Domingo, 07 de junho de 2026, 23:52h
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Objetos de vários setores que formam a Santa Casa estarão em exposição neste final de semana
Com 171 anos de existência, a Santa Casa de Misericórdia de Pelotas evoluiu junto às tecnologias e melhorias empregadas em vários setores que contemplam a instituição hospitalar. Pela sua relevância na história da sociedade, tornou-se um patrimônio material, que necessita de conservação e preservação para que futuras gerações conheçam e recebam o legado histórico-cultural pelotense.
Conforme o provedor Lauro Ferreira de Melo, a inclusão do edifício pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio material viabiliza, por meio de projetos e leis de incentivo à cultura, o acesso aos recursos públicos e privados, permitindo a instalação do espaço do Memorial da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, a conservação e restauro de objetos do acervo, a manutenção das instalações, a preservação dos revestimentos da fachada e a cobertura dos telhados.
A trajetória da Santa Casa passa por diferentes e importantes etapas da história, que contou com diversas personalidades nacionais e regionais, como visitantes, benemerentes e pacientes.
Para contar essa história, a antropóloga Beatriz Montoito foi convidada a participar da criação do Memorial. Segundo ela, o acervo conta com coleções de objetos, inclusive móveis, e arquivo histórico (documentos, livros e registros), além dos suportes fotográficos.
No intuito de formar o espaço que caracterizasse a Santa Casa, foram separados objetos antigos de todos os setores, sendo realizado um trabalho minucioso de seleção, catalogação e pesquisa. Ao todo, são estimados 3,5 mil objetos, e com este alto número, Beatriz busca privilegiar os instrumentos pela antiguidade e área, por conta da riqueza histórica que cada um possui.
Embora o espaço não esteja inaugurado oficialmente, a Santa Casa participa pela primeira vez do Dia do Patrimônio, que neste ano tem como tema “Pelotas Imaterial: Saberes, Fazeres e Ofícios”, realizado de hoje (17) até o domingo (19). Neste primeiro dia da ação, acontecerá uma oficina com estudantes do ensino fundamental.
“Nós entendemos que é necessária desde pequenos - e isso hoje já é trabalhado na disciplina de História - a educação patrimonial, para que o aluno que venha visitar o Memorial, seja além de estimulado na escola, aqui também”, disse a antropóloga.
O incentivo à cultura e ao saber, para Beatriz, é importante por despertar o aluno para o exercício da cidadania e para o patrimônio imaterial e material, havendo um sentimento de pertencimento. “Ele mesmo será um agente mirim do patrimônio, muitas vezes educando os pais que não tiveram essa oportunidade”, ressalta.
Além das crianças, toda a comunidade poderá visitar o espaço nesses três dias, das 9h30 às 17h, interruptamente.
“Não bastam políticas de preservação e de conservação do patrimônio. É preciso que a população conheça a história, se identifique com ela, se aproprie dela. O Memorial abre suas portas mesmo ainda não inaugurado oficialmente, justamente para mostrar a história, os objetos, as artes e tudo que legitima os saberes, fazeres e os ofícios”, afirma Beatriz.
A intenção, futuramente, com a abertura oficial do Memorial, conforme o provedor, é que dentro do planejamento estratégico do hospital, o espaço tenha uma gestão própria, buscando manter-se financeiramente sustentável.
Redator: Tradição Regional
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