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Cultura e Turismo

25-01-2019

Quando a música une histórias de vida e de gerações


Foto: Vitória Leitzke/JTR Roberto Bonini sentado; da esquerda para direita: Amanda Kohn, Ervino Rieger, Celso Barrufi, Fernando Pinhati e Gabriel Oliveira

Quando o martelo do piano bate na corda, provocando o som, seis corações batem no mesmo ritmo em um apartamento na região central de Pelotas. Durante as duas últimas semanas, a cidade ficou ainda mais musical com o 9º Festival Internacional Sesc de Música, que encerra na noite de hoje (25), às 20h30, no Mercado Público. 


Mas quem se limita a dizer que o festival abrange apenas a parte histórica da cidade do doce, não conhece o agropecuarista e músico, Roberto Bonini, formado em Piano pelo Conservatório de Música de Pelotas, antes de pertencer a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O apaixonado por piano, que tem a arte na família desde muitas gerações, decidiu durante janeiro dividir o seu piano de calda com os alunos pianistas do evento, de diferentes cantos do Brasil. “É um privilégio ter parte do festival na minha casa, maravilhoso”, revela.



“Quando começou o festival, uma das coisas que eu ouvi é que era difícil encontrar um piano disponível para os alunos estudarem, por ser um instrumento que os pianistas não podem carregar”, comenta, e complementa: “Como eu tenho piano, vou oferecer para eles tocarem, para virem estudar aqui em casa e então, uns foram passando para os outros, até que virou uma tradição. Eu converso muito com eles sobre peças e música clássica. Temos muita interação”.


Para o doutorando em música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e participando pela quarta vez do evento, Celso Barrufi, a visita já deixou de ser de um aluno: agora é de um amigo. “Vim pela primeira vez em 2013, após um recital de alunos pianistas, o Roberto veio nos parabenizar e oferecer o piano dele para treinamento. Ele tinha comentado que era um piano novo, de calda, ficamos interessados em aproveitar a oportunidade”, relembra.


“A paixão em comum estabeleceu um vínculo maior com o Roberto, de conversar sobre as obras, de compartilhar a trajetória dele com o piano e percebemos que temos muita coisa em comum. Os pianistas passam pelas mesmas coisas, o que ajudou a fortalecer a amizade. A grande parte do repertório que tocamos é do século XVII e XVIII e a decoração da casa nos permite ter a sensação que estamos nesta época”, destaca Barrufi. 


Para quem está vivendo o momento pela primeira vez, como a estudante de bacharelado em Piano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Amanda Kohn, e o aluno do mesmo curso pela UFRGS, Ervino Rieger, uma constatação em comum: a casa de Bonini é um “clube” dos pianistas do festival. “É um lugar só para nós, longe da correria do evento, quando tem gente com todo tipo de instrumento”, relata Rieger.


Sobre o Festival de Música do Sesc, Amanda comenta que é cansativo, mas também gratificante. “É bem corrido, a gente fica indo de um lado para o outro, às vezes chegamos no hotel e só queremos dormir. Mas vale a pena pela experiência e pelos doces de Pelotas”, confessa.


Em comum, apenas as teclas


Já Nicolas Iacks, de 14 anos, tem a mesma paixão que Rodrigo, Celso, Ervino e Amanda: a música. Porém com outro instrumento. O acordeon, engatado em cada braço e no colo de Iacks, faz o ter certeza que este é o caminho que o escolheu. 


“Toco acordeon desde os 10 anos. Vem de família, meu avô era acordeonista, isso acabou me incentivando, de certa forma, a escolher a gaita (nome gaúcho para o instrumento). Eu pretendo seguir a carreira, acho que é um caminho que me escolheu. Quero fazer faculdade, me especializar”, comenta.


O músico juvenil, que também está participando da nona edição do festival, conta: “Eu tinha ido em uma apresentação do sexteto gaúcho, que são os professores da oficina de choro do festival, no ano passado. E quando eles apresentaram o repertório de choro, eu me interessei e resolvi me inscrever para o festival deste ano. E fiquei muito feliz porque de mil inscrições, foram chamados apenas 400, me incluindo”, comemora.


Apesar da rotina puxada, o jovem sabe o quanto o momento é importante para a sua trajetória musical. “É um repertório bem extenso, com música de vários compositores, é bem trabalhoso, porque eu não tenho a prática da leitura e isso é uma coisa que facilita os outros, eu vou mais pelo ouvido, mas pretendo ano que vem vir mais preparado”, destaca.


A última apresentação de Nicolas acontecerá hoje (25), às 15h, no Conservatório de Música.


Redator: Tradição Regional



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