Ter�a, 09 de junho de 2026, 19:40h
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Neste ano, o espaço Arte do Doce, idealizado pelo artista plástico Madu Lopes, possui o tema “Nosso mundo mais doce”
Das cozinhas artesanais, passando pela comercialização à produção em série: esta é a saga que será contada em três tempos, aos visitantes da Feira Nacional do Doce (Fenadoce), através do espaço Arte do Doce, idealizado pelo artista plástico Madu Lopes, de 40 anos.
Depois de apresentar, no ano passado, o tema “Doce, a nossa grande história”, ao mostrar a origem do produto, que é uma deliciosa mistura entre as cozinhas portuguesa, francesa, alemã, italiana e africana, o mote deste ano “Nosso mundo mais doce” explora a comercialização, ambientada na Confeitaria Jardim. No local, dois personagens centrais fazem a vez de fregueses: o poeta Antônio das Rosas - segundo o artista, uma alusão ao poeta pelotense Francisco Lobo da Costa -, e a musicista Vitória Lara, que tem o hábito de tomar chá na confeitaria.
Estes dois personagens, além de dois confeiteiros africanos, mestres Zô e Zuri, criados a fim de personificar a tradicional confecção de bolos de casamento, vieram se juntar nesta edição às doceiras que deram vida à história no ano passado, a portuguesa Eugênia e sua filha Mafalda; a francesa Bernadette; a italiana Antonella e sua filha Giovanna; a alemã Olga e sua filha Ema; além de Nádia, Jana, Dalila e os portugueses Joaquim e Manuel. “Cada personagem tem uma história pessoal, que é contada aos visitantes de uma forma lúdica”, diz Lopes.
Eles habitam este espaço durante os 19 dias da Fenadoce e interagem o tempo inteiro com os visitantes, porém a arte de Madu Lopes extrapola o espaço e se espalha pela feira, com detalhes que podem ser vistos nas paredes e nas esquinas, assim como os personagens que diariamente se misturam aos visitantes, em uma ronda pelo Centro de Eventos, cantando, dançando e convidando para visitar o espaço e aproveitar a feira.
O artista explica que a cozinha foi o ponto inicial da narrativa e buscou enaltecer a figura da mulher e as diversas etnias. O calor do fogão à lenha usado neste processo tão rico de criação artesanal do doce contrapõe à cultura do sal e do charque, à frieza do sangue da carne. “O doce veio transformar este processo através de um produto mais carinhoso”, diz.
Saindo da cozinha, o visitante faz um passeio à confeitaria, um local cheio de poesia e música. O grande diferencial deste ano é que os visitantes podem adentrar os espaços, cozinha e confeitaria, seja para apreciar cada detalhe que compõe o cenário, seja para fotografar e levar um registro do que foi apresentado. Os objetos cênicos não foram utilizados ao acaso, mas escolhidos para trabalhar com a memória pessoal e se tornarem pontos de referência a serem compartilhados, diz o artista. “São peças de garimpo, tachos, colheres de pau, xícaras e bules que contam algo, que levam o visitante a se identificar em algum momento com aquele objeto”, afirma.
Segundo o artista, seu compromisso é com o belo e através da sua arte, busca abraçar e confortar as pessoas e é este sentimento que o espaço, colorido e lúdico, quer passar para os visitantes, de bem receber, de acolher a todos.
Sobre Madu Lopes
Natural de Dom Pedrito, Manoel Eduardo Lopes de Oliveira, o Madu Lopes, mora há 27 anos em Pelotas e se considera pelotense de coração. Seu dom para a arte foi despertado desde muito cedo. Por ser muito introspectivo, a arte sempre foi o seu refúgio. “Eu desenho e modelo desde pequenininho, mas nunca havia pensado na arte como profissão”, conta.
Ao longo do tempo, algumas pessoas apareceram na sua vida e o fizeram despertar para esta possibilidade e ao vender seu primeiro trabalho, viu ser possível viver da arte e com isso, tornou sua profissão. “O universo sempre cuidou muito bem de mim e acredito muito que se colhe o que se planta, e essa sempre foi a minha escola”.
O projeto de Madu prevê, ainda, um terceiro tempo, para o futuro, o fechamento da narrativa com a apresentação da Fábrica do Doce. Mas isso é conversa para o ano que vem. Aguardemos a 27ª Fenadoce!
Redator: Tradição Regional
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