Ter�a, 09 de junho de 2026, 19:39h
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Cerimônia contou com a presença dos prefeitos de Pelotas, Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu
A abertura oficial e a 26ª edição da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) teve um “ingrediente” especial neste ano: o reconhecimento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Conjunto Histórico de Pelotas e das Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas, constituída pelos municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu, como Patrimônio Cultural Brasileiro. A presidente do Instituto, Kátia Bogéa, participou da abertura e fez a entrega dos respectivos certificados, aos prefeitos de Morro Redondo, Diocélio Jaeckel, de Turuçu, Selmira Fehrenbach, de Capão do Leão, representado pela vice-prefeita Gilciane Baldassari, de Arroio do Padre, Leonir Baschi e de Pelotas, Paula Mascarenhas, na noite de quarta-feira (5), durante cerimônia realizada na Cidade do Doce e que contou com a presença de autoridades, imprensa e população em geral.
Segundo a presidente, para o Iphan, que completa 81 anos em 2018, é uma honra, pois pela primeira vez confere o tombamento e registro de uma cidade e de uma região, ao seu patrimônio material e imaterial. Os dois instrumentos de proteção, o tombamento e o registro, foram definidos no dia 15 de maio, 15 dias antes do início da Fenadoce, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Com isso, o Conjunto Histórico de Pelotas foi inscrito em três livros de Tombo, o Histórico, o de Belas Artes e o Arqueológico, etnográfico e paisagístico. O modo de fazer os doces na região foi registrado no Livro dos Saberes. “Não se separa o patrimônio material do imaterial, o corpo da alma, sem as pessoas, o modo de fazer e criar uma cidade é um território sem alma”, disse a presidente do Iphan. Segundo ela, mais que um título, Pelotas e região passam a ter um compromisso com as futuras gerações, na preservação e conservação desta história, tradição e patrimônio. “De forma muito doce, a cidade deve cuidar muito bem desse legado e o Iphan será sempre um grande parceiro”, finalizou.
A prefeita Paula Mascarenhas destacou o cenário da Cidade do Doce, que simboliza exatamente o que foi reconhecido pelo Iphan. “Por trás destas paredes que representam o patrimônio material edificado, a história centenária de Pelotas, estão as doceiras e o que elas produzem, o doce que dá alma e consolida este patrimônio cultural do Brasil, status que sabíamos que tínhamos e hoje é reconhecido nacionalmente”, disse. Ela lembrou, ainda, que as doceiras passam a ter um dia registrado no calendário, o dia 6 de junho, instituído como o Dia da Doceira, a partir de proposição do vereador Daniel Trzeciak.
Paula destacou a realização da Fenadoce e o seu desenvolvimento, há mais de três décadas, ao sair das mãos do Poder Público para a iniciativa privada, e o trabalho realizado por grandes e pequenos empreendedores, que fez girar a roda da economia e transformar o evento no que ele é hoje. Ela lembrou, também, os talentos artísticos que se apresentam nos palcos da Fenadoce, uma cultura e arte de qualidade. “A nossa maior riqueza talvez seja a nossa diversidade, de paisagens, etnias e culturas”, referindo-se ainda à influência local, principalmente das culturas portuguesa, africana e alemã.
As boas vindas aos convidados couberam à representante dos Conselhos Gestor e Consultivo da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Vanisse Krause, que definiu como um ato de ousadia e coragem a decisão da entidade em manter a realização do evento, apesar da manifestação de caminhoneiros, ocorrida nos primeiros dias da Feira e que provocou o desabastecimento de diversos produtos.
Ela também enfatizou números consolidados nesta e na última Fenadoce e que refletem o sucesso do evento: 2,26 milhões de doces comercializados e 281 mil visitantes em 2017. Nesta edição, 250 expositores, 62 de agricultura familiar, 33 doceiras, quatro shows nacionais e 747 apresentações de mais de nove mil artistas locais. Ainda, ela destacou as inúmeras atrações e agradeceu a todos que colaboraram no sucesso do evento. O representante dos Biscoitos Zezé, Fábio Ruivo, falou em nome de todos os patrocinadores. O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Tarcísio José Minetto, representou o governador José Ivo Sartori e o deputado estadual, Catarina Paladini, a Assembleia Legislativa. A cerimônia teve, ainda, a participação do musicista Adão Santos, que tocou os hinos do Brasil, do Rio Grande do Sul e de Pelotas.
Ao final, um desafio e um exercício de solidariedade aos convidados: em cada cadeira foi deixado um cartão com o compromisso de que cada um o entregasse a alguém que precise. Uma surpresa estará aguardando estas pessoas na sede da CDL Pelotas, até o dia 13 de junho.
Após a solenidade, os convidados realizaram uma visita oficial à Feira, com passagens pela Fábrica do Doce, onde foi servida uma diversidade de doces tradicionais e coloniais, Espaço Arte do Doce, Feira da Agricultura Familiar e demais espaços.
Redator: Tradição Regional
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