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*Fonte: Iphan e Fundação Dr. Carlos Barbosa Gonçalves
O município de Jaguarão conserva um patrimônio sem igual, composto por edificações coloniais, ecléticas, art déco e modernistas. O conjunto histórico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no ano de 2011.
Os processos de expansão das ocupações portuguesa e espanhola no território sul-americano e as respectivas estratégias para garantir posse de seus territórios estão diretamente ligados à formação do centro histórico do município. Durante o período conhecido como União Ibérica (1580-1640), estiveram suspensas essas disputas territoriais. Neste período, foram descobertas as primeiras minas de prata na região andina e os primeiros caminhos de acesso a elas, a partir da navegação pelos afluentes do rio da Prata. O início da povoação da região de Jaguarão teve origem por causa desse contexto.
Dentre os bens tombados, está a Ponte Internacional Barão de Mauá - no ano de 2011 -, um dos pontos marcantes do município, que contou com mais de 6 mil operários. A construção liga o lado brasileiro a Rio Branco, cidade uruguaia, com objetivo de aproximar as relações políticas, econômicas e culturais dos dois países. A construção sob o Rio Jaguarão, entre 1927 e 1930, foi datada no século XX, sendo o primeiro monumento binacional tombado pelo Instituto. Além disso, a Ponte foi o primeiro bem reconhecido como Patrimônio Cultural do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
As duas cidades estabeleceram sua interdependência, que se estendia pelo sul do Brasil devido à implantação da linha férrea que conectou a malha gaúcha ao porto de Montevidéu (capital do Uruguai).
Na época da construção, era a maior obra de infraestrutura em concreto armado da América do Sul. A ponte representa a resistência das elites pecuaristas gaúchas, em constante disputa, inicialmente, com a Coroa Portuguesa e, mais tarde, com a administração centralizada no Rio de Janeiro e dominada pelos cafeicultores.
Também há o Museu Carlos Barbosa, construído, em 1886, pelo português Martinho de Oliveira Braga. Era a residência do ex-
governador do Rio Grande do Sul, Carlos Barbosa Gonçalves e sua família, sendo que foi transformada em museu no ano de 1975. Dentre o acervo do casarão, estão móveis, louças, lustres e máquinas de costura e outras peças.
Segundo a Fundação Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, o edifício possui estilo eclético, com uso de elementos de decoração de mitologia clássica greco-romana. Considerado inovador para a arquitetura daquela época, pois conta com uma galeria/passadiço todo envidraçado, que circunda um jardim. Foi a primeira casa de Jaguarão a ter luz elétrica.
Já o Theatro Politheama Esperança foi construído entre os anos de 1887 e 1897, também sob comando de Martinho de Oliveira Braga. O edifício contava com depósito de carbureto, combustível de iluminação e uma cocheira, localizado junto à frontaria dos fundos do prédio. A casa de espetáculos movimenta a fronteira desde fins do século XIX. Com uma localização estratégica, ocorreu uma grande efervescência no campo cultural devido à passagem das companhias que se deslocavam das grandes cidades brasileiras em direção à Argentina e Uruguai e, consequentemente, se apresentavam no local, oferecendo um repertório eclético de espetáculos, encenações teatrais, atividades circenses, remates de animais, festas e projeção de filmes. No sentido inverso, grupos de artistas da região do Prata chegavam ao município em busca de novos públicos, com espetáculos musicais, dança e dramaturgia. Assim, tornou-se referência no circuito de espetáculos.
Nos anos 1990, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, em 2011, passou para tutela e proteção da mesma instituição em nível nacional. O local foi reformado em 2015, por meio do PAC Cidades Históricas, e recebe até os dias atuais apresentações, shows musicais e espetáculos.
Redator: Tradição Regional
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