a mensagem de que a música produzida no litoral ou nas missões, além de outros exemplos, é menos significativa, o que efetivamente não é verdade. Evidenciar isso é próprio de um autoritarismo que não dialoga com a atual sociedade que exige cada vez mais diversidade e união, ao invés de restrições e separatismos, ainda que estéticos”, diz parte do manifesto.
Eles reconhecem a responsabilidade e autonomia que respaldam a Comissão Organizadora, saúdam o esforço pela restauração do festival, mas propõem uma revisão da decisão. “Ressaltamos que o presente manifesto não é contrário à linha ‘campeira’, visto que esta também é uma das importantes estéticas da nossa música”, diz também a nota, que ainda considera que um evento cultural que utiliza recursos públicos deve ser representativo da sociedade que o promove/financia e deve abrir espaço para o debate e a opinião da classe artística.
No total, 98 músicos assinaram o manifesto, vários deles bem reconhecidos no Reponte. Foi também criada uma petição online no Avaaz.org, intitulada: “Comissão Organizadora do Reponte da Canção de São Lourenço do Sul: Manifesto em favor da diversidade cultural gaúcha no Reponte da Canção”, objetivando recolher apoio ao manifesto.
A reportagem procurou novamente o coordenador de Cultura, Fabiano Raphael, para, desta vez, comentar o manifesto e uma possível atenção às reivindicações, mas até o fechamento desta edição ele não havia retornado o contato.
Redator: Tradição Regional
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