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II Caderno Especial Fenadoce 2019 2019/06

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Cultura e Turismo

08-06-2018

Especial JTR: Os reconhecimentos das tradições doceiras da Zona Sul e do Centro Histórico de Pelotas 


Foto: Rafael Takaki Após cerimônia oficial, ocorreu visitação pelos pavilhões da Feira, como na Fábrica do Doce

*Com informações da Assessoria de Imprensa


A 26ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce) marca um momento histórico para Pelotas e região, pois é a primeira a ser realizada após o reconhecimento da cultura doceira como Patrimônio Imaterial do Brasil, feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Fato que, consequentemente, eleva mais ainda o patamar dos doces tradicionais. 



Durante a abertura oficial da Feira, ocorrida na última terça-feira (5), foi entregue a titulação das Tradições Doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas para os prefeitos dos respectivos municípios - Arroio do Padre (Leonir Baschi), Capão do Leão (vice-prefeita Gilciane Baldassari), Morro Redondo (Diocélio Jaeckel) e Turuçu (Selmira Fehrenbach) -, como patrimônio brasileiro. Na mesma cerimônia, ocorreu a entrega do certificado de reconhecimento do Conjunto Histórico da cidade como patrimônio cultural do Brasil, para a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, que recebem ambas as certificações. 


Conforme o deputado estadual Catarina Paladini (PSB), esse certificado consegue produzir um elo histórico, pois recupera o passado falando da cultura do município e em contrapartida, acena para o futuro, mencionando o presente com as conquistas obtidas. “O reconhecimento por parte do Iphan como patrimônio arquitetônico e também pela cultura do doce veio para nos brindar ainda mais com perspectivas futuras. É uma grande conquista e tem uma simbologia muito grande”, explanou.


Além disso, ele ressaltou que há 30 anos foi definido um calendário para a realização anual das atividades da Fenadoce, e que todos os anos a Feira tem um desafio, o qual nesta edição foi a greve dos caminhoneiros, que criou uma certa dúvida sobre o que e como aconteceria o evento. “A festa está sendo um sucesso. Quero parabenizar a organização, Pelotas e, em especial às doceiras, pelo trabalhado que está sendo realizado”, disse.


O secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio José Minetto, representando o governador José Ivo Sartori, ressaltou que é uma grande satisfação para todos o reconhecimento imaterial que Pelotas e região conquistou. “Quero parabenizar Pelotas e Região pelo sucesso e desejar que a feira seja cada vez mais doce”, finalizou.


História


A cidade de Pelotas nasceu no século XVIII, a partir de um pequeno povoado que se desenvolvia em função da produção do charque. A economia regional prosperou a partir da implantação das primeiras charqueadas no município, integrando o Rio Grande do Sul ao mercado nacional e proporcionando ao município o título de uma das mais importantes do interior do país durante o século XIX.


O charque possibilitou a chegada do açúcar ao Sul, e por isso, Pelotas além de ser considerada a cidade do charque, recebeu também o título de capital nacional do doce, principalmente em função da produção doceira, oriundo do intercâmbio charque-açúcar. No dia 15 de maio, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), em Brasília, aconteceu pela primeira vez uma reunião sobre o tombamento dos prédios e o registro da tradição.


No momento, foi estudado os aspectos arquitetônicos e artísticos que caracterizam o Conjunto Histórico de Pelotas, os quais estão associados ao modo de fazer os doces das Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas.


O Conjunto Histórico de Pelotas


Foi decidido, por unanimidade, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, pelo tombamento do Conjunto Histórico de Pelotas. As praças José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida, Cipriano Barcelos e o parque Dom Antônio Zattera, conjuntamente com a charqueada São João e a chácara da Baronesa foram reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro.


O Conjunto tem um significativo valor histórico, artístico e paisagístico. A preservação dessa riqueza é muito importante para a história do município. Uma característica particular é que será desnecessária a delimitação de poligonal de entorno, uma vez que o bem protegido pelo Iphan está totalmente inserido nas Zonas de Preservação do Patrimônio Cultural, que após análise, verificou-se assegurar a preservação da vizinhança e ambiência do tombamento, nos termos do Decreto-Lei 25/1937.


As Tradições Doceiras


As Tradições Doceiras foram reconhecidas durante a 88ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural como Patrimônio Imaterial do Brasil. Esse reconhecimento valoriza bens de natureza imaterial em seu processo de evolução. 


Pelotas encontra-se no centro de uma região doceira, com diferentes tipos de produtos, sabores e identidades que falam muito sobre o local. Além dos doces finos, têm os doces coloniais, os quais desempenham um papel específico na composição da sociedade regional.


Os doces são produzidos por pessoas que continuam com as culturas de suas famílias, passando os ensinamentos de geração para geração. A maioria das doceiras e doceiros é do meio rural, entre os produtores de doces de frutas, que se encontram ligados à região colonial, como um espaço de vivências, trabalho e afetos. 


Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural


O Conselho foi formado por especialistas de várias áreas, como cultura, turismo, antropologia, arquitetura e urbanismo, sociologia, história e arqueologia. Foram 22 conselheiros, os quais representaram o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Ministério da Educação, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), o Ministério do Meio Ambiente, Ministérios das Cidades, e mais 13 representantes da sociedade civil.


Redator: Tradição Regional



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