Quinta, 11 de junho de 2026, 21:12h
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Seguindo o exemplo de outras datas especiais, a Páscoa é um momento que mexe com o imaginário das pessoas. Nessa época, a visão comercial é explorada, principalmente diante do consumo de chocolates. Porém, nem só desse alimento é feita a celebração. Conforme aqueles que buscam o lado espiritual, a data possui representatividade e carrega, ao longo da história, significado.
A religião predominante em Arroio Grande é a católica. Segundo fiéis que seguem esse princípio de fé, a Páscoa representa a grande festa, simbolizando a passagem pela morte até o dia da ressurreição de Cristo. A religião marca essa data com o período quaresmal, onde são feitas penitências, meditações, jejuns e oração, com o objetivo de relembrar os 40 dias em que Jesus esteve no deserto.
O diácono da igreja católica, Cildo Fernandes, envolvido com a religião há 41 anos, destaca que na liturgia algumas atividades especiais são feitas no período, como por exemplo, Domingo de Ramos, que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém; a Via Sacra, com o corpo do Senhor; e sábado de Aleluia, que representa a grande festa da vitória da ressurreição. As celebrações são baseadas de acordo com os relatos feitos nos evangelhos.
Fernandes afirma que procura colocar nos seus ensinamentos que a Páscoa deve ser esclarecida de forma espiritual, e que a igreja católica ainda precisa avançar no sentido de expor aos seus fiéis o real significado da celebração.
Já para a doutrina espírita, a data não apresenta trabalhos específicos, conforme explica Djalma Cardozo, praticante da religião há, aproximadamente, 10 anos. Segundo a doutrina, há um entendimento de que a figura de Jesus se reporta exclusivamente para o homem em seu trabalho interno, sendo representado o sacrifício através das mudanças de valores morais de cada um. A religião não aborda o estudo da Páscoa como data histórica ou faz uma alusão, nesse sentido, através de cultos ou reuniões específicas.
“A doutrina espírita busca a valorização do homem. Nós não podemos especificar a Páscoa como um marco ou uma individualidade, e sim, estarmos permanentemente trabalhando sobre si para mudar nosso comportamento e nossas atitudes”, afirma Cardozo.
Também no município, uma das religiões de matriz africana que possui adeptos é o Batuque, uma das heranças da África no Rio Grande do Sul. Nela, seguidores cultuam os orixás, que são divindades representadas por elementos existentes, forças da natureza. Giza d’ Bará faz parte do segmento religioso há cerca de 20 anos. Pertencente à nação Jeje, ela explica que na sua Casa de Santo não existe um ritual específico para a Páscoa, “até mesmo diferenciamos a nossa religião do catolicismo, mesmo que, em sua raiz, ainda muitos sigam a prática da igreja católica”, conforme Giza. A religião católica, dominante na época, fez com que os negros desenvolvessem estratégias para poder manter sua cultura e o sincretismo religioso.
Na Quaresma, as atividades religiosas no culto diminuem. “Dentro da minha Casa, buscamos tratar da ressurreição como forma de explicação, diferenciação de culturas e costumes. Seguimos a tradição cultural que foi repassada pelos os nossos ancestrais, mas, principalmente, os seus próprios rituais”, destaca Giza d’ Bará.
Para o pastor evangélico do Ministério Ágape, Marcos Garcia, a Páscoa é vista em três aspectos: o histórico, baseado no livro bíblico de Êxodo; o profético, representado por Cristo sendo morto para salvar o mundo; e o pessoal, que é a libertação de quem recebe a Cristo em seu coração.
Garcia avalia que a Páscoa é muito mais voltada para as questões comerciais, afirmando que na sua igreja a data é comentada a partir de pregações sobre a morte e a ressurreição de Cristo, existindo uma mensagem voltada para o tema. No entanto, não apresenta nos cultos alguma celebração específica alusiva à Páscoa, porém, destaca que muitas igrejas evangélicas acabam seguindo a tradição, até mesmo com a distribuição de chocolates às crianças. “Lembrando que Cristo morreu pelas nossas vidas e eu acho que a verdadeira Páscoa é isso: Cristo em nós, entendendo que ele é o nosso libertador”, finaliza o pastor.
Redator: Tradição Regional
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