Quinta, 04 de junho de 2026, 00:39h
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A Enfermaria Militar foi reconhecida pelo IPHAE como patrimônio histórico e artístico em 1990
Jaguarão parou para ver a estreia de A Dona do Pedaço, nova novela da Rede Globo, na última segunda-feira (20), tendo em vista que as primeiras cenas da trama foram gravadas no município e evidenciou um dos pontos turísticos mais famosos da região: as Ruínas da Enfermaria Militar.
Além da Enfermaria, muitos jaguarenses participaram com orgulho da gravação das cenas, como por exemplo, o caso da Lívia Ramires, de nove anos, que ressaltou a importância de poder contribuir. “Sinto-me muito orgulhosa, pois estou mostrando para todos a nossa cidade e o quanto ela é linda”, diz.
A rede hoteleira também se envolveu a fundo com os artistas. A proprietária da pousada Raio de Sol, Ana Bom, mostrou-se o quanto se sentiu lisonjeada em poder cuidar dos atores que estavam na cidade. A empresa recebeu, dentre outros artistas, Marcos Palmeira e Juliana Paes, durante as gravações. De acordo com a diretora artística, Amora Mautner, que esteve em Jaguarão durante as gravações, o município possui paisagens maravilhosas de pampa. “Após várias pesquisas, enfim, encontramos em Jaguarão as paisagens necessárias, as Ruínas da Enfermaria foi o marco para trazer o elenco até aqui”.
As Ruínas
No final do século XIX, perante o efetivo contingente militar na cidade, fundou-se um hospital militar, mais conhecido como Enfermaria Militar, até hoje assim denominado pela população. Sua posição estratégica, em um dos pontos mais altos da cidade, permitia uma visão privilegiada da região, com olhos voltados principalmente, para o outro lado da fronteira. O prédio possuía quartos para soldados e oficiais, capela, necrotério, farmácia, alojamento para soldados e pátio interno, além de depósito subterrâneo para mantimentos.
Segundo o historiador Alexandre dos Santos Villas Bôas, “o funcionamento da enfermaria militar de Jaguarão ocorreu até o final da década de sessenta, quando houve a transferência do 13º Regimento de Cavalaria em 1970, ocasionando a desativação da função hospitalar” (BÔAS, p. 4, 2012).
A partir da década de 1970 o local passou por um processo de deterioração, logo se tornando as ruínas da enfermaria militar. A partir daí foi apropriado pela comunidade que se instalou no Cerro da Pólvora, considerado um importante local de sociabilização, como também de visitação para pessoas de outras cidades. Na década de 1980, ocorreram então ações referentes à educação patrimonial, período em que moradores relatam participar de shows para fomento da cultura e valorização daquele patrimônio. A partir desta valorização do local, em 1990, houve o tombamento das ruínas da enfermaria militar como patrimônio histórico e artístico em nível estadual, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual (IPHAE).
Redator: Tradição Regional
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