Quinta, 09 de julho de 2026, 18:13h
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Os dois únicos hotéis de Piratini atendem uma clientela que, devido as suas atividades e constantes viagens, é naturalmente exigente quando o assunto é café da manhã, muitas vezes a única refeição completa do dia. O município, com potencial para tornar-se um centro turístico na região, ainda não conquistou seu espaço nos roteiros turísticos comuns, mas recebe viajantes e profissionais liberais em grande número. Estes buscam nos hotéis da capital farroupilha, uma extensão dos seus lares e veem na mesa farta e nutritiva mais um atrativo para os turistas.
Que o diga Kleiber Rocchi, advogado responsável por assessorar uma das instituições financeiras da cidade, diante da mesa colorida do café da manhã servido no Hotel Farroupilha. “Pelo que a cidade, por ser pequena, pode oferecer, está dentro dos padrões. Oferta frutas, sucos, leites e pães que integram a base do café da manhã, muitas vezes a principal refeição para quem está viajando e não tem como almoçar com qualidade”, resume Rocchi, acrescentando uma sugestão. “Devido à oscilação de temperatura na região e ao frio, sinto falta de pratos quentes como ovos mexidos, salsicha e molhos”.
Conforme Estela Dias, sócia-proprietária do Farroupilha, o maior desafio é oferecer um café da manhã com tantas opções diante de uma diária com valores tão acessíveis. Mesmo assim, ela garante ser possível incrementar a refeição, sem ter que cobrar mais do hóspede. “Grande parte do que ofertamos no hotel, é resultado de uma consultoria que realizamos junto ao SEBRAE, mas ser observadora foi primordial. Presto atenção nos clientes e em seus gostos pessoais. Neste processo, ao longo do tempo, adicionamos e subtraímos pratos do cardápio”, revela.
Padrão nacional
Já no Hotel Garibaldi, a mesa também salta aos olhos pela variedade, com poucas diferenças. Na primeira refeição do dia, ao descer as escadas que separam o espaço destinado ao café da manhã da maioria dos 43 apartamentos, os hospedes do também encontram frios, frutas, geleias, variedade em pães, bolos e sucos. Na manhã da sexta-feira (28), a funcionária de uma empresa eólica espanhola, Luz Soares, de Santana do Livramento, comprovou a qualidade do ofertado pelos hotéis do berço farrapo. “Viajo dentro e fora do país. Para mim não há reparos a serem feitos. O café da manhã daqui é completo e dentro do que é servido nos hotéis do Brasil”, elogia, destacando que refeições com o colorido e o sabor tropical lhe agradam. “Café com frutas e sucos só no Brasil”.
A espera do turista
O desafio da oferta de qualidade e a sobrevivência neste ramo são apontados pelo gerente do Garibaldi, Márcio Oliveira. Segundo ele, a ocupação do hotel por turistas ainda pode ser classificada como “uma gota no oceano”, e se o hotel dependesse deste tipo de hóspede seria inviável continuar no ramo. “Turista em Piratini só ocupa o hotel em setembro, na Semana Farroupilha, quando atingimos 95% da lotação”, afirma. Segundo ele, hoje a clientela do local é formada, em sua maioria, por representantes comerciais, sendo que procura maior ocorre de segunda à quinta-feira.
Assim como Estela, que tem no Farroupilha funcionários do setor privado como base da hospedagem, Márcio concorda que o turismo ainda está na fase embrionária e para tirá-lo deste estado duas ações são imprescindíveis. “Asfaltar a RS-265, tornando Piratini um atalho para chegar à cidades como Dom Pedrito, Jaguarão, Bagé e Rivera, e um investimento local em publicidade para vender nosso turismo, que vai desde a impressão de folders e folhetos com nossas riquezas para ser distribuído, e a implantação de uma painel ou outdoor convidativo no trevo de acesso da RS-702 com a BR-293, deveriam integrar estas ações”, opina o gerente.
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