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Cultura e Turismo

07-06-2019

ESPECIAL JTR: A história construída pelos escravos e contada pelas marquises dos prédios históricos


Do sal do charque ao açúcar dos doces finos. Dos casarões e prédios históricos, construídos com mão de obra escravizada aos prédios altos e modernos do século XXI. Pelotas é história em cada canto, em cada esquina. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a primeira referência histórica do surgimento do município é de junho de 1758, às margens da Lagoa dos Patos. 


Cerca de 30 anos depois, o português José Pinto Martins, vindo do Ceará, funda a primeira Charqueada, às margens do Arroio Pelotas, estimulando a criação de outras, devido à localização, promovendo o crescimento da região e seu povoamento. De Freguesia de São Francisco de Paula, tornou-se Vila São Francisco de Paula, até que em 1835 é nomeada Pelotas. O nome originou-se das embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para travessia dos arroios na época das charqueadas.



A cidade começou a expandir-se para o centro, mais precisamente nos atuais bairros Porto e Centro Histórico, no século XIX. A construção foi dada com mão de obra escrava, que na época compunha 51% da população pelotense. Prédios como o Theatro Sete de Abril e o Mercado Central eram pioneiros em âmbito arquitetônico e cultural no país. A casa de espetáculos, que atualmente está em reforma, é a primeira do estado, inaugurada em 1834. 


Como polo universitário, Pelotas sempre teve destaque. A mais antiga faculdade de agronomia do Brasil teve suas origens na Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Practica, fundada por decreto imperial, tornando-se, posteriormente, a Escola de Agronomia Eliseu Maciel. Atualmente, o prédio integra a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e recebe em suas instalações o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG). 


Quem passa por Pelotas, dificilmente não fica encantado com o que vê no entorno da praça Coronel Pedro Osório - nome em homenagem a um dos grandes empresários pelotense, que plantou o arroz, pela primeira vez no país, em sua fazenda -. Nele, foram construídos os casarões de Artur Gonçalves Moreira, de Leopoldo Antunes Maciel, o Barão de São Luís (1879), do Conselheiro Francisco Antunes Maciel, o Barão de Cacequi; o Quartel-General Legalista; o Clube Caixeiral; o Theatro Sete de Abril (1831-1834); a Bibliotheca Pública Pelotense (1875), não governamental apesar do nome; a Prefeitura Municipal de Pelotas (1881); o antigo Banco do Brasil (1929); a fachada parcial da Residência do General Osório; o antigo Grande Hotel (1928); o conjunto de Arthur Assumpção e Fernando Luís Osório (1911). Parte da história pelotense é contada pelas marquises e elementos arquitetônicos destes prédios. Porém, infelizmente, muitos sofreram com a ação do tempo e a falta de verba pública e de iniciativa privada para manutenção. 


Atualmente, o prédio do Antigo Banco do Brasil é o que mais sofre com a deterioração do tempo e abandono, com vidraças quebradas, permitindo a entrada de chuva, umidade e animais. Outros casarões, como a Antiga Residência do Barão de Irapuã e Casas Geminadas são propriedade privada. 


Para o secretário de Cultura, Giorgio Ronna, a certificação do Conjunto Histórico como Patrimônio Cultural do Brasil, com significativo valor histórico, artístico e paisagístico consolida a revitalização e recuperação do Centro Histórico da cidade. “O tombamento inclui a cidade no circuito turístico do país e atrai turistas para o município e região”, afirma. 


Theatro Sete de Abril


Fechado para reforma desde 2010, o prédio, até o ano passado, sofria o drama da falta de verba para a obra. O orçamento para a reforma do prédio  - que está tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) desde 1972 - foi aprovado e o Termo de Compromisso firmado entre a União e o Iphan foi publicado no Diário Oficial da União, possibilitando o encaminhamento da licitação. 


No início de maio foi encerrado o Processo de Licitação da restauração, o qual, ao todo, teve quatro empresas interessadas na participação. Duas são de Pelotas: Carlos Lang Engenharia e Marques Imóveis Construtora e duas de Goiânia (GO), a Marsou Engenharia Ltda e Construtora Biapó. Agora, a Comissão Permanente de Licitações está fazendo a análise fiscal e jurídica da documentação e depois, fará uma avaliação ténica. A empresa vencedora do processo ficará responsável por recuperar toda a estrutura do prédio, projeto orçado em R$ 7,8 milhões e terá como prazo de vigência do contrato 18 meses. 


Segundo Ronna, o processo de licitação segue em análise e não há previsão de término. 


 


Redator: Tradição Regional



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