Domingo, 07 de junho de 2026, 12:40h
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Após cinco meses de reforma, na última quarta-feira (19), a Ato Produção Cultural apresentou à comunidade da 1ª capital farroupilha o resultado da etapa inicial de restauração da Casa de Garibaldi, prédio histórico que integra o acervo arquitetônico, herança da Guerra dos Farrapos, que teve em Piratini capítulos importantes, dado à da revolução acontecida em 1835.
A residência, que está situada na rua Bento Gonçalves e tem 225 metros quadrados, teve a fachada, telhado e aberturas externas renovadas, com investimento de R$ 317 mil, recurso captado através da Lei Rouanet, em que a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) foi a patrocinadora após a obra receber a indicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que mantém um acordo de cooperação técnica com a estatal.
A produtora cultural da Ato, Beatriz Araújo, tentava há sete anos recursos para revitalizar o prédio que ainda está com sua estrutura interna comprometida. “Quando restauramos o Museu Histórico Farroupilha, o que ocorreu em 2011, já havíamos apresentado o projeto de restauro da Casa ao Ministério da Cultura, que aprovamos, mas não obtivemos êxito ao tentar angariar os recursos”, relembra.
Com a verba em mãos, Beatriz conta o que foi renovado no local que abrigou Giuseppe Garibaldi e Luigi Rossetti, dois dos maiores personagens do embate épico. “Nossa preocupação foi fazer a consolidação do prédio no sentido de protegê-lo da ação do tempo, já que ele estava infestado de cupins e outros insetos que fazem a estrutura definhar. Havia sérios problemas no telhado que foi refeito, onde usamos por baixo do mesmo uma proteção com manta aluminizada que vai impedir infiltrações”.
Como as aberturas internas e as paredes ainda precisam passar pelo processo de restauração, a produtora assegura que a busca por recursos irá continuar. “A ideia é restaurar todo o prédio e para isso já renovei o pedido à Corsan para que continue a parceria, pois precisamos levantar mais R$ 880 mil, custo do restante que falta para, se tudo der certo, essa Casa se tornar um centro cultural”, arrematou.
A história
O professor João Manoel Ferreira, em uma das centenas de vezes que leu livros que relatam a guerra de 1835, ocorrida no Rio Grande do Sul - quando este se rebelou contra o império - constatou algo curioso e que na sua concepção, a história e quem a conta tornou uma “verdade”, fato que ele faz questão de contestar e corrigir quando tem a oportunidade de relatar os feitos farrapos: a Casa de Garibaldi não deveria ser assim chamada.
“A residência à época tinha o nome de “Casa do Redactor”, pertencia a outro italiano: Luigi Rossetti, um dos tantos que vieram da Itália através da maçonaria e que se tornaram, assim como Giuseppe Garibaldi, personagens principais do embate farrapo”, conta Ferreira.
Ele relata que Garibaldi, um inquieto transeunte, foi abrigado algumas vezes pelo amigo jornalista no espaço onde foi impresso o exemplar número 1, do Jornal O Povo, periódico que relatava os feitos dos revolucionários, mas ele concorda que, até mesmo desse erro - que, na sua opinião, foi injusto com o jornalista - ao longo do tempo se conseguiu tirar algo de positivo. Com isso, ver o prédio com a primeira etapa da reforma concluída é um fato extremamente significativo, mesmo que, segundo ele, o crédito deveria ser dado ao anfitrião, Luigi Rossetti, e não ao amigo hóspede.
“Nessa casa, Rossetti conseguiu fazer um jornal sem poder comprar a matéria-prima dado ao rompimento com o império. Esse feito só foi possível porque existia uma fábrica de papel em Piratini, assim, os exemplares circularam com a matéria-prima produzida na capital farroupilha, então, independente do nome, ver a Casa revitalizada é ótima para a história, a cidade e turistas”, avalia o professor.
A temática do cotidiano da Casa foi apresentada pelo Grupo de Artes EncenAção, que ilustrou a solenidade com a atuação de seus atores, uma satisfação para a diretora Sílvia Valéria Garcia. “É um presente que não só a cidade ganha, mas também a história do Rio Grande do Sul, pois Piratini recebe turistas, inclusive, da Itália e que são descendentes de Giuseppe Garibaldi. É maravilho para nós, integrantes do EncenAção, pois retratamos o que aqui foi vivido”, finalizou.
Redator: Tradição Regional
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