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17-09-2018

ESPECIAL JTR: O arroio São Lourenço na Revolução Farroupilha


Foto: Cristian Iepsen/JTR O arroio serviu como proteção e refúgio às tropas farrapas e ao alto comando da guerra

Que a histórica Fazenda do Sobrado foi um ponto estratégico para o comando da Revolução Farroupilha muita gente sabe, o que é altamente divulgado, mas não é tão comum falar-se sobre como o arroio São Lourenço deu apoio aos farrapos durante aquela epopeia.


O sobrado construído 1790, pertenceu a dona Anna Joaquina Gonçalves da Silva, a conhecida “Don’Anna”, irmã do general Bento Gonçalves da Silva. Era a maior construção entre Porto Alegre e Rio Grande na época da Revolução, já que sobrados não eram comuns. Por sua altura e localização a apenas 800 metros da Lagoa dos Patos, servia como um farol aos navegantes e, também, como ponto de observação da movimentação da lagoa. E ali, as mulheres da família de Bento Gonçalves se reuniam durante a Revolução, o que motivava encontros do alto comando de guerra. 



O casarão fica às margens do arroio São Lourenço, onde ocorreram alguns momentos tensos da Revolução. Garibaldi percebeu que a ligação do arroio com a lagoa era estratégica. Sem profundidade, não poderia ser navegado pelas embarcações imperiais, o que facilitava o refúgio das tropas farrapas. 


“Ele construiu três pequenos lanchões (barcos) aqui para navegar no arroio e esconder-se dos inimigos. Como o sobrado é alto, era possível ver os inimigos na lagoa. E se o alto comando estava na Fazenda e entendia que não era o momento de confronto, eles pegavam os lanchões e iam arroio adentro, pois os imperiais não tinham como ir atrás”, conta dona Ivany Serpa, atual proprietária da Fazenda e profunda conhecedora da história passada no local.


O sobrado era também um grande farol. Don’Anna costumava deixar um lampião ou vela acesos em uma das janelas para guiar os navegantes da lagoa. E quando eles entravam no arroio, a iluminação era apagada para não chamar a atenção dos imperiais. 


Em um trecho da obra “São Lourenço do Sul – Radiografia de um Município – das origens ao ano 2000”, o médico e historiador Edilberto Luiz Hammes, cita que Giuseppe Garibaldi subiu o arroio muitas vezes para visitar amigos e rever amores. “O sobrado serviu muitas vezes de local de reuniões de Bento Gonçalves com seus comandados. Como os navios farrapos de Garibaldi que serviriam para atacar Laguna, em Santa Catarina, foram construídos bem perto daqui, com madeiras das margens do Rio Camaquã e com as resoluções provindas do sobrado, é natural que os heróis farroupilhas tivessem, realmente, estado várias vezes nessa sede da Fazenda para deliberar sobre os caminhos revolucionários”, diz outro trecho da obra.


O casarão, às margens do arroio, teria dado um importante apoio logístico na Revolução, além de fornecer mão-de-obra escrava, cavalos e gado, local onde traçava-se os rumos da guerra especialmente sobre ações na região litorânea.


 


Redator: Tradição Regional



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