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Cultura e Turismo

25-07-2012

A Colonização de São Lourenço


Acervo Prefeitura Municipal A maior comunidade pomerana do mundo está no Brasil, incluindo São Lourenço do Sul

Com apoio de José Oliveira Guimarães, que financiou a vinda dos pomeranos para o Brasil, São Lourenço do Sul foi fundada e colonizada por Jacob Rheingantz, vindo de uma espécie de aldeia conhecida como Sponheim, província do Reno,localizada na Alemanha. Em 1908 as maiores colônias particulares do Brasil eram Blumenau, em Santa Catarina, e São Lourenço do Sul, que recebeu o nome do Arroio que atravessava uma parte da então Colônia.


Rheingantz, em uma viagem aos Estados Unidos em 1840 descobriu que seu irmão havia morrido prematuramente, quando então decidiu vir ao Brasil em um vapor chamado “Rio Grandense”, que estava indo para Rio Grande. Foi em 1848 que Jacob amadureceu seu ideal de fundar uma colônia na Serra dos Tapes. Um pedaço de terra foi adquirido por Jacob do governo imperial em 1856, quando ele se comprometeu a povoar o local, em cinco anos, com até 1440 colonos agricultores, de origem alemã, suíça ou belga. No dia 31 de outubro de 1857 os primeiros colonos, em torno de 88 pessoas, embarcaram em Hamburgo com direção à Colônia de Jacob Rheingantz. Os imigrantes chegaram a Rio Grande e logo tomaram posse nas localidades de Picada Moinhos e Picada São Lourenço.



Com água abundante e uma floresta com madeira aproveitável, a Colônia não dependeu de municípios vizinhos para se desenvolver. Os colonos que ali se alojavam eram em sua maioria pomeranos, protestantes. É fato que a Colônia precisava de toda infraestrutura, pois, tirando a floresta, nada havia. Logo uma morada provisória foi montada para os pomeranos. A construção simples foi denominada Reserva, onde neste mesmo local o fundador montou uma casa comercial para a troca de créditos por mantimentos aos colonos. Foi com o auxílio do fundador e da população que ali se instalou que a Colônia se desenvolveu na agricultura, pecuária e na construção de igrejas, escolas e organizações com fins econômicos internos.


Antes dos colonos chegarem à colônia particular de Rheingantz, em São Lourenço, o cultivo da terra era insignificante, havendo somente a prática da atividade pecuária. Logo que os pomeranos chegaram o plantio de alguns produtos foram cultivados, como mandioca, trigo, feijão-prato, milho e o centeio. Mas o maior destaque da produção ficava por conta da batata-inglesa, que foi um produto que começou a ser cultivado por iniciativa dos pomeranos, que antes eram pescadores de arenque e depois se tornaram plantadores de batata inglesa, sendo a Colônia de São Lourenço a primeira plantadora do produto no país.


Os pomeranos não a chamavam de batata-inglesa, mas sim de batatinha. A excelente produção do produto na Colônia levou à exportação e ao reconhecimento não só de localidades próximas como também do Rio de Janeiro e Montevidéu, isto em apenas quatro anos após a colonização no local. Em 1941 a batata-inglesa era o principal apoio da economia e uma das principais fontes de riqueza de São Lourenço do Sul. A batata-inglesa era conhecida como um produto sul-riograndense-do sul no Brasil e alemão no Rio Grande do Sul.


Ainda hoje São Lourenço permanece com um pedaço da colonização vinda de terras junto ao mar Báltico, e que não existem mais como Província, permanecendo inclusive o dialeto específico deste povo no interior de São Lourenço do Sul. A maior comunidade pomerana do mundo está no Brasil, primeiramente na Colônia de São Lourenço, com importante participação também em Pelotas e Canguçu, e em localidades do Espírito Santo, Santa Catarina e Roraima.


  *As informações históricas contidas neste texto estão presentes na série e livro “Radiografia de um Município – Das origens ao ano 2000”, de Edilberto Luiz Hammes.


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