S�bado, 06 de junho de 2026, 21:51h
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Histórias escritas em páginas no coração do centro histórico de Pelotas. Começou na última quinta-feira (1º), a 46ª Feira do Livro de Pelotas, tradicionalmente embaixo das centenárias árvores da praça Coronel Pedro Osório, que neste ano também irá incluir a Bibliotheca Pública, o Museu do Doce (Casarão 8), a Secretaria Municipal de Cultura (Casarão 2) e o Largo do Mercado Central como cenários.
Além disso, nesta edição, o evento irá conter 155 atividades culturais, palestras, rodas de conversas e contações de histórias. Com 9 horas diárias, o turno da tarde (das 13h às 17h) irá se voltar para o público infantil, atendendo a excursões de escolas públicas e privadas de Pelotas e região. Já das 17h às 22h, o momento chamado “happy hour” pelos organizadores terá apresentações culturais e sessões de autógrafos. Durante os 18 dias de Feira, estão programados 48 shows com artistas locais e regionais.
De acordo com a produtora Teia Bender, a expectativa de venda é de mais de 70 mil exemplares. “Teremos uma programação bem intensa e diversa para atrair e agradar todos os públicos. Esse ano são 12 bancas de livreiros, cinco opções de lancherias na praça de alimentação e 155 atrações culturais, e diversas atividades tratando da temática da etnia, inclusão e diversidade”, comenta.
Para a edição, a Feira terá como patrono o advogado e doutor em direito civil e penal, Vilson Farias, autor de livros na área jurídica, abordando o racismo. Já para orador, o presidente do Conselho Municipal para Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Pelotas, historiador e professor, Fábio Gonçalves.
Pela primeira vez na cidade, a Feira do Livro terá como tema os negros em Pelotas. “A alvorada - imprimindo o alvorecer dos negros em Pelotas”, aborda a temática racial e o Jornal A Alvorada, imprensa negra pelotense, criado no início do século passado.
“É muito importante abordar a história da imprensa negra pelotense, reconhecendo o esforço dessas pessoas para criar um jornal, para aprenderem a ler sem ter estímulo de ninguém, pois é um marco na cidade”, destaca Teia.
Sobre o Jornal A Alvorada
Criado em 5 de maio de 1907 pelos irmãos Durval e Juvenal Moreira Penny, Rodolpho Ignácio Xavier e Antônio Baobad, o jornal semanário A Alvorada era feito por negros intelectuais de Pelotas, num período pós-abolição da escravidão. Inicialmente na Bibliotheca Publica, teve sede localizada na rua Paysandu, 678, atualmente rua Barão de Santa Tecla, o dominical trazia chamadas para reuniões, informativos de sindicatos e debates a respeito da precariedade dos salários e denúncias das exaustivas rotinas de trabalho dos negros.
Em 1946 foi vendido para Rubens Lima, Carlos Torres e Armando Vargas e tinha como redatores Dario Nunes, Humberto de Freitas, Ivo Porto e Miguel Barros. A Alvorada é tido por um dos mais longos exemplares de imprensa negra do Brasil e, além disso, contribuiu muito na educação dos ex-escravos, ensinando-os a ler e escrever para conseguir se inserirem no mercado de trabalho e estudarem.
Devido à crises financeiras, o periódico sofria com interrupções na circulação, até que em 1965 teve suas atividades encerradas.
Programação
A abertura oficial da 46ª Feira do Livro está marcada para acontecer hoje (2), às 19h, na Tenda Cultural João Simões Lopes Neto, na praça Coronel Pedro Osório. Atrações teatrais, de dança, shows de bandas locais, desfiles de cosplay e apresentações de escolas públicas e privadas dos municípios de Cristal, Capão do Leão, Herval, Pedro Osório, São Lourenço do Sul e Pelotas fazem parte da programação cultural deste ano. Rodas de conversa serão direcionadas para a Bibliotheca para evitar barulhos externos. Já apresentações culturais serão no Museu do Doce.
Redator: Tradição Regional
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