Quinta, 09 de julho de 2026, 20:45h
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Coordenador do Gead Cadeias Produtivas, Ivan Feloniuk (centro), conduziu a audiência
O Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional (FDDR) promoveu audiência pública na quarta-feira (12), no Espaço da Convergência, para tratar da situação do turismo no Rio Grande do Sul. Durante os trabalhos, enfatizou-se a necessidade de aproveitar melhor o potencial turístico do Estado, considerando-se que essa é terceira indústria que mais cresce no mundo, ficando atrás apenas da aviação e do setor petrolífero.
O diretor do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional, Sérgio Sady Musskopf, abriu a audiência pública e fez a saudação aos presentes. Informou que a audiência complementa uma série de encontros já realizados sobre outras cadeias produtivas. Ele convidou os participantes para o Simpósio Gaúcho das Águas, que ocorre no Teatro Dante Barone, com a presença de palestrantes da ONU, Associação Brasileira de Captação e Manejo da Água de Chuva (ABCMAC), Agência Nacional de Águas (ANA) e Universidade do México, entre outros. Musskopf salientou a importante relação existente entre a questão das águas e o Turismo e a Cultura.
Plano Estadual de Turismo
A assessora de Relações Institucionais da Secretaria Estadual do Turismo, Camile Pegoraro, entregou simbolicamente ao coordenador do Gead Cadeias Produtivas e APLs, Ivan Feloniuk, o Plano Estadual de Turismo, que foi elaborado após 11 conferências regionais e uma estadual, com a presença de cerca de 500 delegados. De acordo com Camile, a secretaria se pauta pela visão do turismo como um vetor de desenvolvimento, sendo capaz de gerar emprego, renda e inclusão social. Como resultado das conferências, foram elaborados cinco desafios para o turismo no Rio Grande do Sul: implementar o sistema estadual de gestão de turismo; preparar o Estado para captar e realizar eventos, principalmente na Região Metropolitana; aumentar a competitividade das regiões turísticas no Estado; posicionar o produto turístico gaúcho no mercado; e fomentar o empreendedorismo. A partir dos desafios, foram elaborados 25 projetos.
Centro internacional de eventos na Capital
Camile também anunciou a construção de um grande Centro de Eventos em Porto Alegre, com atuação em nível mundial, que será desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
Dados sobre Turismo
A integrante da ONG Pro-Diversitas, Márcia Faria da Silva, apresentou dados sobre o turismo no Rio Grande do Sul e no mundo. Segundo ela, o turismo é a terceira indústria que mais cresce mundialmente. Os estrangeiros já gastaram no Brasil cerca de R$ 2 bilhões, isto é, 7% a mais que o mesmo período de 2011. Enquanto isso, os brasileiros gastaram no exterior cerca de R$ 5 bilhões, isto é, 13% a mais que o mesmo período de 2011. Em 2012, os vôos nacionais já sofreram um incremento de 8,22%. O turismo já gerou 57% mais empregos que em 2011 e envolve cerca de 117 atividades produtivas diferentes. Outro dado apresentado por Márcia indica que cerca de 70% dos visitantes de Porto Alegre não visitam outras cidades gaúchas.
Sugestões
A pesquisadora Márcia Faria fez uma série de sugestões à Secretaria do Turismo, como a inclusão de Rio Pardo e Triunfo no roteiro Caminho Farroupilha e a introdução do Programa Capital Gaúcha da Cultura, a exemplo do que ocorre com a Capital Europeia da Cultura, que leva para uma cidade a movimentação cultural do continente. Ela também sugeriu a sinalização do Caminho Farroupilha, que envolve cidades como Porto Alegre, Guaíba e Camaquã. O incentivo à cultura museológica com “souvenirs” temáticos, a informatização dos acervos dos museus, o incentivo ao turismo em pontes internacionais, a utilização de PPPs para incentivar a produção cultural e a promoção dos roteiros místicos e religiosos estão entre outras sugestões apresentadas pela pesquisadora.
Aproveitamento do potencial turístico
O representante do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Luiz Alonso Blanco, levantou uma série de questões em relação ao turismo. Afirmou que é necessário transformá-lo em um produto rentável. “Como se vende o Carnaval? Como se vende a Semana Farroupilha? Geralmente, é somente para nós no Estado, internamente”, lamentou. O convidado também perguntou por que não há turista em massa nas Missões. Afirmou que são necessários estímulos ao turismo nessa região e que, em geral, o Estado tem tudo na mão, mas deixa “passar o cavalo encilhado”. Segundo Blanco, Porto Alegre já foi a terceira cidade de eventos Brasil, hoje é a quinta. Ele também sugeriu que o Centro de Eventos da Expointer seja aproveitado também durante o ano. Outro ponto levantado por Blanco é que hoje não se aproveitam os museus para vender produtos. Ele lembrou que, no Museu do Louvre, por exemplo, 30% da receita vem da venda de produtos.
Turistas querem mais segurança, limpeza e sinalização na Capital
Quanto ao perfil do turista de Porto Alegre, Blanco informou que 35% vem à Capital a negócio ou a trabalho e 31% visita amigos e parentes. Cerca de 30% experimenta a culinária, 29% faz compras, 16% visita os parques e 14% assiste a espetáculos. Enquanto isso, somente 8,4% participa de atividades culturais. Os pontos mais positivos da Capital, na opinião dos turistas, são a gastronomia, a hospedagem e a hospitalidade. Os mais negativos são a segurança, a limpeza pública e a sinalização urbana. Os visitantes costumam lamentar a inexistência de comércio que funcione 24 horas na cidade.
