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Cultura e Turismo

25-01-2019

Pelotas: Da cidade do doce à água doce


Foto: Vitória Leitzke/JTR Colônias de pescadores também são opções turística para quem procura descansar no verão

Sossego, tranquilidade e reclusão. Se na cidade não encontramos isso, às margens da Lagoa dos Patos encontra-se de sobra. E as alternativas são diversas. Para quem não quer perder totalmente o contato com o cotidiano urbano, a praia do Laranjal é uma ótima pedida devido ao seu movimento e as programações variadas do que fazer, como atividades físicas, bares e restaurantes para apreciar. Já àqueles que gostam de sair da rotina turbulenta para aproveitar alguns momentos de silêncio, as colônias de pescadores, Z-3 e Pontal da Barra, são opções para se conectar com a natureza.


Ambas, localizadas nos extremos do Laranjal, são vilarejos, que vivem da pesca de camarão e peixes, provenientes da lagoa. Morador da Z-3, Sidnei Carvalhal tem seu sustento na pesca há mais de 30 anos, e elogia a calmaria do local. “Aqui moram famílias há anos e conhecemos uns aos outros”, conta.



Segundo o secretário de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Pelotas, Gilmar Bazanella, não só o Laranjal será um dos focos para atração turística, mas também as colônias pelotenses de pescadores. Para o responsável da pasta, a aproximação do público jovem com a cultura da pesca contribui com o conhecimento e novas vivências. “Temos muito potencial na localidade, não só no verão, mas em todo o ano. Inclusive, vamos apresentar para a prefeita [Paula Mascarenhas] nos próximos dias um projeto que envolva a praia”, ressalta.


“Um jovem de 20, 25 anos saberia como funciona a pesca? Precisamos atrair a curiosidade de moradores e turistas para conhecer melhor o Laranjal, a gastronomia da cidade, as colônias de pescadores, o interior”, comenta Bazanella.


Apesar de ser um lugar ideal para turistas que procuram quietude, os moradores sofrem com os contratempos causados pela influência do El Niño, fenômeno climático que aumenta o volume de chuvas na região. Como consequência, a grande precipitação na Metade Sul do estado não permite a salinização da lagoa, condição não favorável para a pescaria. 


“As últimas safras têm nos deixado com muitas dívidas, conseguimos pagar as contas, mas não conseguimos lucro para manutenção durante o resto do ano. A Associação de Pescadores sempre nos ajuda, mas acabamos ficando em dívida com eles também”, lamenta Carvalhal. 


Mas para quem visita, a paisagem é digna de lugar especial na memória. A estudante de Jornalismo, Lenise Slawski, relembra que conheceu a Z-3 em outro momento delicado para os moradores: as enchentes. “A primeira vez que fui, foi pra realizar um trabalho, na época das enchentes, já morava em Pelotas há um ano e meio e só ouvia falar dela”, conta, e acrescenta: “Depois retornei para ver como o lugar era de verdade, no verão. Fiquei encantada. Não só pela beleza do lugar, mas pelas pessoas que moram lá também. Recebem a gente de uma forma tão carinhosa que o lugar fica ainda mais convidativo”. 


 

Redator: Tradição Regional



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