Quanto à estrutura hoteleira, a taxa de ocupação dos 98 hoteis é de 65%. O número total de leitos em Porto Alegre é de 18 mil, enquanto, apenas em Gramado e Canela, há 20 mil leitos. Segundo Blanco, Porto Alegre tem a terceira diária mais cara do Brasil, perdendo apenas para Copacabana e os Jardins, em São Paulo. Ele também afirmou que o grande questionamento da hotelaria gaúcha é o que indicar aos turistas para fazer nos finais de semana.
Manifestações das entidades
O representante da Associação Porto Alegre Rural, Ricardo Carneiro da Fontoura, salientou a importância de que o turismo não seja uma política de governo, mas de Estado, que permaneça mesmo diante da troca de gestões. Ele informou que muitos proprietários rurais de Porto Alegre, que também trabalham com turismo, estão encerrando suas atividades. “Se houver uma política de Estado, a gente consegue ainda preservar aquela região”, afirmou, informando que 40% do território de Porto Alegre é rural e se constitui em importante alternativa turística. A mesma opinião foi compartilhada pelo secretário de Turismo de Caxias do Sul, José Reovaldo Oltramari, que afirmou ser necessário um plano de Estado para o turismo. “A cada quatro anos sai o prefeito e se começa tudo de novo; os grandes projetos não têm continuidade”, lamentou.
O representante do Grupo de Ação Afirmativa Afrodescendente, Gilberto Soares, reivindicou que quando se fala em Turismo Religioso não se pense apenas na Igreja Católica, mas também nas religiões afro. Ele também solicitou a inclusão de episódios como o dos Porongos no roteiro do Caminho Farroupilha. Sugeriu que um encontro de Pais de Santo possa tornar-se um evento do calendário turístico do Estado.
O representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Haroldo Britto, afirmou que o turismo é uma “indústria da paz”, pois não tem chaminés e integra pessoas e culturas. Ele também reclamou a respeito dos cursos do Senac, os quais, segundo ele, são caros. Aproveitou para lembrar que o Senac é sustentado pelos trabalhadores por meio de recursos como os do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), portanto, os preços não poderiam ser tão altos. Britto também falou sobre os altos preços cobrados por produtos, como uma água mineral, por exemplo, em eventos turísticos.
A representante da entidade La Integración, Jane Argollo, defendeu o ensino de espanhol em todas as escolas gaúchas e criticou a rivalidade que teria sido “inventada” entre gaúchos e argentinos.
O cicloativista Naian Meneghetti falou sobre o Fórum Mundial da Bicicleta, atividade por meio da qual se pode falar uma vez por ano a respeito do uso da bicicleta. Colocou à disposição para conversar sobre o assunto com a Secretaria do Turismo.
O representante da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Júlio César Pannebecker, defendeu que o trabalho turístico vá ao encontro das necessidades das comunidades. Afirmou que municípios com menos de 50 mil habitantes têm apenas 5% do orçamento de origem própria. Logo, não há como o administrador municipal pensar em turismo, que vai muito além dos problemas do dia-a-dia. “Precisamos mostrar aos novos prefeitos que o turismo pode servir para aumentar a arrecadação”, defendeu. Pannebecker divulgou o Fórum de Cultura e Turismo dos Prefeitos, com a participação de dirigentes municipais da área, que se reunirá nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro de 2013, em Porto Alegre.
A coordenadora do GT Cultura do Fórum Social Mundial, Taís Ratier, também se manifestou na audiência.
Trabalhos do Grupo de Cadeias Produtivas e APLs
O coordenador do Grupo Executivo de Acompanhamento de Debates (Gead) sobre Cadeias Produtivas e Arranjos Produtivos Locais (APLs), Ivan Feloniuk, salientou que os trabalhos do órgão estão divididos em três eixos: agroindústria familiar, turismo e pedras semipreciosas e rochas. Lembrou que, na audiência pública realizada em Santa Maria, houve uma queixa da região da Quarta Colônia a respeito da falta de políticas públicas para a área. Já na audiência de Pelotas, o turismo apareceu em meio à questão da água, quando foi mencionado o potencial turístico das águas. Frisou que o turismo aparece sempre entrecruzando-se com outras áreas. Informou, também, que no dia 7 de novembro ocorrerá um seminário de encerramento do Gead, que tratará de questões relacionadas à agroindústria pela manhã e pedras semipreciosas pela tarde. Comunicou que nos dias 29 e 30 de novembro, em Camaquã, ocorre o 1º Seminário Gaúcho de Turismo, que pretende ser itinerante. Informou que, em breve, a programação estará no site da Assembleia, com divulgação também por e-mail.
Trabalhos do Grupo de Sustentabilidade Ambiental
O coordenador do Gead Sustentabilidade Ambiental, Lélio Falcão, que também coordena o ramo turístico na Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs), informou que está trabalhando para trazer o Fórum Social Mundial novamente para Porto Alegre, consolidando-o também como um grande evento turístico. Falcão aproveitou a fala para anunciar que no dia 3 de outubro a reunião do Gead Sustentabilidade Ambiental tratará do tema Bacias Hidrográficas, em preparação ao Simpósio Gaúcho das Águas, que ocorre no dia 15 de outubro. Salientou que as centrais sindicais brasileiras trabalham o turismo como um importante tema quando se debatem os empregos verdes e o trabalho decente. “As centrais têm apostado fortemente nessa linha de trabalho”, afirmou.
Fonte: Agência de Notícias ALRS
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